O Rio Negro em Manaus entrou em processo de vazante após atingir a cota máxima do ano em junho, e o nível continuou recuando ao longo de julho. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o rio chegou a 27,60 metros no monitoramento divulgado em 28 de julho, após uma redução de aproximadamente 30 centímetros em uma semana. O cenário ocorre em meio a previsões de chuvas abaixo da média para parte do Amazonas durante o período de estiagem.
O dado de 52 centímetros de queda em uma semana, associado ao título original da pauta, não corresponde ao Rio Negro em Manaus. No boletim mais recente localizado do SGB, a redução de 52 centímetros foi registrada no Rio Branco, em Boa Vista (RR). Em Manaus, a queda indicada no mesmo boletim foi de 30 centímetros.
Rio Negro iniciou a vazante após a cheia
O SGB informou em julho que o comportamento dos rios amazônicos havia passado para a fase de vazante. Em Manaus, o nível do Rio Negro estava em 28,38 metros no dia 7 de julho, dentro da faixa de normalidade para o período e acima da média histórica.
Uma semana depois, em 14 de julho, a cota registrada era de 28,20 metros. O 28º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas apontou redução de 16 centímetros ao longo da semana na estação de Manaus.
O boletim também indicou que os níveis da bacia do Rio Negro permaneciam acima da mediana histórica nas estações monitoradas. Em Barcelos, a redução semanal foi de 11 centímetros; em São Gabriel da Cachoeira, de 2 centímetros.
A tendência de descida se intensificou nas semanas seguintes. No levantamento divulgado pelo SGB em 28 de julho, Manaus registrava 27,60 metros e uma redução de aproximadamente 30 centímetros em sete dias.
Cota de 27,60 metros em 28 de julho
O 30º Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo SGB em 28 de julho, classificou a vazante como regular na maior parte das estações monitoradas.
Segundo o órgão, os níveis dos rios permaneciam dentro da faixa considerada normal para o período na maioria dos pontos de monitoramento. A situação era diferente no Rio Branco, em Roraima, que apresentava níveis abaixo da faixa de normalidade.
Na estação de Manaus, o Rio Negro havia recuado cerca de 30 centímetros durante a semana analisada. A cota chegou a 27,60 metros no levantamento do SGB.
Os dados utilizados pelo SGB são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), cuja responsabilidade é da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A operação das estações é realizada pelo SGB e por instituições parceiras.
De onde surgiu o dado de 52 centímetros
A diferença é importante porque o número de 52 centímetros aparece efetivamente no boletim oficial, mas relacionado a outro rio.
No mesmo levantamento do SGB, o Rio Branco, em Boa Vista, registrou redução de 52 centímetros em uma semana, chegando à cota de 2,23 metros. Em Caracaraí, também em Roraima, a descida foi de 72 centímetros.
Portanto, não é correto atribuir a queda de 52 centímetros ao Rio Negro em Manaus com base nesse documento.
Para a capital amazonense, o dado confirmado pelo SGB é de 30 centímetros de recuo em uma semana, no boletim de 28 de julho.
Essa distinção é relevante para evitar a associação de um dado hidrológico de Roraima ao cenário observado no Amazonas.
Previsão indica chuva abaixo da média em áreas do Amazonas
O comportamento dos rios ocorre paralelamente a um cenário climático de menor precipitação em parte da região.
O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) informou, no Boletim Climático da Amazônia, que a previsão apontava chuvas abaixo da média histórica em quase todo o Amazonas, com exceção do sudeste do Estado.
O mesmo boletim indicou temperaturas acima da média histórica em toda a Amazônia Legal.
O prognóstico do Censipam considera o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026. O órgão utiliza informações meteorológicas e climáticas para subsidiar o planejamento de serviços públicos e ações de prevenção.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também apresentou previsão de precipitação abaixo da média para áreas do Norte durante agosto.
Para o Amazonas, o Inmet indicou volumes abaixo da média histórica principalmente no norte do Estado. Em contrapartida, centro-oeste e noroeste amazonenses tinham previsão de chuvas acima da média.
Isso significa que o cenário de precipitação não é uniforme em todo o Amazonas. As condições variam conforme a área do Estado e o período analisado.
Estiagem ganha maior intensidade entre agosto e outubro
O Censipam apresentou, em junho, prognóstico para o período de estiagem de 2026. Segundo o órgão, a estação seca na Amazônia ocorre, em geral, entre junho e novembro, com maior intensidade entre agosto e outubro.
A análise indicou expectativa de temperaturas elevadas e precipitação abaixo da média em parte da Amazônia, especialmente na porção norte da região, incluindo áreas do Amazonas.
A combinação entre o ciclo sazonal dos rios e as condições de precipitação é acompanhada pelos órgãos de monitoramento para avaliar a evolução da vazante.
O SGB ressalta que seus dados e previsões servem de apoio para decisões de órgãos públicos, incluindo as Defesas Civis estaduais e municipais.
Rio Negro ainda está distante das mínimas históricas
Apesar da redução observada em julho, os dados oficiais disponíveis não indicavam, naquele momento, uma situação semelhante às vazantes extremas registradas em 2023 e 2024.
O SGB informou que os níveis do Rio Negro estavam próximos ou acima das medianas históricas nas estações monitoradas durante julho.
A série histórica mostra que o comportamento do rio varia significativamente ao longo do ano. Documento técnico do SGB aponta que o período de cheia em Manaus ocorre, em geral, entre maio e julho, enquanto a vazante se estende principalmente de agosto a dezembro.
As menores cotas anuais ocorrem predominantemente em outubro e novembro. De acordo com estudo do SGB, as mínimas históricas da série analisada ocorreram em outubro em 43,8% dos anos e em novembro em 35,54% dos registros.
Isso significa que a evolução do nível do Rio Negro ainda depende do comportamento das chuvas e da dinâmica hidrológica dos próximos meses.
Recordes recentes mostram importância do monitoramento
O Rio Negro registrou níveis excepcionalmente baixos nos últimos anos.
Em 2023, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico registrou uma das menores cotas da série histórica de Manaus, quando o rio chegou a 13,63 metros em outubro.
Em 2024, a vazante foi ainda mais severa. O SGB registrou 12,26 metros em 12 de outubro de 2024, superando a marca anterior de 12,70 metros registrada em 2023.
Esses episódios tiveram impacto sobre a navegação, o transporte de pessoas e mercadorias e o acesso de comunidades ribeirinhas.
Por esse motivo, o acompanhamento semanal do nível dos rios é utilizado por órgãos públicos para antecipar possíveis impactos sobre infraestrutura, logística e serviços essenciais.
Impactos para Manaus e comunidades ribeirinhas
A vazante do Rio Negro faz parte do ciclo hidrológico anual, mas a intensidade da redução pode produzir efeitos diferentes conforme a cota atingida.
Em períodos de níveis muito baixos, a navegação pode ser prejudicada pela redução da profundidade dos canais e pela exposição de bancos de areia e obstáculos anteriormente submersos.
Comunidades localizadas às margens dos rios também podem enfrentar alterações no acesso por transporte fluvial. Em situações de estiagem severa, essas dificuldades podem afetar o deslocamento de moradores e o abastecimento de produtos.
A situação de julho de 2026, entretanto, não foi classificada pelo SGB como uma vazante excepcional em Manaus. O órgão informou que a maioria das estações permanecia dentro da faixa de normalidade para o período.
Monitoramento continua durante a estiagem
O SGB mantém o acompanhamento dos níveis dos principais rios da região por meio da Rede Hidrometeorológica Nacional e de modelos hidrológicos.
Os boletins são utilizados para fornecer informações atualizadas a gestores públicos e órgãos de Defesa Civil. O sistema também disponibiliza dados em tempo real e mapas relacionados ao monitoramento hidrológico.
A evolução do Rio Negro em Manaus deverá ser acompanhada especialmente durante agosto, setembro e outubro, período em que a vazante normalmente avança até alcançar as menores cotas anuais.
Até os dados oficiais localizados nesta apuração, o cenário é de vazante regular do Rio Negro em Manaus, com redução progressiva do nível e previsão de chuvas abaixo da média em parte do Amazonas.
Correção importante sobre o dado de 52 cm
A informação de que o Rio Negro caiu 52 centímetros em uma semana em Manaus não foi confirmada pelas fontes oficiais consultadas.
O número de 52 centímetros consta no boletim do SGB, mas corresponde ao Rio Branco, em Boa Vista (RR). Para Manaus, o mesmo boletim registra queda de aproximadamente 30 centímetros em uma semana, com o Rio Negro em 27,60 metros.
Essa diferença deve ser preservada na publicação para evitar que um dado oficial seja atribuído ao rio ou município incorreto.








