Disputa pelo controle do Congresso ocorre nesta terça-feira (3) e pode dificultar a aprovação de projetos do presidente nos dois últimos anos de mandato
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os representantes que ocuparão vagas no Congresso e em governos estaduais. A eleição de meio de mandato, conhecida como midterms, é considerada importante para o presidente Donald Trump porque pode alterar o equilíbrio de forças no Legislativo e influenciar os rumos de sua administração até o fim do mandato, em janeiro de 2029.
Estão em disputa os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Também serão realizadas eleições para governador em 36 estados, além de votações para cargos estaduais e locais. O resultado poderá determinar se os republicanos continuarão controlando as duas Casas do Congresso ou se os democratas conquistarão espaço para fiscalizar e dificultar iniciativas do governo.
Eleições nos EUA podem mudar controle do Congresso
As eleições de meio de mandato acontecem a cada dois anos, sempre no intervalo entre as eleições presidenciais. Como os deputados federais cumprem mandatos de dois anos, todas as cadeiras da Câmara dos Representantes são submetidas à votação.
No Senado, a renovação ocorre de forma escalonada, já que os mandatos dos senadores duram seis anos. Em 2026, 35 vagas estão em disputa.
Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas legislativas. Na composição apresentada antes da votação, o partido tinha 218 representantes na Câmara, contra 214 democratas. No Senado, os republicanos contavam com 53 cadeiras, enquanto democratas e independentes alinhados ao partido somavam 47.
A disputa, portanto, não envolve diretamente a escolha de um novo presidente, mas a definição de qual partido terá maioria no Congresso durante os dois últimos anos do governo Trump.
Resultado pode dificultar agenda de Donald Trump
Donald Trump não disputa a Presidência nesta eleição. Entretanto, a mudança na composição do Congresso pode afetar diretamente a capacidade do governo de aprovar projetos, negociar o orçamento federal e avançar em propostas legislativas.
Caso os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes, poderão assumir o comando das comissões legislativas e ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o Poder Executivo.
Entre as atribuições do Congresso estão convocar autoridades, realizar investigações e acompanhar a execução de políticas públicas. Uma Câmara controlada pela oposição também poderia iniciar processos de impeachment, embora isso não represente afastamento automático do presidente.
Para que um presidente seja condenado em um processo de impeachment nos Estados Unidos, é necessário que a Câmara aprove o indiciamento e que o Senado realize o julgamento, com exigência de maioria qualificada para a condenação.
Se os republicanos perderem o controle do Senado, o governo também poderá enfrentar maior resistência na confirmação de indicações para cargos importantes, incluindo postos no Judiciário federal.
Economia e custo de vida marcaram a campanha
A economia e o custo de vida estiveram entre os principais temas da campanha eleitoral. Levantamento da Associated Press, realizado em parceria com o instituto AP-NORC, divulgado em outubro, apontou que 35% dos adultos norte-americanos aprovavam a maneira como Donald Trump conduzia a Presidência.
O índice representava uma queda em relação aos 42% registrados pouco depois do início do segundo mandato do republicano.
A pesquisa também indicou que aproximadamente oito em cada dez entrevistados consideravam a economia ou o custo de vida questões importantes para a escolha dos candidatos.
Os democratas utilizaram críticas à inflação, ao custo de vida e à condução da política externa para questionar o desempenho do governo. Os republicanos, por sua vez, defenderam as medidas adotadas pela administração Trump e mobilizaram eleitores em torno das pautas do partido.
Mesmo sem concorrer a um cargo nesta eleição, Trump participou da campanha e esteve no centro da disputa política nacional.
Estados concentram disputas importantes pelo Senado
Algumas eleições estaduais são consideradas estratégicas para a definição da maioria no Senado. Entre os estados acompanhados de perto estão Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Carolina do Norte, Ohio e Texas.
Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed disputa uma vaga com o republicano Mike Rogers. A cadeira está aberta após o senador Gary Peters decidir não concorrer à reeleição.
Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper enfrenta o republicano Michael Whatley.
Além das disputas individuais, a configuração dos distritos eleitorais também influencia a eleição para a Câmara. Segundo a Associated Press, mudanças nos limites de aproximadamente um terço dos distritos alteraram o cenário de algumas disputas antes da votação.
Quando os resultados das eleições serão conhecidos?
A votação ocorre ao longo desta terça-feira, mas os horários de abertura e fechamento das seções variam de acordo com as regras de cada estado e jurisdição.
Diferentemente do modelo brasileiro, os Estados Unidos possuem um sistema eleitoral descentralizado. As autoridades estaduais e locais são responsáveis por organizar a votação, receber os votos e conduzir a apuração, seguindo a legislação aplicável.
Os primeiros resultados divulgados durante a noite eleitoral são preliminares. A contagem pode continuar após o dia da votação devido à apuração de cédulas enviadas pelo correio, votos provisórios e votos de militares e cidadãos norte-americanos que vivem no exterior.
A certificação oficial ocorre posteriormente, depois da conferência dos resultados pelas autoridades eleitorais competentes. Por isso, projeções divulgadas por veículos de comunicação não devem ser confundidas com a confirmação oficial dos vencedores.
Eleição não encerra mandato presidencial
Independentemente do resultado, Donald Trump permanece na Presidência até o término do mandato, previsto para janeiro de 2029, conforme o calendário constitucional norte-americano.
A eleição de meio de mandato não funciona como um referendo formal sobre a permanência do presidente no cargo. Seu principal efeito institucional é definir a composição do Congresso e, consequentemente, as condições políticas para a aprovação de propostas e a fiscalização do governo.
A votação desta terça-feira também será acompanhada como um indicador do desempenho eleitoral dos partidos e da avaliação dos eleitores sobre a administração republicana.








