O Rio Negro em Manaus atingiu 18,59 metros nesta quinta-feira (2), ficando 3,85 metros abaixo do nível registrado na mesma data de 2025. A queda ocorre durante o período de estiagem no Amazonas, que já levou 22 dos 62 municípios do estado a decretarem situação de emergência.
Os dados do monitoramento do Porto de Manaus mostram que a vazante continua avançando na capital. Na mesma data de 2025, o Rio Negro marcava 22,44 metros. Em relação ao ano passado, a cota atual representa uma redução de aproximadamente 17,2%.
Apesar da diferença, o nível registrado nesta quinta-feira ainda está 6,48 metros acima da marca observada na mesma data de 2024, ano em que o Amazonas enfrentou uma das maiores secas desde o início das medições.
Rio Negro perdeu 5,21 metros durante setembro
A velocidade da vazante também chama atenção. Durante o mês de setembro, o Rio Negro recuou 5,21 metros em Manaus.
No dia 1º de setembro, o nível estava em 24,09 metros. Já em 30 de setembro, a marca havia caído para 18,88 metros. Em um intervalo de 30 dias, portanto, o rio perdeu mais de cinco metros.
No dia seguinte, 1º de outubro, o nível continuou recuando e chegou a 18,59 metros, marca registrada no monitoramento citado nesta quinta-feira.
A redução ocorre em um período de menor volume de chuvas e acompanha o cenário observado em outras regiões do Amazonas.
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22 municípios estão em situação de emergência
O avanço da estiagem não está restrito à capital. Segundo boletim da Defesa Civil do Amazonas, divulgado na quinta-feira (1º), 22 municípios estão em situação de emergência.
Outras 18 cidades estão em situação de alerta, enquanto 13 permanecem em atenção. Apenas nove municípios aparecem na condição de normalidade.
As cidades classificadas em situação de emergência são:
- Alvarães
- Amaturá
- Atalaia do Norte
- Barreirinha
- Benjamin Constant
- Caapiranga
- Carauari
- Careiro
- Coari
- Eirunepé
- Envira
- Itamarati
- Jutaí
- Manacapuru
- Maués
- Novo Aripuanã
- Presidente Figueiredo
- Santo Antônio do Içá
- São Paulo de Olivença
- Silves
- Tefé
- Tonantins
A redução dos níveis dos rios pode afetar principalmente comunidades que dependem do transporte fluvial para deslocamento, abastecimento e acesso a serviços.
El Niño aumenta atenção para a estiagem
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou, em boletim mensal divulgado em 1º de setembro, que a confirmação do fenômeno El Niño exige atenção para a evolução da seca na Região Norte.
De acordo com o monitoramento apresentado pelo órgão, as bacias dos rios Negro e Branco concentram um dos cenários de maior preocupação na Amazônia.
Os baixos níveis dos rios, associados ao déficit de chuvas e às previsões climáticas, mantêm a necessidade de acompanhamento da evolução da estiagem.
Para os rios Amazonas, Solimões e Tapajós, a projeção indicada no boletim é de continuidade da vazante dentro do comportamento histórico. O cenário, no entanto, pode se prolongar caso o retorno das chuvas atrase.
Governo envia kits de purificação de água
Diante dos impactos provocados pela estiagem, o governo estadual informou que já enviou 167 kits de purificadores de água para municípios afetados pela seca em 2026.
A medida integra as ações de enfrentamento ao período de estiagem e busca ampliar as condições de acesso à água adequada para consumo nas localidades atingidas.
A situação dos rios é acompanhada pelas autoridades devido aos possíveis impactos sobre comunidades do interior, especialmente aquelas que dependem diretamente dos cursos d’água.
Em Manaus, a queda do Rio Negro também é acompanhada diariamente, tanto pela importância do rio para a cidade quanto pelos efeitos que uma vazante mais intensa pode provocar no transporte, no abastecimento e na rotina da população.






