Calor extremo no Amazonas reforça alerta sobre adaptação climática

calor

O candidato a deputado estadual Marcellus Campêlo (44321) defendeu a adoção de medidas de adaptação urbana para enfrentar o calor extremo no Amazonas, após Manaus registrar, em 10 de agosto, uma das maiores temperaturas do ano. A proposta apresentada pelo candidato inclui infraestrutura verde, arborização, conforto térmico nas moradias e obras públicas adaptadas aos efeitos das mudanças climáticas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que altas temperaturas aumentaram a possibilidade de onda de calor em partes da Amazônia, Centro-Oeste e Sudeste durante a semana de 10 a 17 de agosto. O órgão também apontou temperaturas elevadas na região Norte e divulgou previsões de chuva para diferentes áreas do Amazonas.

Campêlo defende adaptação das cidades

Com experiência de mais de sete anos em órgãos estaduais ligados ao desenvolvimento urbano, Marcellus Campêlo afirma que o Amazonas precisa incorporar medidas de adaptação climática ao planejamento das cidades.

O candidato foi secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e esteve à frente da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). Ele deixou os cargos em março de 2026 para colocar o nome à disposição do União Brasil Amazonas para as eleições deste ano.

Para Campêlo, períodos de seca e enchentes já fazem parte da realidade enfrentada pelos municípios amazonenses. A proposta apresentada por ele é utilizar políticas públicas de habitação, saneamento, urbanização e infraestrutura também como instrumentos de preparação para eventos climáticos extremos.

“O Amazonas tem convivido com as secas extremas e com as enchentes nos últimos anos. Ou seja, não estamos falando de problemas distantes, que possam ocorrer no futuro, mas do presente”, afirmou o candidato.

El Niño aumenta atenção sobre o clima

O cenário climático também é acompanhado por órgãos federais. Em boletim divulgado em 31 de julho, o Inmet, em conjunto com instituições como Inpe, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil e Censipam, informou que as projeções indicavam manutenção e intensificação do El Niño durante o segundo semestre de 2026.

Segundo o documento, havia elevada probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. O Inmet também explica que, no Brasil, o El Niño normalmente aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste.

O fenômeno climático não significa, isoladamente, que uma seca severa ocorrerá em determinada cidade. A ocorrência e a intensidade dos impactos dependem de diferentes fatores atmosféricos e oceânicos.

Mesmo assim, a previsão climática reforça a necessidade de planejamento para períodos de temperaturas elevadas, menor disponibilidade hídrica e eventos de chuva intensa.

Proposta de infraestrutura verde

Entre as propostas apresentadas por Marcellus Campêlo está a criação de um programa estadual de infraestrutura verde.

A ideia, segundo o candidato, seria estimular os municípios amazonenses a incorporar soluções baseadas em vegetação e permeabilidade do solo em projetos de obras públicas.

Na prática, isso pode envolver arborização urbana, áreas verdes, espaços de sombra, recuperação de áreas degradadas e soluções de drenagem que permitam maior infiltração da água no solo.

A proposta considera que a infraestrutura urbana pode desempenhar mais de uma função. Uma obra de pavimentação, por exemplo, pode ser planejada simultaneamente para melhorar a mobilidade, facilitar a drenagem e reduzir a exposição da população a superfícies que concentram calor.

Conforto térmico nas moradias

Na área habitacional, Campêlo defende que projetos destinados às famílias considerem o conforto térmico desde a etapa de planejamento.

A proposta inclui atenção à escolha dos materiais de construção, cobertura dos imóveis, ventilação, proteção contra a incidência direta do sol e arborização no entorno das residências.

Segundo o candidato, essas medidas poderiam contribuir para reduzir a temperatura interna das casas e diminuir a dependência exclusiva de equipamentos de ar-condicionado.

A adaptação também poderia ser aplicada a imóveis existentes em áreas vulneráveis, com intervenções em telhados, isolamento térmico, ventilação e arborização.

Arborização como parte da infraestrutura urbana

Outra frente defendida por Campêlo é a ampliação da arborização em áreas de maior circulação de pessoas.

A proposta prevê priorizar ruas, conjuntos habitacionais, escolas, praças e outros espaços públicos com baixa cobertura vegetal e maior exposição ao calor.

A arborização urbana pode oferecer sombra e contribuir para o conforto térmico dos espaços públicos. Também pode integrar projetos de requalificação urbana, desde que seja planejada de acordo com as características das vias, do solo e da infraestrutura existente.

Para o candidato, a vegetação precisa deixar de ser tratada apenas como elemento paisagístico e passar a integrar o planejamento urbano.

Obras de drenagem e recuperação ambiental

Campêlo também relaciona a adaptação climática às obras de drenagem, saneamento e recuperação ambiental.

A proposta considera que a recuperação de igarapés e áreas de proteção, aliada ao aumento da permeabilidade do solo e da arborização, pode contribuir para reduzir riscos associados a alagamentos.

O planejamento integrado também pode criar espaços urbanos mais adequados para circulação e convivência da população durante períodos de calor intenso.

Experiências anteriores, segundo Campêlo, incluem ações realizadas por meio do Prosamin+ e do Prosai, programas que associam saneamento, drenagem, urbanização e recuperação ambiental.

Mais de 49 mil mudas citadas

Entre os números apresentados pelo candidato estão as ações de plantio realizadas durante projetos coordenados pela Sedurb e pela UGPE.

Campêlo afirma que mais de 49 mil mudas foram plantadas em áreas degradadas das comunidades da Sharp e Manaus 2000. Outras 17 mil mudas teriam sido destinadas ao paisagismo de áreas atendidas pelos programas.

Essas ações estão relacionadas à recuperação e à requalificação de áreas urbanas. A presença de vegetação também pode contribuir para a criação de sombra e para a redução da exposição direta ao calor em espaços públicos.

Os números foram informados pela assessoria do candidato e, no material encaminhado à redação, não foram acompanhados de documentação oficial para verificação independente.

Iluminação pública também entra na proposta

A modernização da iluminação pública é outra iniciativa mencionada pelo candidato no contexto de infraestrutura urbana.

De acordo com informações divulgadas por sua assessoria, o programa Ilumina+ Amazonas instalou tecnologia LED nos 61 municípios do interior do estado e em 245 comunidades rurais e indígenas.

A iluminação com LED é associada à maior eficiência energética em comparação com tecnologias convencionais. Além da questão ambiental, a melhoria da iluminação pública pode ampliar a visibilidade em vias e espaços utilizados pela população durante a noite.

Campêlo defende que medidas de eficiência urbana sejam incorporadas a uma estratégia mais ampla de planejamento das cidades amazonenses.

Impactos para a população

O debate sobre calor extremo em Manaus e outras cidades do Amazonas envolve efeitos que ultrapassam a sensação de desconforto térmico.

Temperaturas elevadas podem aumentar a demanda por energia elétrica para refrigeração, elevar a necessidade de água e tornar mais difícil a permanência prolongada em ambientes sem ventilação ou sombra.

Em áreas urbanas com pouca arborização e grande concentração de concreto e asfalto, a retenção de calor também pode intensificar o desconforto térmico.

Ao mesmo tempo, períodos de chuva intensa podem provocar alagamentos quando a drenagem urbana é insuficiente. Por isso, medidas de adaptação precisam considerar tanto o excesso de calor quanto eventos de precipitação.

Planejamento urbano como estratégia climática

A proposta apresentada por Campêlo é integrar diferentes políticas públicas em um mesmo planejamento.

Em vez de considerar isoladamente uma residência, uma rua ou uma obra de drenagem, a ideia defendida é planejar os bairros considerando moradia, áreas verdes, saneamento, mobilidade, iluminação, drenagem e equipamentos públicos.

O Inmet mantém o acompanhamento das condições meteorológicas e climáticas e, em agosto, destacou a ocorrência de temperaturas altas em partes da Amazônia. Para a semana de 10 a 17 de agosto, o instituto previa acumulados de chuva de até 40 milímetros em pontos do oeste do Amazonas.

O cenário reforça a importância do monitoramento meteorológico e do planejamento urbano para reduzir a vulnerabilidade das cidades diante de diferentes condições climáticas.

Para Campêlo, o enfrentamento do calor extremo no Amazonas deve ser incorporado às políticas públicas já existentes, com atualização de projetos de habitação, infraestrutura, saneamento e urbanização para considerar os efeitos das mudanças climáticas.

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