Brasil e EUA voltam a discutir tarifas durante reunião do G20

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Representantes do Brasil e dos Estados Unidos voltarão a discutir as tarifas entre Brasil e EUA durante uma reunião prevista para ocorrer no fim de setembro, em Milwaukee, nos Estados Unidos. O encontro está marcado para os dias 30 de setembro e 1º de outubro, durante a programação do G20.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (14) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Segundo o ministro, integrantes do governo brasileiro deverão se reunir com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. As equipes já estão trocando documentos e acertando os detalhes do encontro.

A reunião será mais uma etapa das negociações iniciadas depois que o governo norte-americano impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros. As medidas provocaram reação do governo brasileiro e deram início a uma série de conversas entre autoridades dos dois países.

Encontro ocorrerá durante o G20

O encontro entre as equipes brasileira e norte-americana ocorrerá paralelamente à agenda do G20 em Milwaukee. A cidade dos Estados Unidos sediará as atividades nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.

Márcio Elias Rosa não antecipou quais pontos específicos serão tratados na reunião. De acordo com o ministro, os governos estão realizando uma troca de documentos enquanto organizam o encontro presencial.

A expectativa é que as conversas avancem sobre as tarifas atualmente aplicadas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras e sobre as condições para a relação comercial entre os dois países.

O encontro também ocorre depois de uma primeira reunião virtual entre Rosa e Jamieson Greer, realizada em 31 de agosto. Na ocasião, os representantes deram continuidade ao processo de negociação iniciado após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Leia também: Brasil e EUA retomam negociações após tarifas de 25% e 12,5%

Entenda o tarifaço dos Estados Unidos

A atual disputa comercial ganhou força em julho, quando os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

A medida foi implementada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR. Segundo as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano, a decisão estaria relacionada a supostas práticas comerciais consideradas desleais.

Entre os temas citados pelos Estados Unidos estavam questões relacionadas ao comércio digital e aos pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix, acordos comerciais preferenciais, propriedade intelectual, aplicação de legislação anticorrupção, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro rejeitou os argumentos apresentados.

Além dessa sobretaxa, os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros no fim de julho. Nesse caso, a justificativa apresentada pelo governo norte-americano foi a ausência de mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com as duas medidas, determinados produtos brasileiros passaram a enfrentar tarifas adicionais que podem chegar a 37,5%. Segundo dados divulgados pelo governo brasileiro, as medidas atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em produtos exportados para o mercado norte-americano e alcançam 16,5% das exportações brasileiras aos Estados Unidos.

Lula e Trump abriram novo canal de diálogo

A retomada das negociações entre os governos ocorreu após uma conversa telefônica entre Lula e Trump em 21 de agosto.

Segundo o Palácio do Planalto, o telefonema durou aproximadamente uma hora e 20 minutos e foi realizado em tom cordial. Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e contestou as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para a aplicação das novas tarifas.

Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre os dois países e sinalizou a retomada do diálogo entre as equipes de governo.

Poucos dias depois, Brasil e Estados Unidos marcaram a primeira reunião técnica da nova rodada de negociação. O encontro entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer ocorreu de forma virtual em 31 de agosto.

A reunião de Milwaukee, portanto, dará sequência a um processo que já teve contatos entre representantes dos dois governos e que ainda não resultou em um acordo definitivo sobre as tarifas.

Brasil contestou medidas na OMC

Paralelamente às negociações bilaterais, o governo brasileiro levou a disputa à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em 27 de julho, o Brasil apresentou um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da organização. O governo brasileiro argumentou que as duas medidas tarifárias norte-americanas são incompatíveis com compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito das regras multilaterais de comércio.

O pedido de consultas representa a primeira etapa formal do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países tentam chegar a uma solução negociada antes de uma eventual abertura de painel para analisar o conflito.

A iniciativa brasileira não impede a continuidade das negociações diretas com Washington. Os dois governos mantêm, ao mesmo tempo, os canais diplomático e comercial para tentar encontrar uma solução para o impasse.

Governo brasileiro também avalia reciprocidade

Outra frente aberta pelo Brasil foi a análise de possíveis medidas de reciprocidade econômica.

Em agosto, o governo federal iniciou formalmente o processo para avaliar uma eventual resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A medida prevê análise das consequências das barreiras comerciais e das alternativas que poderiam ser adotadas pelo país.

Até o momento, porém, a estratégia brasileira combina a defesa dos interesses comerciais do país com a manutenção das negociações com o governo norte-americano.

A posição oficial apresentada pelo governo brasileiro é de que as tarifas são injustificadas e prejudicam a relação comercial entre as duas economias.

Exportações brasileiras cresceram em agosto

Apesar da entrada em vigor das novas tarifas, as exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram crescimento em agosto.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 3,19 bilhões no mês, alta de 12,1% em relação a agosto de 2025, quando o resultado havia sido de US$ 2,845 bilhões.

O crescimento, contudo, foi influenciado principalmente pelo aumento dos preços médios dos produtos exportados. De acordo com o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, os preços de exportação para os Estados Unidos subiram 8,6% no período.

Os números de agosto ainda não permitem medir integralmente os efeitos das novas tarifas sobre o comércio bilateral, já que as medidas começaram a valer durante o período.

Próxima rodada ocorre no fim de setembro

Com a reunião prevista para Milwaukee, Brasil e Estados Unidos terão uma nova oportunidade para discutir os termos da relação comercial e os impactos das sobretaxas aplicadas aos produtos brasileiros.

Ainda não há, contudo, anúncio de acordo ou indicação de que as tarifas serão retiradas antes do encontro. O resultado dependerá das negociações entre as equipes e das decisões políticas dos dois governos.

A reunião também ocorre em um momento de pressão sobre setores brasileiros que dependem do mercado norte-americano e de busca por alternativas para reduzir os efeitos das barreiras comerciais.

Até o encontro do G20, as equipes dos dois países deverão continuar a troca de documentos e as negociações técnicas. A expectativa é que os resultados dessas tratativas sirvam de base para a conversa presencial entre representantes de Brasília e Washington.

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