O candidato a deputado estadual Marcellus Campêlo, da Federação União Progressista, propõe a criação do Programa Estadual de Redução de Acidentes de Trânsito no Amazonas, caso seja eleito para a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A iniciativa prevê ações permanentes de educação, fiscalização, melhoria da infraestrutura viária, iluminação, sinalização e formação de condutores.
A proposta apresentada pelo candidato também prevê a integração entre as áreas de saúde, trânsito, educação e segurança pública. Segundo Campêlo, a utilização de dados produzidos pelos serviços de saúde e pelos órgãos de trânsito pode ajudar o Estado a identificar locais e situações de maior risco e direcionar medidas de prevenção.
Acidentes de trânsito aumentam atendimentos na rede estadual
Dados da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) citados pelo candidato apontam que a rede estadual registrou 17.562 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito entre janeiro e novembro de 2025.
No mesmo período de 2024, foram contabilizados 13.970 atendimentos. A comparação representa um aumento de aproximadamente 25% nos registros.
Para Campêlo, os números devem ser utilizados não apenas para dimensionar a demanda sobre os serviços de saúde, mas também para orientar políticas de prevenção.
“Essas informações podem ajudar a mapear pontos críticos, horários de maior ocorrência e perfis de vítimas e, a partir desse diagnóstico, orientar campanhas educativas, fiscalização, melhorias de sinalização e iluminação e intervenções de infraestrutura”, afirma o candidato, que é engenheiro civil.
A proposta, segundo ele, parte da avaliação de que os acidentes produzem impactos que ultrapassam o atendimento médico. Além das vítimas, ocorrências graves podem provocar afastamento de trabalhadores, redução da renda familiar e aumento da demanda por tratamentos e reabilitação.
Motocicletas são apontadas como foco da prevenção
Entre os principais pontos da proposta está a atenção aos acidentes envolvendo motocicletas. Campêlo cita levantamento da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), segundo o qual um terço das vítimas de acidentes com motocicletas atendidas nos principais serviços de ortopedia e traumatologia desenvolve sequelas permanentes.
O candidato também menciona dados do Atlas da Violência 2025. De acordo com os números citados por ele, o Amazonas registrou 440 mortes no trânsito em 2023, sendo 252 relacionadas a acidentes envolvendo motocicletas.
O número corresponde a 53,7% do total de mortes no trânsito registradas no estado naquele ano, segundo a referência apresentada na proposta.
Para Campêlo, o impacto dos acidentes precisa ser considerado também nas etapas posteriores ao atendimento de emergência.
“Quando uma pessoa sofre um acidente grave, o impacto não termina no atendimento de emergência. Existe o tratamento, a reabilitação, o afastamento do trabalho, o sofrimento das famílias. Precisamos trabalhar para evitar que o acidente aconteça e, quando acontecer, garantir que a vítima tenha atendimento adequado”, afirma.
Prevenção também envolve custos para a saúde pública
A proposta apresentada pelo candidato relaciona a redução de acidentes de trânsito no Amazonas à capacidade de atendimento da rede pública de saúde.
Segundo dados da SES-AM citados por Campêlo, os acidentes de trânsito representaram aproximadamente R$ 587,2 milhões em custos para a saúde estadual. O valor corresponderia a cerca de 17% do orçamento da área, considerando as despesas relacionadas aos atendimentos.
Ainda de acordo com os dados apresentados, o custo médio chega a R$ 39,9 mil por vítima, considerando procedimentos como atendimentos médicos, internações, cirurgias, exames e reabilitação.
Na avaliação do candidato, medidas preventivas podem atuar antes que as ocorrências provoquem esse impacto sobre o sistema de saúde. A proposta, portanto, associa ações de trânsito a uma estratégia de saúde pública.
Interior enfrenta desafios de atendimento a vítimas
A situação também envolve dificuldades específicas no interior do Amazonas, principalmente em razão das distâncias entre municípios e da logística necessária para o atendimento de casos graves.
Segundo os dados citados por Campêlo, mais de 1.300 remoções aeromédicas foram realizadas no primeiro trimestre de 2025. A maior parte das transferências estaria relacionada a traumas, muitos deles decorrentes de acidentes de trânsito.
O candidato defende que a política estadual considere essa realidade e articule ações de prevenção com a estrutura disponível para atendimento das vítimas.
“Enfrentar os acidentes de trânsito não é apenas uma pauta de fiscalização ou engenharia. É uma política pública de saúde”, afirma.
A proposta prevê, nesse sentido, uma atuação integrada entre diferentes áreas do poder público, com uso de informações para identificar os principais pontos de risco e estabelecer prioridades.
Infraestrutura viária faz parte das propostas
Além do programa específico para prevenção de acidentes, Campêlo inclui em suas propostas de campanha investimentos em mobilidade urbana e infraestrutura viária.
Entre as medidas citadas estão a destinação de recursos de emendas parlamentares para abertura de novas ligações viárias e implantação de corredores exclusivos para ônibus. Também estão previstas, segundo o candidato, ações para abertura, manutenção e asfaltamento de ruas, estradas e vicinais.
A justificativa apresentada é que a infraestrutura adequada pode contribuir para melhorar o fluxo de veículos e, consequentemente, reduzir situações de risco no trânsito.
Campêlo utiliza como referência obras realizadas durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).
Obras realizadas em Manaus são citadas pelo candidato
Entre as intervenções mencionadas está a ligação viária entre as avenidas Silves e Maués, que, segundo o material de campanha, facilitou o deslocamento de veículos entre o Distrito Industrial e a Manaus Moderna.
Também é citada a ligação viária Luiz Antony, apresentada como uma alternativa de deslocamento entre a Zona Oeste e a região central de Manaus.
Outro projeto mencionado é o Complexo Viário José Fernandes, executado por meio de convênio com a Prefeitura de Manaus e com repasse de recursos. Segundo o candidato, a intervenção contribuiu para melhorar o fluxo de veículos na Avenida das Torres.
O Viaduto Rei Pelé, também resultado de convênio com a Prefeitura, é citado entre as obras realizadas. Conforme a apresentação de Campêlo, a intervenção eliminou gargalos na confluência entre as zonas Norte e Leste.
O material também destaca obras de requalificação da avenida Ephigênio Sales.
Asfalta Amazonas alcançou 43 municípios
No interior do estado, Campêlo cita o programa Asfalta Amazonas, por meio do qual, segundo o material apresentado, 43 municípios receberam obras de recuperação do sistema viário.
As intervenções mencionadas incluem recapeamento asfáltico, drenagem superficial, construção de calçadas, meio-fio e sarjetas.
Em Manaus, o candidato cita ainda recursos destinados ao Asfalta Manaus, com obras de recuperação de ruas em diferentes zonas da capital.
A infraestrutura aparece, dessa forma, como um dos componentes da proposta de segurança viária apresentada para a eventual atuação de Campêlo na Assembleia Legislativa.
Proposta prevê atuação integrada
A criação do Programa Estadual de Redução de Acidentes de Trânsito, segundo o candidato, não se limitaria à fiscalização de motoristas.
A proposta reúne educação e conscientização, fiscalização, formação de condutores, sinalização, iluminação e intervenções de infraestrutura, além do uso de dados para orientar as ações.
A integração entre saúde, trânsito, educação e segurança pública também é apresentada como parte da estratégia. A intenção, conforme o material de campanha, é utilizar informações sobre ocorrências, horários, locais e perfis das vítimas para identificar áreas prioritárias.
Caso eleito, Campêlo afirma que pretende levar a proposta à Assembleia Legislativa do Amazonas para discussão e eventual implementação como política estadual.
A proposta apresentada durante a campanha deverá passar, caso avance, pelos procedimentos legislativos e administrativos necessários para sua análise e eventual execução pelo poder público.








