O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (19) que entregará à Justiça Eleitoral, na terça-feira (20), uma autorização para a quebra de seu sigilo bancário e o de seus cinco filhos. Durante um compromisso de campanha no Rio Grande do Sul, o candidato à reeleição desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais, a tomar uma medida semelhante.
Segundo Lula, a iniciativa tem como objetivo permitir que a Justiça investigue a origem dos recursos financeiros e dê transparência às informações. O presidente também afirmou que espera que o senador autorize a abertura de informações sobre sua empresa e seus negócios.
“Vou entregar isso aqui amanhã [documento em mãos] no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o adversário apresente a proposta de abrir o sigilo da sua empresa e de seus negócios”, declarou Lula durante a agenda política.
Lula diz que autorização inclui os cinco filhos
Ao anunciar a medida, Lula afirmou que decidiu incluir os dados bancários dos cinco filhos no documento. Segundo o presidente, a iniciativa é uma resposta a acusações direcionadas a integrantes de sua família durante períodos eleitorais.
O petista disse que pretende permitir a apuração das informações pela Justiça e defendeu que os resultados sejam divulgados à população.
“Fiz questão de colocar meus cinco filhos, porque sei que, em toda eleição, fazem algo contra minha família”, afirmou.
Lula também declarou que considera a iniciativa uma forma de defender sua trajetória política e sua honra. As declarações foram feitas durante uma atividade de campanha no Rio Grande do Sul, a seis dias do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).
Até o momento descrito na reportagem da CNN Brasil, a entrega do documento estava prevista para terça-feira. O material fornecido não confirma que a autorização já tenha sido protocolada nem apresenta detalhes sobre os procedimentos que a Justiça Eleitoral poderá adotar a partir dela.
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Presidente desafia Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo
Durante o pronunciamento, Lula direcionou o desafio a Flávio Bolsonaro e afirmou que espera uma iniciativa equivalente do adversário. O presidente defendeu que os dois candidatos permitam a apuração de informações financeiras para esclarecer suspeitas e acusações.
“A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto, que faça como estou fazendo”, disse Lula.
O presidente também afirmou que deseja que a Justiça investigue e divulgue informações que possam esclarecer as suspeitas levantadas no debate político.
A proposta de abertura dos sigilos financeiros ganhou destaque durante a campanha após o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18). De acordo com a reportagem da CNN Brasil, pesquisas qualitativas conduzidas pelo Partido dos Trabalhadores apontaram a proposta como um dos pontos de destaque da participação de Lula no confronto.
O coordenador da campanha presidencial, Camilo Santana (PT), já havia mencionado a intenção do presidente de autorizar a abertura do sigilo bancário. Segundo a reportagem, ele havia sinalizado que a medida estava condicionada à autorização de Flávio Bolsonaro.
Lula questiona compra de imóvel atribuída a Flávio Bolsonaro
Durante a agenda no Rio Grande do Sul, Lula também questionou a compra à vista de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões atribuída a Flávio Bolsonaro. O presidente comparou o valor do imóvel à remuneração mensal bruta do senador, informada na reportagem como R$ 46,3 mil.
“Não posso aceitar que um cidadão que ganha o mesmo salário que o presidente da República possa comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista sem explicar de onde vem o dinheiro”, afirmou Lula.
A declaração representa um questionamento feito pelo presidente durante a campanha. O material fornecido não apresenta a resposta de Flávio Bolsonaro a essa fala nem documentos que permitam avaliar, de forma independente, a origem dos recursos utilizados na aquisição mencionada.
Por isso, a acusação e o questionamento devem ser tratados como declarações atribuídas a Lula, e não como comprovação de irregularidade financeira.
Debate presidencial intensifica troca de acusações
Lula também comentou o debate presidencial realizado pela Band no domingo (18). Ao criticar a postura do adversário, o presidente fez acusações contra Flávio Bolsonaro e sua família.
Durante a declaração, Lula utilizou termos como “corrupto” e “miliciano” ao se referir ao senador. As expressões fazem parte da troca de acusações entre os candidatos e não devem ser interpretadas, isoladamente, como comprovação de crimes.
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro entra na reta final antes da votação de 25 de outubro. Nesse contexto, a proposta de abertura de sigilos bancários passou a integrar o confronto político entre os dois candidatos.
A efetivação da medida anunciada por Lula e uma eventual autorização por parte de Flávio Bolsonaro ainda dependem dos desdobramentos posteriores às declarações, conforme as informações disponíveis na reportagem de origem.







