Um levantamento reúne indicadores econômicos, sociais, ambientais e de segurança pública para comparar resultados dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro em diferentes períodos das duas administrações. Os dados abrangem inflação, alimentação, homicídios, emprego, renda, saúde, pobreza, PIB, indústria, agropecuária, exportações, investimentos federais, desmatamento e educação, com informações de instituições como IBGE, Banco Central, Ministério da Saúde, Ministério da Justiça, Tesouro Nacional, INPE, Inep e FAO.
Em parte dos indicadores, os números registrados no período de Lula são melhores que os observados no período equivalente de Bolsonaro. Em outros, as diferenças são menores ou exigem uma análise mais cuidadosa. Os períodos utilizados também não são iguais em todos os casos: há comparações de 44 meses, 45 meses, anos completos, três anos e meio e ciclos específicos.
A comparação, portanto, apresenta a evolução dos indicadores em cada período, mas os números, isoladamente, não permitem atribuir todos os resultados exclusivamente às decisões de cada governo.
Inflação acumulada foi menor no período de Lula
Na inflação geral, os dados mostram uma diferença significativa entre os dois períodos.
Nos primeiros 44 meses do governo Lula, entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, a alta acumulada dos preços medida pelo IPCA foi de 17,9%. No período equivalente do governo Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, a alta foi de 25,3%.
| Indicador | Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Inflação acumulada | 25,3% | 17,9% |
| Média anual equivalente | 6,33% | 4,59% |
Os dados são do IBGE e da série mensal do Banco Central. O documento ressalta que uma inflação menor significa que os preços aumentaram em ritmo mais lento, e não que os preços tenham necessariamente diminuído.
Alimentação também apresenta diferença
No grupo de alimentação e bebidas, a alta acumulada foi de 44,2% no período de Bolsonaro e de 15,9% nos primeiros 44 meses de Lula.
A média anual equivalente ficou em 10,50% no primeiro período e 4,11% no segundo.
O indicador inclui alimentos e bebidas consumidos dentro e fora de casa, não apenas produtos comercializados em supermercados.
Segurança tem queda nos indicadores comparados
Na segurança pública, o levantamento utiliza registros do Ministério da Justiça e Segurança Pública para comparar os homicídios dolosos.
Nos 44 meses analisados, foram registradas 145.551 vítimas de homicídio doloso no período de Bolsonaro e 122.429 no período de Lula.
| Indicador | Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Vítimas de homicídio doloso | 145.551 | 122.429 |
A série considera os registros das autoridades estaduais e está sujeita a revisões. O próprio documento também esclarece que homicídio doloso não corresponde ao conjunto de todas as mortes violentas.
Em roubos de veículos, o levantamento compara os anos de 2022 e 2025. Foram 148.102 ocorrências em 2022, contra 104.534 em 2025, diferença de 29,4%.
Nos roubos de celulares, os registros passaram de 492.905 em 2022 para 308.723 em 2025, redução de 37,4%. Os dados têm como fonte o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Emprego registra resultados diferentes nos dois períodos
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto de 2026 ficou em 5,3%. No mesmo trimestre de 2022, o indicador era de 8,9%.
O levantamento também compara o saldo acumulado de empregos formais nos 44 meses de cada governo.
| Indicador | Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Saldo acumulado de empregos | 5,08 milhões | 5,54 milhões |
| Média mensal | 115,5 mil | 125,9 mil |
Os dados são do Caged e do Novo Caged, com encadeamento realizado pelo Banco Central. O documento alerta que houve mudança metodológica na série a partir de 2020.
Outro indicador do mercado de trabalho é o desalento. A taxa, que mede a parcela de pessoas que querem trabalhar, mas deixaram de procurar emprego por falta de perspectivas, passou de 3,8% no trimestre junho-agosto de 2022 para 2,1% no mesmo período de 2026.
Renda do trabalhador cresce no período comparado
A renda média habitual do trabalhador também apresentou resultados distintos.
Segundo a PNAD Contínua, o levantamento calcula ganho real de 13,9% durante o período de Lula, enquanto o período comparado de Bolsonaro apresenta perda real de 4%.
No trimestre junho-agosto de 2022, a renda média era de R$ 3.216. No mesmo período de 2026, chegou a R$ 3.777, considerando os valores na mesma base de preços.
| Indicador | Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Variação real da renda média | -4,0% | +13,9% |
| Renda no período final comparado | R$ 3.216* | R$ 3.777* |
*Valores referentes aos trimestres junho-agosto de 2022 e 2026, respectivamente.
No salário mínimo, o levantamento aponta ganho real de 14,8% durante o período de Lula, considerando o INPC. O valor nominal passou de R$ 1.212 em agosto de 2022 para R$ 1.621 em agosto de 2026.
O período equivalente de Bolsonaro apresenta variação real acumulada de 0% nessa metodologia.
Pobreza diminui entre 2022 e 2024
Nos indicadores sociais, os dados do IBGE mostram redução no número de pessoas abaixo da linha de pobreza entre 2022 e 2024.
| Indicador | 2022 | 2024 |
|---|---|---|
| Pessoas abaixo da linha da pobreza | 66,5 milhões | 48,9 milhões |
| Percentual da população | 31,6% | 23,1% |
A linha utilizada no levantamento considera renda domiciliar por pessoa inferior a R$ 694 mensais, em valores de 2024.
Na extrema pobreza, o número caiu de 12,3 milhões para 7,4 milhões no mesmo intervalo. A participação da população nessa condição passou de 5,9% para 3,5%.
O documento também apresenta uma comparação baseada na metodologia da FAO para insegurança alimentar grave. A média registrada entre 2023 e 2025 foi de 0,6% da população, contra 6,3% entre 2019 e 2021.
São médias de períodos de três anos e, portanto, não correspondem a números anuais isolados.
Desigualdade apresenta diferença menor
O índice de Gini, utilizado para medir a desigualdade de renda, exige uma leitura diferente dos demais indicadores.
O levantamento mostra que o índice passou de 0,517 em 2022 para 0,511 em 2025. Como quanto menor o índice, menor a desigualdade, o resultado de 2025 ficou abaixo do registrado em 2022.
Entretanto, o índice havia chegado a 0,504 em 2024 e voltou a subir para 0,511 em 2025.
| Ano | Índice de Gini |
|---|---|
| 2022 | 0,517 |
| 2024 | 0,504 |
| 2025 | 0,511 |
O indicador considera a renda domiciliar por pessoa e inclui rendimentos do trabalho e de outras fontes.
PIB cresce mais no período de Lula
Na economia, a comparação utiliza os mesmos 14 trimestres de cada governo, tomando como base o trimestre anterior à posse.
O PIB apresentou crescimento real acumulado de 9,9% nos primeiros três anos e seis meses do governo Lula, contra 5,1% no período equivalente de Bolsonaro.
| Indicador | Bolsonaro | Lula |
|---|---|---|
| Crescimento real acumulado do PIB | 5,1% | 9,9% |
| Taxa anual equivalente | 1,44% | 2,74% |
Os dados são das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE e da série do Banco Central.
Na agropecuária, o crescimento acumulado foi de 23,6% no período de Lula, enquanto o período equivalente de Bolsonaro registrou retração de 2,2%.
Na indústria, os números mostram crescimento de 7,5% no período de Lula, contra 3,5% no período de Bolsonaro.
Exportações aumentam nos 44 meses comparados
As exportações de bens também apresentaram valores maiores no período analisado de Lula.
Nos 44 meses considerados, o Brasil exportou US$ 1,286 trilhão em bens, enquanto o período equivalente de Bolsonaro somou US$ 947,5 bilhões.
| Exportações de bens | Valor |
|---|---|
| Bolsonaro | US$ 947,5 bilhões |
| Lula | US$ 1,286 trilhão |
Os valores são nominais, em dólares de cada época, e não foram corrigidos pela inflação. O indicador considera exportações de bens, sem incluir serviços.
Investimento federal também é maior no período de Lula
Nos investimentos federais pagos, a comparação aponta R$ 249 bilhões no período de Lula e R$ 191,1 bilhões no período de Bolsonaro, ambos em valores corrigidos pelo IPCA.
| Investimento federal pago | Valor corrigido |
|---|---|
| Bolsonaro | R$ 191,1 bilhões |
| Lula | R$ 249,0 bilhões |
Os dados são do Tesouro Nacional. O indicador inclui obras, instalações, equipamentos e outros investimentos da União pagos no período.
Há, porém, uma ressalva metodológica: os pagamentos podem estar relacionados a obras ou despesas de anos anteriores. O levantamento também não inclui empresas estatais nem inversões financeiras.
Desmatamento cai nos ciclos comparados
Na Amazônia Legal, os dados do Prodes, do INPE, apontam uma área desmatada menor nos três ciclos comparados do período de Lula.
Entre 2023 e 2025, foram registrados 21.313 km² de área desmatada. Entre 2019 e 2021, o total foi de 34.018 km².
| Ciclos comparados | Área desmatada |
|---|---|
| 2019–2021 | 34.018 km² |
| 2023–2025 | 21.313 km² |
A diferença representa redução de 37,3%.
A comparação, contudo, possui uma ressalva específica: os ciclos de 2019 e 2023 incluem cinco meses do governo anterior. Isso ocorre porque o Prodes trabalha com ciclos que vão de agosto do ano anterior a julho do ano indicado.
Educação registra mudanças em indicadores
Na educação, a participação de alunos da rede pública em tempo integral passou de 18,2% em 2022 para 25,8% em 2025, aumento de 7,6 pontos percentuais.
O indicador considera matrículas presenciais da educação básica com jornada de pelo menos sete horas por dia ou 35 horas semanais.
A taxa de abandono no ensino médio também caiu. Em 2022, o índice era de 5,7%. Em 2025, passou para 2,2%.
| Indicador | 2022 | 2025 |
|---|---|---|
| Alunos em tempo integral | 18,2% | 25,8% |
| Abandono no ensino médio | 5,7% | 2,2% |
Os dados de abandono são do Censo Escolar. O documento ressalta que abandonar o ano letivo não significa necessariamente que o estudante tenha deixado definitivamente a escola.
No financiamento da alimentação escolar, o valor federal por aluno e por dia de aula passou de R$ 0,42 em dezembro de 2022 para R$ 0,57 em agosto de 2026, considerando valores corrigidos pela inflação.
Saúde tem aumento de vagas e atendimentos
Na atenção básica, o número de vagas ocupadas em programas federais de provimento médico passou de 13.535 em 2022 para 27.329 em 2025, aumento de 101,9%.
A comparação considera o Mais Médicos e o Médicos pelo Brasil, mas não representa o total de profissionais que trabalham no SUS.
No Farmácia Popular, o número de pessoas atendidas passou de 20,7 milhões em 2022 para 27,3 milhões em 2025, crescimento de 31,8%.
O Ministério da Saúde é a fonte indicada para os dois indicadores. No caso do Farmácia Popular, uma mesma pessoa pode utilizar o programa em diferentes anos, por isso os números não devem ser somados.
O que os números permitem concluir
A comparação mostra resultados diferentes entre os períodos analisados em uma série de indicadores.
Nos dados apresentados, o período de Lula registra números menores de inflação, inflação de alimentos, homicídios, desmatamento e abandono escolar, além de resultados maiores em emprego formal, renda, PIB, indústria, agropecuária, exportações e investimento federal.
Por outro lado, nem todos os indicadores apresentam uma trajetória linear. O índice de Gini, por exemplo, melhorou entre 2022 e 2024, mas voltou a subir em 2025, embora tenha permanecido abaixo do nível de 2022.
A leitura dos números também precisa considerar que os resultados econômicos e sociais são influenciados por diversos fatores, e o levantamento não apresenta uma análise capaz de estabelecer que as diferenças encontradas tenham sido provocadas exclusivamente pelas decisões dos presidentes.
Períodos e metodologias variam conforme o indicador
Outro ponto importante é que não existe uma única janela temporal para todos os dados.
A inflação, o emprego e as exportações, por exemplo, utilizam comparações de 44 meses. As vendas de automóveis consideram 45 meses. PIB, indústria e agropecuária utilizam 14 trimestres, enquanto pobreza e extrema pobreza são comparadas com dados anuais de 2022 e 2024.
No meio ambiente, a comparação utiliza ciclos do Prodes. Já educação e saúde apresentam dados anuais.
Essa diferença de metodologia não invalida os indicadores, mas precisa ser considerada para evitar que os números sejam interpretados como se fossem uma única pesquisa ou uma avaliação definitiva dos dois governos.
Dessa forma, os dados apresentados permitem comparar a evolução de diferentes áreas durante as administrações Lula e Bolsonaro, mas a interpretação dos resultados depende do indicador analisado, do período considerado e das características de cada série estatística.








