O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviário e Urbano de Manaus e no Amazonas (STTRM) anunciou que os rodoviários da capital amazonense entrarão em greve a partir da próxima terça-feira (7), caso não haja acordo entre trabalhadores, empresas e poder público. A decisão foi aprovada em assembleia realizada na quarta-feira (1º), em Manaus, e tem como principal motivação o atraso no pagamento de salários e benefícios trabalhistas. A paralisação poderá afetar milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo na cidade.
Segundo o sindicato, a categoria reivindica a regularização de pagamentos salariais, depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), recolhimento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pagamento de gratificações e da cesta básica. A mobilização ocorre em meio a uma disputa envolvendo empresas concessionárias do transporte coletivo, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), a Prefeitura de Manaus e a Justiça do Trabalho.
Assembleia aprova paralisação da categoria
A decisão pela greve foi tomada durante assembleia geral realizada pelo STTRM, que representa motoristas, cobradores e demais profissionais do transporte coletivo urbano de Manaus.
De acordo com o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, os trabalhadores decidiram aprovar a paralisação após considerarem esgotadas as tentativas de negociação com as empresas responsáveis pelo serviço.
Segundo a entidade, os atrasos salariais e o descumprimento de obrigações trabalhistas têm ocorrido de forma recorrente, comprometendo a situação financeira de centenas de famílias que dependem da atividade.
Categoria cobra regularização de salários e benefícios
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos rodoviários estão o pagamento dos salários dentro do prazo legal, regularização dos depósitos do FGTS, recolhimento das contribuições ao INSS, pagamento das gratificações em dinheiro e quitação dos valores referentes à cesta básica e aos adiantamentos salariais.
O sindicato afirma que esses problemas vêm sendo registrados nos últimos meses e motivaram a aprovação do movimento paredista.
A entidade informou que a greve poderá ser suspensa caso todas as pendências sejam solucionadas antes da data prevista para o início da paralisação.
Justiça acompanha disputa entre sindicato e empresas
O impasse também chegou à Justiça do Trabalho.
O caso tramita na 13ª Vara do Trabalho de Manaus, onde o juiz do Trabalho substituto Diego Enrique Linares Troncoso analisa pedidos apresentados pelo sindicato relacionados ao pagamento dos trabalhadores.
Em decisão recente, o magistrado concedeu prazo para que o STTRM informasse se os salários haviam sido regularizados antes de apreciar um pedido de tutela de urgência para bloqueio de recursos das empresas.
No processo, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou existir um acordo extrajudicial e afirmou que aguardava o cumprimento de compromissos financeiros por parte da Prefeitura de Manaus para viabilizar a regularização dos pagamentos.
Subsídios ao sistema também entram na discussão
Segundo informações divulgadas pelo STTRM, cerca de R$ 70 milhões relacionados aos subsídios destinados ao sistema de transporte coletivo estão no centro das negociações entre empresas e poder público.
O sindicato sustenta que os atrasos nos repasses financeiros têm impacto direto sobre a situação das concessionárias e, consequentemente, sobre o pagamento dos trabalhadores.
Até o momento, não há confirmação oficial de que esse valor seja o único fator responsável pelas pendências trabalhistas apontadas pela categoria.
Paralisação pode afetar milhares de passageiros
Caso a greve seja mantida, o transporte coletivo poderá sofrer redução significativa da frota ou interrupção parcial das operações a partir da próxima terça-feira.
O sistema de ônibus de Manaus é utilizado diariamente por milhares de trabalhadores, estudantes e usuários que dependem do transporte público para deslocamentos entre bairros, áreas comerciais, escolas e unidades de saúde.
Uma eventual paralisação poderá provocar aumento no tempo de espera nos pontos de ônibus, superlotação dos veículos em circulação e dificuldades de mobilidade em diferentes regiões da capital.
Prefeitura ainda não divulgou posicionamento específico
Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Manaus ainda não havia divulgado nota oficial específica sobre a greve anunciada para o dia 7 de julho.
Em paralisações anteriores, o município informou, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), que atua na mediação entre trabalhadores e empresas para garantir a continuidade do serviço e reduzir os impactos à população.
Também não foi localizada manifestação pública atualizada do Sinetram após a assembleia que aprovou a greve.
Histórico de paralisações no transporte coletivo
As negociações entre rodoviários e empresas do transporte coletivo vêm sendo marcadas por sucessivos impasses nos últimos anos.
Questões relacionadas ao pagamento de salários, benefícios trabalhistas, reajustes, subsídios públicos e equilíbrio financeiro das concessionárias frequentemente resultam em ameaças de paralisação.
Em maio deste ano, uma greve chegou a ser anunciada pela categoria, mas foi suspensa após mediação entre representantes dos trabalhadores, empresas e Prefeitura de Manaus.
Próximos dias serão decisivos
Até a data prevista para o início da greve, representantes do sindicato, empresas e poder público ainda poderão realizar novas rodadas de negociação para tentar evitar a paralisação.
Caso não haja acordo, a expectativa é que a Justiça do Trabalho também seja acionada para analisar medidas relacionadas à manutenção dos serviços considerados essenciais, conforme previsto na legislação brasileira.
Enquanto isso, usuários do transporte coletivo acompanham as negociações diante da possibilidade de alterações na operação do sistema a partir da próxima terça-feira.








