Fumaça deixa qualidade do ar ruim em Manaus nesta quarta-feira

fumaça

A fumaça em Manaus voltou a encobrir a capital amazonense nesta quarta-feira (9), provocando piora na qualidade do ar em diferentes pontos da cidade. Segundo a Defesa Civil Municipal, a concentração de partículas finas MP2,5 chegou a 87,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado como “muito ruim”. O órgão informou que a fumaça é proveniente de áreas de queimadas no sul do Amazonas, norte de Mato Grosso e Rondônia.

O monitoramento é realizado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec), vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg). A Prefeitura informou que a circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera está transportando a fumaça em direção à capital. A mudança temporária no padrão dos ventos está relacionada ao avanço de uma frente fria pelo centro-sul do país.

Fumaça em Manaus é transportada pelos ventos

De acordo com a Prefeitura de Manaus, a origem indicada para a fumaça está em áreas de queimadas localizadas no sul do Amazonas, norte de Mato Grosso e Rondônia.

A Defesa Civil explicou que as partículas estão sendo transportadas para Manaus pela circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera. Portanto, a presença da fumaça na capital não significa que os focos responsáveis estejam necessariamente dentro da área urbana da cidade.

A Prefeitura também informou que Manaus está entre os municípios com menor número de focos de incêndio no Amazonas, conforme os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Mesmo assim, o município mantém ações de prevenção, fiscalização e monitoramento por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas.

Leia também: Calor intenso em Manaus exige cuidados para proteger a saúde

Qualidade do ar chegou a 87,6 µg/m³

O principal indicador divulgado pela Defesa Civil nesta quarta-feira é a concentração de MP2,5, material particulado fino com diâmetro de até 2,5 micrômetros.

A medição chegou a 87,6 µg/m³, considerada pela Prefeitura como condição “muito ruim” para a qualidade do ar.

Registros da imprensa local também apontaram piora nas condições atmosféricas durante as primeiras horas da manhã. O jornal A Crítica relatou forte presença de fumaça, cheiro de queimadas e redução da visibilidade em diferentes áreas da capital. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) foram utilizados no acompanhamento das condições do ar.

Na terça-feira (8), um dia antes do episódio desta quarta, o mesmo veículo já havia registrado fumaça sobre Manaus. Na ocasião, a maior parte das estações do Selva apresentava classificação moderada, enquanto alguns pontos chegaram ao nível considerado ruim.

Amazonas vive período de atenção com queimadas

A ocorrência de fumaça em Manaus acontece durante um período de atenção para queimadas e condições meteorológicas favoráveis à propagação do fogo na região.

O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) informou, em recomendação publicada em agosto, que o estado havia registrado 960 focos de calor até 21 de agosto de 2026, número superior aos 795 focos contabilizados no mesmo período de 2025. O órgão recomendou ao Governo do Amazonas o reforço e a integração das ações de preparação e resposta aos impactos do El Niño.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mantém o monitoramento diário dos focos de calor por meio de dados de satélite. O banco de dados do Inpe disponibiliza arquivos diários de focos detectados, inclusive para os dias de setembro de 2026.

É importante destacar que foco de calor detectado por satélite não equivale automaticamente a um incêndio florestal. Os dados são utilizados como indicador para o monitoramento de áreas com anomalias térmicas e precisam ser interpretados considerando localização, condições ambientais e demais informações disponíveis.

Previsão climática mantém atenção sobre a região

O cenário também ocorre em um período de condições meteorológicas que podem favorecer a ocorrência de queimadas.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para setembro de 2026 indica volumes de chuva abaixo da média em grande parte do Amazonas e do Pará. A tendência é diferente em algumas áreas específicas da Região Norte, mas grande parte do Amazonas aparece entre as áreas com previsão de chuva abaixo do normal.

Além disso, o Inpe e outros órgãos federais que participam do Painel El Niño 2026-2027 apontaram, no boletim mais recente, mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno seja classificado como muito forte entre setembro e novembro.

O mesmo boletim indica tendência de chuvas abaixo da média no centro-norte do país e temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional. Segundo os órgãos, a combinação de temperaturas elevadas e menor volume de chuva pode aumentar o risco de incêndios florestais em áreas mais secas.

Fumaça pode afetar a saúde

A presença de MP2,5 na fumaça é uma preocupação de saúde pública porque essas partículas são suficientemente pequenas para penetrar profundamente no sistema respiratório.

O Ministério da Saúde informa que a exposição à fumaça de incêndios pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias e agravar doenças respiratórias preexistentes. A exposição a partículas e gases presentes na fumaça também está associada a efeitos cardiovasculares.

O ministério orienta que, durante períodos de piora da qualidade do ar, a população acompanhe os alertas oficiais, evite atividades físicas e esforços intensos ao ar livre e permaneça, quando possível, em ambientes internos protegidos da fumaça.

A recomendação também inclui manter portas e janelas fechadas nos horários de maior concentração de poluentes. Para quem precisar sair, o Ministério da Saúde indica máscaras dos tipos N95, PFF2 ou P100, corretamente ajustadas ao rosto, para reduzir a inalação de partículas.

Crianças menores de cinco anos, idosos e gestantes integram os grupos que exigem atenção redobrada. Pessoas com doenças cardíacas, respiratórias ou imunológicas devem procurar atendimento médico diante do aparecimento ou agravamento de sintomas.

Prefeitura orienta população de Manaus

Diante da condição registrada nesta quarta-feira, a Defesa Civil Municipal recomenda que a população reduza a exposição prolongada à fumaça e evite atividades físicas intensas ao ar livre durante os períodos de maior concentração.

O órgão também orienta os moradores a manterem-se hidratados e acompanharem as informações divulgadas pelos canais oficiais.

A Prefeitura informou que continuará monitorando as condições meteorológicas e a qualidade do ar ao longo do dia e deverá atualizar as informações caso haja mudança significativa no cenário.

Para denúncias de queimadas em Manaus, a população pode acionar a Guarda Municipal pelo telefone 153. A Prefeitura recomenda, quando possível, registrar imagens, horário e endereço completo da ocorrência. A Defesa Civil pode ser acionada pelo 199 em situações de risco.

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