Eventos climáticos deixam 171 milhões de jovens sem aula no mundo


Um em cada dez estudantes do mundo teve a educação interrompida por riscos climáticos em 2025. Isso significa que mais de 171 milhões de crianças e adolescentes não tiveram aulas devido a tempestades, enchentes, ondas de calor, secas e incêndios.

Os números fazem parte de um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que analisou informações de 106 países e territórios.

No Brasil, foram pelo menos 745 mil estudantes sem acesso à educação. Nesse quantitativo estão alunos do Rio Grande do Sul que ficaram sem aulas no início do ano passado devido a uma onda de calor; e crianças e jovens no Paraná impedidos de frequentar a escola por causa de um tornado, em novembro.  

Danilo Moura, especialista em Mudanças Climáticas do Unicef no Brasil, destaca que a crise climática reproduz padrões de desigualdades.

“Quando você olha para o mundo, os países mais pobres, que são os países menos responsáveis por causar a crise climática – pois eles são quem menos emitiu gases que causam efeitos de estufa – são os países que são mais impactados, por uma combinação de geografia com vulnerabilidade. Você tem muitos países pobres que estão justamente nas regiões em torno da Linha do Equador, onde os impactos da mudança do clima são mais extremos. E você, obviamente, está falando de países que já são mais pobres e que, portanto, têm menos recursos para se adaptar, para se proteger, para proteger essas populações”. 

Ele alerta para os impactos dos efeitos climáticos a longo prazo, especialmente nesses países, onde estão 75% dos estudantes afetados.

“Esses eventos climáticos extremos que afetam a educação têm um impacto cumulativo no longo prazo. Você está falando de gerações de crianças e adolescentes que, não tendo acesso à educação ou tendo um acesso prejudicado à educação, isso tem um impacto sobre aprendizagem, sobre desenvolvimento, sobre vínculo. A escola é um fator de proteção das crianças para além da aprendizagem. Tem a ver com vínculo social, com proteção contra a violência, segurança alimentar. Com frequência, no mundo todo, as escolas são um fator que oferece garantia de alimentação para as crianças, como é o caso no Brasil, né? Com a merenda escolar. A gente está falando de um desafio que reproduz muitas injustiças, porque são justamente os países e as comunidades mais vulneráveis que são impactados de forma desproporcional”.

O relatório do Unicef sugere algumas recomendações a governos e parceiros da educação. Entre as ações estão:

  • Fortalecimento da resiliência climática dos sistemas educacionais;
  • Aumento do financiamento destinado à infraestrutura e resiliência educacional;
  • Capacitação de crianças e jovens e fortalecimento dos sistemas de dados sobre clima e educação.

Planejamento para mitigar efeitos

No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) tem atuado tanto na recuperação das aprendizagens quanto na prevenção e mitigação dos impactos causados por interrupções do calendário escolar, como explica a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Cruz.

“A resolução do Conselho Nacional de Educação estabelece diretrizes para garantir a continuidade das atividades educacionais em situações de crise, orientando as redes de ensino a adotarem medidas de prevenção, resposta e recuperação, como a reorganização do calendário escolar e, quando necessário, a realização de atividades pedagógicas não presenciais. Além disso, o MEC, por meio da nossa Secretaria de Educação Básica, estruturou o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, que vem apoiando estados e municípios na identificação e recuperação de defasagens de aprendizagem, inclusive aquelas decorrentes de interrupções provocadas por eventos climáticos”. 

Em relação à preparação para futuras emergências, a Secretaria de Educação Básica desenvolveu também o Guia de Ações Educacionais em Resposta a Emergências Climáticas, que oferece orientações para reduzir impactos sobre o funcionamento das escolas e sobre a aprendizagem dos estudantes.

 

*Com produção de Luciene Cruz




FONTE: AGENCIA BRASILSource link

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