No Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio, o meliponicultor João do Mel, morador de Belterra, no oeste do Pará, fez um alerta sobre a redução da produção de mel e a perda do habitat natural das abelhas na região. Segundo ele, o avanço das lavouras de soja, o uso de agrotóxicos, o desmatamento e as queimadas têm afetado diretamente os polinizadores e comprometido a biodiversidade amazônica.
A denúncia foi feita em entrevista ao programa Viva Maria, da Empresa Brasil de Comunicação, apresentado pela jornalista Mara Régia. Reconhecido por sua atuação na meliponicultura e na defesa do meio ambiente, João do Mel relatou que a produtividade das colmeias caiu drasticamente nas últimas duas décadas.
Produção de mel caiu mais de 90% em 20 anos
De acordo com João do Mel, uma única colmeia chegava a produzir entre seis e sete quilos de mel há cerca de 20 anos. Atualmente, a mesma colônia produz menos de meio quilo.
“Há 20 anos, uma abelha produzia de seis a sete quilos de mel. Hoje não produz meio quilo. O veneno atinge o pasto baixo e o pasto alto. Vem pelo vento e pela chuva”, afirmou.
A queda representa uma redução superior a 90% na produção, reflexo das mudanças ambientais observadas em Belterra, município localizado próximo a Santarém, em uma área marcada pela expansão da fronteira agrícola.
Agrotóxicos e desmatamento ameaçam polinizadores
Segundo o meliponicultor, os agrotóxicos utilizados em grandes lavouras atingem as abelhas mesmo quando aplicados a quilômetros de distância, carregados pelo vento e pela chuva.
Além da contaminação química, o desmatamento e as queimadas reduzem as áreas de alimentação e reprodução das espécies, afetando tanto as abelhas com ferrão quanto as sem ferrão, além de outros insetos polinizadores.
Esses organismos são fundamentais para a polinização de culturas agrícolas e para a manutenção dos ecossistemas naturais.
Abelhas são essenciais para a produção de alimentos
A atuação das abelhas vai além da produção de mel. Elas desempenham papel estratégico na reprodução de plantas e na formação de frutos e sementes, influenciando diretamente a segurança alimentar.
Sem polinizadores, culturas como açaí, castanha-do-brasil, maracujá, café e diversas hortaliças podem ter queda significativa de produtividade.
Na Amazônia, a preservação das abelhas também é considerada essencial para a conservação da floresta e para o equilíbrio ambiental.
Tradição na meliponicultura
João do Mel informou que chegou a manter mais de mil caixas de abelhas em sua propriedade. Parte da produção era reservada para alimentar as próprias colmeias durante o inverno amazônico, período de menor oferta de flores.
O trabalho do meliponicultor tornou-se referência na região por unir geração de renda, educação ambiental e preservação das espécies nativas.
Dia Mundial das Abelhas reforça importância da conservação
Criado pela Organização das Nações Unidas, o Dia Mundial das Abelhas busca conscientizar a população sobre a importância dos polinizadores para o meio ambiente e para a produção de alimentos.
A data também chama atenção para ameaças como uso intensivo de pesticidas, destruição de habitats, mudanças climáticas e queimadas.
Impacto para a Amazônia e para a população
A redução das populações de abelhas pode afetar diretamente a produção agrícola, elevar custos de alimentos e comprometer a biodiversidade da Amazônia.
Em regiões como Belterra, o alerta de produtores locais evidencia a necessidade de conciliar atividade econômica com práticas sustentáveis que garantam a preservação dos polinizadores e dos recursos naturais.





