03/10: Dia do beiradão valoriza patrimônio cultural do Amazonas

Neste sábado, 3 de outubro, o Amazonas celebra o Dia Estadual do Beiradão, data criada para reconhecer uma das manifestações musicais ligadas à cultura amazonense. A escolha do dia também homenageia Francisco Ferreira do Nascimento, o Chico Caju, músico nascido em 3 de outubro e associado à história do ritmo no estado.

O Dia Estadual do Beiradão foi instituído pela Lei nº 6.797, de 22 de março de 2024, que incluiu a data no Calendário Oficial de Eventos Culturais do Amazonas. A legislação determina que a celebração ocorra anualmente em 3 de outubro.

O reconhecimento oficial do ritmo veio antes. Em 2023, a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou a proposta que declarou o Beiradão como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado. A medida formalizou o reconhecimento de uma manifestação musical ligada à história e à cultura amazonense.

Beiradão ganhou espaço na legislação do Amazonas

Com as duas leis, o Beiradão passou a ter reconhecimento específico na legislação cultural do Estado.

Uma lei reconhece o ritmo como patrimônio cultural imaterial. A outra criou uma data anual para celebrar a manifestação. São medidas diferentes, mas que colocam o Beiradão dentro do calendário e das políticas de valorização da cultura amazonense.

A proposta que deu origem ao Dia Estadual do Beiradão também destaca a relação do ritmo com as comunidades ribeirinhas e com as festas realizadas no interior do Amazonas.

O documento cita ainda a presença do saxofone como uma das características da sonoridade e aponta influências de ritmos como carimbó, merengue, lambada, cúmbia, forró, salsa e xote.

Leia também: Beiradão nos bairros ganha força com defesa de políticas culturais

3 de outubro também lembra Chico Caju

A escolha da data está diretamente ligada à trajetória de Chico Caju.

Francisco Ferreira do Nascimento nasceu em 3 de outubro de 1943, no município de Manaquiri, no interior do Amazonas. O músico morreu em janeiro de 2022.

Ao transformar a data de nascimento de Chico Caju no Dia Estadual do Beiradão, a legislação criou uma homenagem que une a memória do artista à história do gênero musical.

A data, portanto, não representa apenas uma comemoração no calendário. Ela também ajuda a lembrar os músicos que participaram da construção do Beiradão e contribuíram para levar essa sonoridade das comunidades do interior para outros espaços.

beiradão
O saxofonista Chico Caju (Foto: João Pedro Graça / Facebook)

Do interior para os espaços culturais

O Beiradão tem forte relação com as comunidades do interior do Amazonas e com as festas realizadas nas localidades ribeirinhas.

Com o passar dos anos, o ritmo também ganhou espaço em Manaus e passou a fazer parte de apresentações, eventos e projetos culturais.

Em 2026, a Prefeitura de Manaus, por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), criou o projeto “Beiradão da Cultura”, dentro do programa Manaus Faz Cultura.

A iniciativa levou apresentações para locais como o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, a Feira do Produtor, a Feira Modelo da Compensa e a Feira da Panair, aproximando a música regional do cotidiano da população.

O projeto mostra que o Beiradão continua ocupando espaços públicos e culturais de Manaus, com apresentações de artistas que mantêm o gênero presente na cidade.

Cantores de beiradão comemorando a homenagem no dia de beiradão. Foto: Arquivo pessoal Roberto Rios

Roberto Rios mantém o Beiradão em evidência

Entre os nomes ligados ao Beiradão está Roberto Rios, cantor e compositor amazonense que mantém uma trajetória dedicada ao gênero.

A Prefeitura de Manaus já registrou oficialmente a atuação do artista e o identifica como autor de músicas associadas ao Beiradão. Sua trajetória também está ligada à divulgação e à continuidade do ritmo em diferentes espaços culturais.

Para Roberto Rios, o Beiradão não deve ser entendido apenas pela sua origem geográfica. “Muita gente pensa que o Beiradão é só na beira do rio. Nasceu lá e veio para a cidade. Agora é um gênero musical”, afirmou o artista.

A definição ajuda a explicar a transformação do ritmo ao longo dos anos. O que nasceu ligado às festas das comunidades ribeirinhas passou a ocupar também palcos, eventos culturais e espaços urbanos.

Rios também destaca as mudanças na própria sonoridade. “Antigamente o beiradão era apenas o sax e com a guitarrada. O nosso Beiradão, de agora, é mais cantado”, explicou. Segundo o músico, o sax, a guitarra, a percussão e o teclado continuam presentes nessa nova formação.

Roberto Rios recebendo homenagem no dia do beiradão na ALEAM Foto: Portal Furacão de notícias

TV Furacão abre espaço para a cultura do Beiradão

No Portal Furacão de Notícias, o programa “Alô, Beiradão!” integra a área de podcast e tem edição com Roberto Rios. O espaço coloca o gênero no centro da conversa e permite apresentar ao público histórias, músicas e personagens ligados à cultura do Amazonas.

A iniciativa amplia o espaço do Beiradão para além dos palcos. Ao levar o tema para a televisão e para as plataformas digitais, a TV Furacão também registra e divulga a produção de artistas ligados ao gênero.

Neste Dia do Beiradão, a presença de Roberto Rios nesse trabalho ganha significado especial. Artista ligado à trajetória do ritmo, ele também participa de iniciativas que ajudam a manter essa música em circulação e em contato com novos públicos.

Entre leis, memória e música, o Beiradão segue ocupando seu espaço na cultura do Amazonas. E, na TV Furacão, programas como o “Alô, Beiradão!” ajudam a manter essa história em evidência, com Roberto Rios como uma das vozes dedicadas a falar, preservar e divulgar o ritmo que se tornou patrimônio cultural do Estado.

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