Beiradão nos bairros ganha força com defesa de políticas culturais

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O Beiradão nos Bairros começa a ganhar espaço no debate sobre a valorização da música amazonense e a necessidade de ampliar a presença de artistas locais nos eventos culturais de Manaus. A proposta de levar o gênero para diferentes comunidades da capital também passa a ser discutida dentro das políticas públicas de cultura, em um momento em que o maestro Everaldo Barbosa assume uma cadeira de representação da música no Conselho Municipal de Cultura (Concultura).

Eleito em 31 de agosto para o biênio 2026-2028, Everaldo representa o segmento de Música entre os conselheiros da sociedade civil. O Concultura é formado por 16 cadeiras, sendo oito representantes dos segmentos artístico-culturais e oito do poder público municipal.

Em entrevista ao Portal Furacão de Notícias, o maestro defendeu que os recursos e equipamentos públicos destinados à cultura precisam alcançar os trabalhadores do setor e destacou a possibilidade de ampliar iniciativas como o Beiradão nos Bairros para outros espaços e segmentos.

Para Everaldo, a discussão não deve se limitar à realização de apresentações. Segundo ele, é necessário criar condições para que músicos, produtores, técnicos e demais profissionais da cadeia cultural tenham oportunidades de trabalho e participação nos eventos promovidos pelo poder público.

Beiradão nos Bairros busca espaço na agenda cultural

Ao falar especificamente sobre o Beiradão nos Bairros, Everaldo afirmou que existe possibilidade de ampliar a iniciativa dentro de uma política de ocupação dos equipamentos culturais públicos.

“E agora, com essa nova possibilidade de fazermos, inclusive, o Beiradão nos bairros, há sim essa possibilidade de ampliarmos também para outros segmentos, como o Beiradão, por exemplo”, afirmou o maestro durante a entrevista.

A proposta ainda é apresentada como uma possibilidade de ampliação da programação cultural, e não como um calendário permanente já instituído. A ideia defendida por Everaldo é utilizar espaços públicos de Manaus para criar oportunidades de trabalho e ampliar a circulação dos artistas locais.

Entre os locais mencionados pelo maestro estão o Parque dos Bilhares, o Teatro Gebes Medeiros, o Teatro da Instalação e o Teatro Amazonas.

A proposta também inclui a valorização dos trabalhadores ligados ao Beiradão, gênero que, segundo Everaldo, vem ampliando sua presença não apenas em Manaus, mas em diferentes regiões do Amazonas.

Leia também: 1° Beiradão nos Bairros celebra cultura amazonense em Manaus

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1° Beiradão nos bairro com Roberto Rios e Lico Magalhães. Foto: Ian Camilo/Portal Furacão de notícias

Everaldo leva a música para o debate institucional

A eleição de Everaldo Barbosa coloca um músico com atuação em projetos culturais diretamente no colegiado responsável por discutir políticas culturais de Manaus.

A Prefeitura de Manaus confirmou o maestro como um dos representantes da sociedade civil eleitos para o Concultura em 2026. Ele foi escolhido para a cadeira de Música, ao lado de representantes dos segmentos de Artes Visuais, Audiovisual, Cultura Popular, Cultura Étnica e Teatro e Circo.

A trajetória de Everaldo também inclui participação em iniciativas voltadas à formação e à circulação musical. Em 2025, ele integrou a programação do e-Festival Som Manaus, onde ministrou uma palestra sobre engajamento social e políticas públicas para artistas. O projeto foi patrocinado pelo Concultura, por meio da Manauscult, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc.

No mesmo ano, o maestro participou do projeto Orquestra na Floresta, realizado na Aldeia Cipiá, em Manaus, em uma iniciativa voltada ao intercâmbio entre música clássica e cultura indígena.

Essas experiências se aproximam da defesa apresentada por Everaldo na entrevista: ampliar o acesso à cultura, descentralizar as oportunidades e fazer com que a produção artística alcance diferentes públicos e espaços da cidade.

Roberto Rios representa uma geração do Beiradão

Dentro desse movimento, Roberto Rios, conhecido como Pop do Beiradão, aparece como uma das referências da cena do gênero em Manaus.

Com décadas de atuação como músico e produtor musical, Rios é associado à divulgação do Beiradão e mantém repertório ligado ao ritmo, com músicas como “Telézelé?!” e “Perfume da Bôta”.

A trajetória do artista também está relacionada a iniciativas institucionais de apoio aos profissionais da cultura. Em publicação da Prefeitura de Manaus, Roberto Rios aparece entre os primeiros artistas a utilizar um espaço disponibilizado pelo Concultura para orientação e elaboração de projetos culturais.

A presença de Rios representa uma geração de músicos que mantém o Beiradão em circulação e contribui para a permanência do gênero no repertório cultural amazonense.

Nesse contexto, a participação de artistas como Roberto Rios e a atuação institucional de Everaldo Barbosa representam frentes diferentes de uma mesma discussão: a necessidade de ampliar a visibilidade, a circulação e as oportunidades para quem trabalha com o gênero no Amazonas.

Beiradão movimenta uma cadeia de trabalhadores

Para Everaldo, a importância de iniciativas como o Beiradão nos Bairros vai além da apresentação dos músicos.

Segundo o maestro, uma atividade artística envolve diferentes profissionais, como produtores, técnicos de som, iluminadores e outros trabalhadores que participam da realização dos eventos.

Na entrevista, Everaldo também defendeu uma mudança na relação entre os trabalhadores da cultura e o poder público. Para ele, é necessário avançar na criação de mecanismos legais que garantam a participação dos artistas amazonenses nos eventos realizados em Manaus e no interior.

O maestro afirmou que artistas de outros estados também podem participar das programações, mas defendeu que os profissionais locais tenham espaço garantido nos eventos de diferentes dimensões.

“É importante que a nossa participação esteja sempre presente, seja nos médios eventos, seja nos grandes eventos, com a participação dos nossos cantores, dos nossos compositores e dos nossos músicos em geral”, afirmou.

O desafio, agora, está em transformar essa discussão em ações, programação e políticas que assegurem espaço para os artistas locais e deem continuidade à valorização de uma expressão musical que já faz parte da identidade cultural do Amazonas.

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