A expansão de facções criminosas brasileiras pela fronteira da Bolívia reforça a necessidade de um plano emergencial de segurança pública voltado especificamente à faixa de fronteira do Amazonas, defendeu o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos). Para o parlamentar, o enfrentamento ao crime organizado no Estado precisa começar pela interrupção das rotas internacionais que abastecem o narcotráfico e financiam outras modalidades criminosas.
Reportagem publicada nesta semana mostra o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em cidades bolivianas próximas ao Brasil, com disputa por corredores utilizados no tráfico internacional de cocaína e episódios de extrema violência. O governo boliviano anunciou reforço policial, maior vigilância da fronteira e cooperação com autoridades brasileiras.
Para Comandante Dan, o episódio não pode ser observado como um problema distante do Amazonas.
“O que acontece na fronteira da Bolívia é um alerta para toda a Amazônia Ocidental. O crime não reconhece fronteiras administrativas. A droga produzida nos países vizinhos percorre corredores que se comunicam, muda de rota quando encontra repressão e chega ao território brasileiro. Se queremos enfrentar efetivamente a violência no Amazonas, precisamos tratar a fronteira como o nosso principal desafio de segurança pública”, afirmou.
O deputado defende que o Estado, em articulação com o Governo Federal, estabeleça um plano emergencial que reúna presença permanente das forças de segurança, inteligência integrada, monitoramento tecnológico, controle dos rios e pistas clandestinas, fortalecimento das unidades policiais do interior e cooperação internacional com Peru, Colômbia e demais países da região.
A preocupação acompanha o parlamentar desde o início do mandato. Em agosto de 2023, Comandante Dan apresentou requerimento ao Ministério da Justiça propondo que o então anunciado Centro Internacional de Cooperação Policial fosse instalado em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. No documento, argumentou que a estrutura permitiria atuação conjunta, compartilhamento de inteligência e maior presença do Estado na região.
Naquele mesmo ano, a Comissão de Segurança Pública da Aleam, presidida por Dan, realizou uma série de audiências no Médio e Alto Solimões para levantar as condições dos municípios mais expostos ao narcotráfico. O trabalho resultou em um documento de aproximadamente 200 páginas encaminhado ao Ministério da Justiça e às comissões de Segurança Pública da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, reunindo diagnósticos e propostas para enfrentamento da criminalidade no Amazonas.
O parlamentar também participou de agendas com o Ministério da Justiça durante a gestão do então ministro Flávio Dino. Em 2023, Dan articulou a realização de encontro entre a Secretaria Nacional de Segurança Pública e prefeitos do Alto Solimões, em Tabatinga, levando ao Governo Federal as demandas levantadas diretamente nos municípios. Naquele período, chegou a defender medidas extraordinárias para ampliar a presença das forças federais nas áreas de fronteira e divisa do Estado.
O diagnóstico apresentado pelo deputado coincide com a avaliação feita pelo Ministério da Justiça naquele período. Em agosto de 2023, Flávio Dino afirmou que as organizações criminosas estavam ampliando sua atuação na Amazônia e defendeu maior integração entre forças policiais brasileiras e dos demais países amazônicos. O encontro reuniu representantes de Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e outros países, além da Interpol e da Ameripol.
Comandante Dan sustenta que o enfrentamento precisa ocorrer antes que drogas, armas e recursos financeiros das organizações criminosas avancem para os centros urbanos.
“Não podemos construir uma política de segurança apenas reagindo ao crime quando ele já chegou a Manaus ou às cidades do interior. É preciso atacar a cadeia na origem. Controlar a fronteira significa reduzir o combustível financeiro das facções, a circulação de armas, a pirataria nos rios e vários outros crimes associados ao narcotráfico”, afirmou.
Segundo o deputado, uma estratégia emergencial deve ser acompanhada por uma política permanente de ocupação territorial, geração de oportunidades e fortalecimento dos municípios fronteiriços.
“A presença do Estado não pode ser apenas uma operação policial eventual. Precisamos de inteligência, tecnologia, efetivo, bases permanentes, integração internacional e políticas sociais. A fronteira do Amazonas precisa deixar de ser tratada como periferia do país e passar a ser compreendida como área estratégica para a segurança nacional”, concluiu Comandante Dan. Texto: assessoria de comunicação do deputado





