A recuperação da BR-319 continua sendo apontada como uma das principais demandas para ampliar a integração do Amazonas ao restante do Brasil. Embora os investimentos realizados pelo Governo do Estado tenham melhorado a infraestrutura viária interna nos últimos anos, especialistas avaliam que a ausência de uma ligação terrestre plenamente operacional ainda limita o desenvolvimento econômico, aumenta os custos logísticos e dificulta o escoamento da produção amazonense.
Nos últimos anos, o Estado executou obras de recuperação de rodovias, estradas e ramais em dezenas de municípios por meio de programas de infraestrutura. Segundo dados do Governo do Amazonas, cerca de R$ 1,5 bilhão foram investidos no programa Asfalta Amazonas, que contemplou 43 municípios e resultou na pavimentação e recuperação de aproximadamente 1,5 mil quilômetros de vias.
Investimentos melhoraram a mobilidade interna
As obras realizadas nas rodovias estaduais contribuíram para melhorar a circulação de pessoas e mercadorias em diversas regiões do Amazonas.
Trechos importantes, como a AM-070, que liga Manaus a Iranduba e Manacapuru, e a AM-010, entre Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, passaram por intervenções que melhoraram as condições de tráfego.
Essas melhorias reduziram o tempo de deslocamento, facilitaram o transporte de produtos agrícolas, fortaleceram o abastecimento de municípios e ofereceram melhores condições para o escoamento da produção durante períodos de chuva.
Apesar desses avanços, especialistas afirmam que a logística do Amazonas ainda enfrenta limitações por depender, principalmente, do transporte fluvial e aéreo para conexão com outras regiões brasileiras.
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BR-319 permanece no centro do debate
A BR-319, rodovia federal que liga Manaus a Porto Velho (RO), continua sendo considerada estratégica para reduzir o isolamento logístico do Amazonas.
Atualmente, parte da estrada encontra-se pavimentada, enquanto outro trecho, conhecido como “Trecho do Meio”, ainda depende do avanço do licenciamento ambiental conduzido pelo Governo Federal para que as obras possam prosseguir.
A conclusão desse segmento é vista por diversos setores produtivos como uma medida capaz de ampliar a competitividade da economia regional, reduzir custos de transporte e fortalecer a integração nacional.
Custos logísticos afetam diferentes setores
Segundo o engenheiro civil Marcellus Campêlo, ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e ex-coordenador da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), a infraestrutura viária precisa ser planejada de forma integrada para gerar ganhos econômicos.
De acordo com Campêlo, a conexão entre rodovias, bairros, ramais e centros urbanos permite criar um fluxo contínuo para circulação de pessoas e mercadorias.
“A infraestrutura viária precisa dialogar com a cidade e com a produção. Quando você conecta ramais, bairros e rodovias, cria um fluxo contínuo para circulação de pessoas e mercadorias. Isso reduz perdas, melhora o planejamento logístico e aumenta a competitividade da produção”, afirmou.
Ele observa que o chamado “custo amazônico” continua impactando diversos segmentos econômicos.
Na construção civil, por exemplo, o transporte de materiais pode representar entre 15% e 20% do custo total de uma obra realizada em municípios do interior, percentual superior ao registrado em outras regiões brasileiras.
Impacto na Zona Franca de Manaus
Outro ponto destacado é a importância da logística para a manutenção da competitividade da Zona Franca de Manaus.
Segundo Campêlo, produzir na Amazônia envolve desafios adicionais em razão das características geográficas da região.
“A logística é um dos motivos pelos quais os benefícios da Zona Franca de Manaus precisam ser assegurados. Produzir na Amazônia tem desafios adicionais justamente pelas características geográficas da região. Melhorar as alternativas de transporte significa reduzir barreiras e criar condições mais competitivas para o desenvolvimento”, destacou.
A avaliação é que melhorias na infraestrutura interna precisam caminhar paralelamente ao avanço das conexões nacionais para fortalecer setores como indústria, comércio, bioeconomia, tecnologia e inovação.
Infraestrutura influencia desenvolvimento regional
Especialistas apontam que investimentos em infraestrutura viária produzem efeitos que vão além da mobilidade.
Rodovias em melhores condições facilitam o transporte escolar, ampliam o acesso aos serviços públicos, reduzem o tempo de viagem, estimulam novos investimentos privados e fortalecem cadeias produtivas ligadas ao agronegócio, à indústria e ao turismo.
No Amazonas, onde grandes distâncias e obstáculos naturais fazem parte da realidade logística, a ampliação da malha rodoviária é considerada um dos fatores que podem contribuir para reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade econômica.
Enquanto isso, a conclusão da recuperação da BR-319 continua sendo um dos temas mais debatidos entre representantes do setor produtivo, autoridades públicas e especialistas em infraestrutura, que defendem soluções capazes de conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.






