A exploração ilegal de ouro no Amazonas deixou de ser apenas um crime ambiental e passou a alimentar uma estrutura que envolve facções, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, violência e trabalho análogo à escravidão. O alerta é do deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), presidente das comissões de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale).
Relatório elaborado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) reuniu investigações sobre garimpos no estado e revelou uma rede de crimes com aproximadamente 290 quilos de ouro extraídos ilegalmente, 56 trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão e danos ambientais estimados em mais de R$ 1,7 bilhão. As apurações também identificaram sinais da influência do Comando Vermelho sobre atividades realizadas em áreas de garimpo.
“O garimpo ilegal não pode mais ser tratado como uma aventura isolada de pessoas procurando ouro no meio da floresta. Estamos diante de uma economia criminosa organizada, que movimenta milhões, escraviza trabalhadores, destrói rios, financia armas e amplia o domínio das facções sobre o território amazonense”, afirmou Comandante Dan.
Para o deputado, a presença de uma organização criminosa nos garimpos confirma que os mercados ilegais estão conectados. O mesmo grupo pode atuar no tráfico de drogas, controlar rotas fluviais, fornecer armas e combustível, explorar trabalhadores e utilizar o ouro para esconder a origem do dinheiro obtido com outros crimes.
“Quem olha apenas para a draga não enxerga a organização que está por trás dela. É preciso chegar ao financiador, ao comprador do ouro, às empresas de fachada, aos fornecedores de máquinas e combustível e a quem transforma esse dinheiro ilegal em patrimônio aparentemente legítimo”, declarou.
Comandante Dan defende a criação de uma força-tarefa permanente, reunindo as forças estaduais e federais de segurança, órgãos ambientais, Ministério Público, Receita Federal e estruturas de inteligência financeira. A atuação, segundo ele, deve incluir o rastreamento do ouro, o bloqueio de contas e bens, a apreensão de embarcações e equipamentos e a responsabilização de quem financia e lucra com a atividade.
A integração das forças é uma das principais bandeiras do mandato do parlamentar e também orientou a Lei nº 7.376/2025, de sua autoria, voltada ao fortalecimento da cooperação no enfrentamento ao crime organizado. Dan sustenta que informações policiais, ambientais, fiscais e financeiras precisam ser compartilhadas para que o Estado consiga alcançar toda a cadeia criminosa.
“O crime atua de maneira integrada. Mistura ouro, droga, armas, exploração humana e lavagem de dinheiro. O poder público não pode continuar respondendo de forma fragmentada. Se cada órgão enxergar apenas uma parte, a organização criminosa continuará funcionando”, advertiu.
O deputado também cobra presença permanente do Estado nas calhas dos rios, áreas de fronteira e regiões de difícil acesso. Para ele, operações pontuais são importantes, mas não substituem bases estruturadas, inteligência contínua e equipes capazes de impedir que os criminosos retomem o território depois da saída das forças de segurança.
“A fronteira não se protege de Manaus para fora; protege-se da fronteira para dentro. Precisamos ocupar as rotas usadas pelo crime, proteger as comunidades e impedir que facções transformem áreas distantes em territórios particulares. Combater o garimpo ilegal é proteger o meio ambiente, mas também é defender vidas, segurança e soberania”, concluiu Comandante Dan.







