O Centro de Inclusão Sensorial Dr. Hamilton Cidade, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), realizou, nesta sexta-feira (4/9), o primeiro Desfile Cívico da unidade, com a participação de 75 crianças atendidas pelo Centro. Em alusão ao Dia da Independência do Brasil, celebrado em 7 de setembro, a atividade foi realizada na área do espelho d’água da Casa Legislativa e proporcionou às crianças e às famílias um momento de inclusão, cidadania, socialização e pertencimento.
A programação reuniu crianças, familiares, profissionais do Centro e servidores da Assembleia. Mais do que uma celebração cívica, o desfile foi uma oportunidade para estimular habilidades importantes no desenvolvimento das crianças, como interação social, autonomia, autoestima, coordenação motora e capacidade de lidar com situações que envolvem espera e cumprimento de orientações.
Para as famílias, a participação teve um significado especial por permitir que as crianças ocupassem um espaço coletivo, em um ambiente preparado para acolher suas particularidades, respeitar suas necessidades e valorizar cada conquista.
Inclusão e cidadania
O presidente da Aleam, deputado Adjuto Afonso (UB), destacou a importância de a Casa Legislativa promover ações que ampliem a participação e o acolhimento das crianças neurodivergentes. Segundo o parlamentar, iniciativas como o desfile contribuem para fortalecer a inclusão e mostrar que a participação social deve ser garantida a todos.
“É uma alegria poder proporcionar esse momento às nossas crianças e às suas famílias. A inclusão precisa ser vivenciada todos os dias, e a Assembleia tem esse compromisso”, afirmou Adjuto Afonso.
A deputada estadual Joana Darc (UB), mãe de Joaquim, que tem síndrome de Down, participou da programação ao lado do filho e destacou a importância da convivência social para o desenvolvimento das pessoas neurodivergentes.
“Esse convívio, a gente participar desses eventos, faz parte do desenvolvimento de pessoas neurodivergentes. Esse é um passo muito acertado da Assembleia Legislativa e só tem a crescer”, afirmou.
O diretor de Saúde da Aleam, médico Arnoldo Andrade, ressaltou que a iniciativa representa o compromisso da Assembleia com a inclusão social e com a participação das pessoas neurodivergentes nas atividades promovidas pela instituição.
“A sociedade pede a inclusão da pessoa neurodivergente. E a Assembleia, como a Casa do Povo, vem escutando esse grito popular e começou esse trabalho. Eles estão ganhando muita capacidade e percebemos que é possível transformar vidas”, afirmou.
Segundo o diretor, a inclusão precisa ultrapassar o discurso e estar presente nas ações do cotidiano. “O caminho da inclusão não é somente falar, mas mostrar o exemplo e praticar. Nós fazemos questão de que, em todos os eventos que ocorrem na Aleam, sejam incluídas as pessoas neurodivergentes”, destacou.
Participação das famílias
A presença dos familiares foi um dos principais destaques da programação. Para Jhulliem Rodrigues, mãe de Ina, de 4 anos, ver a filha participar do desfile representou uma conquista. “Ela ter conseguido estar aqui, se misturando com outras pessoas, é um sentimento de pertencimento”, afirmou.
O pai de Ina, o servidor da Aleam Caio Rodrigues, também destacou a participação da filha. Segundo ele, a família chegou a ter receio de que as dificuldades relacionadas à espera e ao cumprimento de orientações pudessem ser um obstáculo para a criança, mas Ina conseguiu acompanhar a atividade.
“Ficamos muito felizes e orgulhosos da nossa filha. A gente pensou muito em vir, pois o autista tem dificuldade em esperar e o desfile é uma coisa de espera, seguir ordens, mas ela foi muito bem. A gente virá todos os anos, com certeza”, disse.
Para Vanessa Costa, mãe de Eloá Isabele, de 7 anos, a atividade também teve um significado especial para as famílias atípicas. “Trazer nossos filhos para participar é um benefício para eles, pela interação social. Quando dissemos para Eloá que iria participar do desfile, ficou muito feliz”, relatou.
Eloá, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte, também comemorou a experiência. “É uma honra para mim estar comparecendo com as pessoas que me entendem e cuidam de mim”, afirmou.
Cada conquista é uma vitória
A servidora da Aleam Ana Tesse, mãe de Marco Samuel, de 7 anos, destacou que cada avanço no desenvolvimento das crianças é motivo de celebração para as famílias. “No Centro de Inclusão, toda evolução é uma vitória. A criança não verbal consegue falar a primeira palavra, a coordenação motora começa a apresentar alguma melhora. Então, cada evento realizado para os assistidos é um ganho”, afirmou.
Segundo Ana, a participação em atividades como o desfile também permite observar avanços na capacidade das crianças de lidar com situações que exigem organização, espera e interação.
Da mesma formna, a servidora Jeanne Carvalho, mãe de Samuel Loris, de 8 anos, ressaltou a importância da socialização e do fortalecimento da autoestima.
“O evento é importante para ele estar socializando com as crianças, porque também eleva a autoestima dele. Fiquei feliz porque, se fosse em outro local, seria mais difícil devido às questões do transtorno. Aqui é diferente porque ele tem atendimento e as pessoas entendem as características dele”, afirmou.
Os avós Charles Soares, servidor da Aleam, e Maria Raimunda também acompanharam os netos Lorenzo e Enzo, assistidos pelo Centro. Para a família, a participação no desfile representa uma mudança na rotina das crianças, que passaram a ter acesso a acompanhamento especializado.
“Está sendo um divisor de águas porque a gente vivia sem assistência nenhuma e hoje, para a gente, é um privilégio a Casa abrir esse espaço para nossas crianças atípicas socializarem cada dia mais”, disse Charles.
Maria Raimunda destacou os avanços observados após o início das terapias. “Hoje em dia eles estão ficando muito bem com as terapias e o evento de hoje é muito importante porque ajuda a interagir com as pessoas”, afirmou.
Os pais Belmar Paes e Eleuza Freitas, que acompanharam o filho Talisson, de 7 anos, também destacaram o significado da experiência. Foi a primeira vez que a criança participou de um desfile cívico, tornando o momento ainda mais especial para a família.
Preparação para o desfile
A coordenadora do Centro de Inclusão Sensorial, psicóloga Isabel Pacheco, ressaltou que a unidade se aproxima de um ano de funcionamento e que a realização do desfile contou com a participação das famílias desde o planejamento.
“O Centro de Inclusão vai completar um ano de atuação no dia 1º de dezembro e estamos muito felizes com as nossas crianças. Hoje acompanhamos 163 crianças. Com a chegada das datas festivas do 7 de setembro, reunimos com os pais e eles amaram a ideia, porque tudo fazemos em conjunto com as famílias”, explicou.
Espaço de socialização
Além dos atendimentos terapêuticos, o Centro busca oferecer às crianças oportunidades de convivência e participação em atividades coletivas. Para as famílias, momentos como o desfile ajudam a mostrar que a inclusão também acontece quando crianças neurodivergentes têm a oportunidade de participar de eventos ao lado de outras pessoas, respeitando suas características e necessidades.
Centro de Inclusão Sensorial
Inaugurado em dezembro de 2025, pelo então presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (UB), o Centro de Inclusão Sensorial Dr. Hamilton Cidade já realizou mais de 15 mil atendimentos a crianças de até 14 anos cadastradas no programa.
A unidade oferece serviços de fonoaudiologia, fisioterapia, odontologia, terapia ocupacional, neurologia, psicologia e serviço social, incluindo acompanhamento para pais e responsáveis.
Especializado no atendimento de pessoas com necessidades relacionadas ao neurodesenvolvimento, o Centro tem capacidade para atender até 250 crianças por dia, incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Síndrome de Down e outras condições relacionadas ao neurodesenvolvimento.
A estrutura conta ainda com consultórios médicos, piscina térmica, quadra poliesportiva e ambientes destinados ao estímulo sensorial.







