Os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). O resultado, divulgado nesta quarta-feira (4), representa uma derrota para o presidente Donald Trump e altera a correlação de forças no Congresso norte-americano, onde a oposição terá mais poder para barrar propostas do governo e fiscalizar as ações do Executivo.
A votação envolveu as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 vagas do Senado e eleições para governador em 36 estados. Na atualização publicada pelo jornal britânico The Guardian com base na apuração da Associated Press, os democratas apareciam com 228 representantes na Câmara, contra 139 republicanos, com 367 das 435 disputas contabilizadas. No Senado, o partido havia conquistado 54 cadeiras, incluindo dois senadores independentes alinhados aos democratas, enquanto os republicanos somavam 44. 99b
O resultado amplia a presença democrata em Washington e dificulta a tramitação da agenda legislativa de Trump. A mudança também abre espaço para que a oposição intensifique a fiscalização sobre o governo durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial.
Eleições de meio de mandato mudam composição do Congresso
Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato ocorrem na metade do período presidencial de quatro anos. Diferentemente da eleição presidencial, não escolhem o chefe do Executivo, mas renovam cargos legislativos e estaduais em todo o país.
Em 2026, todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes foram colocados em disputa. No Senado, os eleitores votaram em 35 das 100 cadeiras, incluindo eleições regulares e especiais. Também foram realizadas eleições para governador em 36 estados.
Antes da votação, os republicanos controlavam as duas Casas do Congresso. A vitória democrata representa, portanto, uma inversão no comando do Legislativo federal e modifica o cenário político para a segunda metade do mandato de Trump.
A apuração ainda estava em andamento em parte dos distritos e estados na manhã de quarta-feira. Por isso, os números de cadeiras podem sofrer alterações conforme os resultados forem confirmados. Os balanços divulgados por agências e veículos de imprensa correspondem a atualizações específicas da contagem, e não necessariamente ao resultado final de todas as disputas.
Leia também: Eleições nos EUA definem o futuro de Donald Trump nesta terça-feira
Democratas avançam em estados tradicionalmente republicanos
Um dos aspectos destacados pela imprensa internacional foi o desempenho dos democratas em estados considerados redutos republicanos. A legenda conquistou vitórias em disputas importantes no Texas, Kansas, Iowa, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Ohio, entre outros estados.
No Texas, James Talarico venceu o republicano Ken Paxton na disputa pelo Senado. O resultado foi apontado pela Reuters como uma das principais vitórias democratas da noite, já que o estado não elegia um senador democrata havia 38 anos.
No Kansas, Adam Hamilton conquistou uma cadeira no Senado, encerrando um período de quase um século sem uma vitória democrata para o cargo no estado. Já na Carolina do Sul, Annie Andrews venceu a disputa contra a republicana Darline Graham, em outro resultado destacado pela cobertura internacional.
As vitórias em estados que apoiaram Trump na eleição presidencial de 2024 indicam que os democratas conseguiram ampliar sua votação para além dos tradicionais territórios de disputa entre os dois partidos.
Economia e guerra com o Irã aparecem entre fatores da derrota republicana
As dificuldades econômicas e a insatisfação com o governo estiveram entre os fatores apontados por análises da Reuters e da Associated Press para explicar o desempenho republicano.
O aumento do custo de vida, a inflação e as preocupações dos eleitores com a situação econômica foram temas relevantes durante a campanha. A guerra com o Irã e questionamentos relacionados à condução do governo também apareceram entre os elementos associados ao resultado eleitoral.
A Associated Press destacou que o descontentamento com os preços e a percepção sobre a atuação do governo contribuíram para a perda de apoio aos republicanos. A agência também apontou mudanças no comportamento de grupos de eleitores, incluindo jovens e latinos, que se afastaram do partido em relação a disputas anteriores.
Esses fatores ajudam a contextualizar o resultado, mas não representam uma explicação única para a votação. O desempenho dos candidatos também variou de acordo com as disputas estaduais e locais.
Vitória democrata pode dificultar agenda de Donald Trump
Com o controle das duas Casas do Congresso, os democratas passam a ter maior capacidade de influenciar a tramitação de projetos e decisões legislativas. Propostas do governo que dependam de aprovação parlamentar poderão enfrentar resistência maior.
A nova composição também amplia o poder de fiscalização da oposição. Parlamentares democratas poderão promover audiências, convocar autoridades e conduzir investigações sobre ações da administração federal.
A Reuters e a Associated Press apontaram que a mudança no Congresso deve limitar a capacidade de Trump de avançar com parte de sua agenda legislativa. A oposição também poderá dificultar a aprovação de indicações e medidas que dependam do aval dos parlamentares.
Apesar da derrota eleitoral, Trump permanece na Presidência dos Estados Unidos. O resultado das eleições de meio de mandato não encerra o mandato presidencial nem altera automaticamente os poderes do Executivo. O presidente mantém, entre outras atribuições, a possibilidade de vetar projetos aprovados pelo Congresso.
Segundo a Associated Press, Trump procurou afastar a interpretação de que o resultado representava uma derrota pessoal, atribuindo parte do desempenho republicano à qualidade dos candidatos. O presidente também sinalizou resistência a propostas legislativas dos democratas.
Resultado antecipa disputas políticas para 2028
A conquista do Congresso fortalece os democratas no cenário nacional e pode influenciar a preparação do partido para a próxima eleição presidencial, prevista para 2028. A vitória também coloca os republicanos diante do desafio de reorganizar sua estratégia política após a perda das duas Casas legislativas.
Nos próximos dois anos, a relação entre a Casa Branca e o Congresso deve ser marcada por maior disputa em torno de projetos, orçamento, indicações e investigações parlamentares.
Para os Estados Unidos, a mudança representa uma nova etapa de divisão de poder entre o Executivo e o Legislativo. Para Trump, significa governar a segunda metade do mandato diante de um Congresso controlado pela oposição.
A eleição de 3 de novembro não escolheu um novo presidente, mas alterou o equilíbrio político em Washington e estabeleceu um novo cenário para as decisões do governo norte-americano até 2028.
Foto: Angela Weiss/AFP







