A febre do Nilo Ocidental não é uma doença comum no Brasil, mas casos confirmados em diferentes estados voltaram a chamar atenção para a necessidade de vigilância epidemiológica. Segundo o infectologista Álvaro Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a maioria das infecções apresenta quadro leve e menos de 1% dos casos evolui para formas graves.
A avaliação foi feita após a confirmação de casos humanos em São Paulo e Santa Catarina. De acordo com o Ministério da Saúde, também há um caso provável no Piauí. Uma das ocorrências registradas em Santa Catarina evoluiu para morte.
Como ocorre a transmissão da febre do Nilo Ocidental
A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus responsáveis por doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
A transmissão ocorre principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas. O mosquito pode adquirir o vírus ao se alimentar do sangue de aves infectadas e posteriormente transmiti-lo a seres humanos.
O infectologista Álvaro Furtado da Costa ressaltou que o simples contato com aves não significa que uma pessoa será infectada.
“Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal.”
Segundo o médico, a identificação de locais onde ocorre mortalidade anormal de aves pode contribuir para o monitoramento da circulação do vírus.
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Maioria das infecções não apresenta sintomas
A infecção pelo vírus do Nilo Ocidental pode não provocar sintomas. A estimativa apresentada pelo especialista é de que aproximadamente 20% das pessoas infectadas desenvolvam manifestações clínicas.
Quando aparecem, os sintomas geralmente são leves e podem incluir febre, mal-estar, falta de apetite, náuseas, vômitos, dor de cabeça, dor muscular e dor nos olhos.
Também podem ocorrer manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos.
Em uma parcela menor dos pacientes, a doença pode provocar manifestações neurológicas, como confusão mental, redução do nível de consciência, tremores e convulsões.
Os casos graves podem evoluir para encefalite, meningite e outras alterações neurológicas. Nessas situações, é necessária avaliação médica imediata e, dependendo da condição do paciente, hospitalização.
Não existe vacina para humanos
Atualmente, não há vacina nem tratamento antiviral específico disponível para a febre do Nilo Ocidental em seres humanos.
O tratamento é direcionado aos sintomas e pode envolver repouso, hidratação e acompanhamento médico. Nos quadros mais graves, o paciente pode precisar de internação hospitalar e suporte em unidade de terapia intensiva.
Entre as medidas utilizadas nesses casos estão reposição de líquidos por via intravenosa, suporte respiratório e cuidados para prevenir ou tratar possíveis complicações.
O diagnóstico depende da avaliação clínica e de exames laboratoriais, considerando também o histórico de exposição do paciente a áreas onde exista circulação do vírus ou presença do mosquito transmissor.
Casos confirmados em São Paulo
São Paulo registrou, pela primeira vez, casos humanos de febre do Nilo Ocidental. Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac, da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, duas pessoas tiveram a infecção confirmada.
Uma delas é uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto. Ela informou que havia viajado recentemente para a região amazônica e já está curada.
O segundo caso envolve uma adolescente de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos.
As equipes municipais e estaduais investigam os casos para identificar os possíveis locais de infecção e orientar as medidas de prevenção.
Vigilância também ocorre em outros estados
Além dos dois casos confirmados em São Paulo, o Ministério da Saúde informou a confirmação de dois casos em Santa Catarina. Um deles evoluiu para morte.
Também há um caso provável no Piauí.
Diante dos registros, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão.
A investigação também envolve o monitoramento de aves, já que elas desempenham papel importante no ciclo de transmissão do vírus.
Sintomas exigem atenção
Embora a maior parte das infecções seja leve ou não apresente sintomas, a presença de sinais neurológicos deve ser considerada um alerta.
Febre acompanhada de confusão mental, alteração do nível de consciência, tremores ou convulsões exige atendimento médico imediato.
O especialista também destaca que os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos de outras arboviroses, como dengue e zika, o que reforça a importância da avaliação profissional para estabelecer o diagnóstico correto.
Para Álvaro Furtado da Costa, o cenário atual exige acompanhamento e vigilância, mas não deve provocar pânico na população. Segundo ele, o objetivo é compreender onde o vírus está circulando e adotar medidas adequadas de prevenção e controle.




