O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (20) uma nova seleção do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde – PET Saúde Informação e Saúde Digital (PET Saúde I&SD), voltada aos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia em parceria com Secretarias de Saúde. O objetivo é desenvolver projetos de pesquisa, formação e inovação aplicados à transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS).
As inscrições começaram em 20 de agosto e seguem até 8 de setembro de 2026. O edital prevê projetos com duração de 24 meses e estabelece ações relacionadas à formação profissional, desenvolvimento de soluções digitais, interoperabilidade, análise de dados e uso responsável das tecnologias na saúde pública.
Seleção reúne Saúde e Educação
A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), ambas do Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), do Ministério da Educação.
O edital permite a participação de Institutos Federais de todo o país, desde que apresentem projetos em parceria com Secretarias de Saúde estaduais, distrital ou municipais.
Segundo o Ministério da Saúde, a proposta busca aproximar a formação profissional e tecnológica dos desafios encontrados nos serviços públicos de saúde. A ideia é integrar estudantes, professores, profissionais de saúde e gestores em projetos desenvolvidos a partir de necessidades concretas do SUS.
A seleção faz parte da agenda de transformação digital do sistema público e está alinhada às diretrizes do Programa SUS Digital.
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Projetos terão três áreas de atuação
As propostas apresentadas pelos Institutos Federais poderão contemplar um ou mais de três eixos definidos pelo programa.
O primeiro eixo envolve cultura de saúde digital, formação e educação permanente em informação e saúde digital. A área inclui ações destinadas à capacitação de profissionais e ao desenvolvimento de conhecimentos para utilização das ferramentas digitais.
O segundo eixo é voltado ao desenvolvimento e à utilização de soluções tecnológicas e serviços de saúde digital no SUS. Nesse campo, os projetos poderão trabalhar com ferramentas que contribuam para melhorar processos, serviços e gestão do cuidado.
O terceiro eixo concentra ações relacionadas à interoperabilidade, análise e disseminação de dados e informações de saúde.
A interoperabilidade permite que diferentes sistemas consigam trocar e utilizar informações de maneira integrada. No SUS, essa integração é relevante para facilitar o compartilhamento de dados entre serviços e apoiar a continuidade do atendimento.
Grupos vão reunir estudantes e profissionais
Cada proposta poderá contar com três a dez grupos de aprendizagem tutorial. Esses grupos deverão reunir docentes dos Institutos Federais, estudantes e profissionais que atuam nos serviços ou na gestão do SUS.
A proposta é que as atividades combinem ensino, pesquisa e inovação. Os participantes deverão trabalhar sobre desafios identificados nos próprios serviços públicos de saúde.
Cada projeto selecionado terá duração de 24 meses.
O edital também determina que cada projeto crie um Núcleo de Pesquisa e Inovação ou seja incorporado a um núcleo já existente no Instituto Federal responsável pela proposta.
Esses núcleos terão atuação direcionada ao desenvolvimento de pesquisas e soluções aplicadas à informação e à saúde digital, em alinhamento com as políticas do Programa SUS Digital.
Formação profissional é parte da iniciativa
Para o Ministério da Saúde, a transformação digital não envolve apenas a implantação de equipamentos ou sistemas. A formação de profissionais capazes de utilizar, analisar e desenvolver tecnologias também está entre os objetivos da seleção.
A secretária de Informação e Saúde Digital, Maria Aparecida Cina da Silva, destacou a integração entre os Institutos Federais e as Secretarias de Saúde.
Segundo ela, a iniciativa pretende aproximar a formação profissional das necessidades dos serviços e da população, com foco em áreas como saúde digital, interoperabilidade e uso qualificado de dados.
O secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, afirmou que a participação dos Institutos Federais amplia a integração entre as instituições de ensino e o SUS.
Ele também destacou que o programa chega à 13ª edição e que a nova etapa amplia a participação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica na agenda de saúde digital.
Proteção de dados e redução de desigualdades
Entre as diretrizes do edital estão o uso responsável dos dados e a proteção de informações pessoais.
Os projetos também deverão estimular a formação interdisciplinar e o trabalho interprofissional, além de desenvolver soluções voltadas às necessidades dos serviços e da população.
Outro ponto previsto é o fortalecimento do ecossistema de saúde digital do SUS e a redução das desigualdades no acesso a soluções e serviços digitais nas diferentes regiões do país.
O edital também menciona a promoção da soberania digital nacional, dentro da estratégia de desenvolvimento de capacidades e soluções relacionadas à transformação digital da saúde pública.
Na prática, os projetos selecionados deverão estar relacionados a demandas concretas do sistema de saúde, evitando que a pesquisa fique desvinculada da realidade dos serviços.
Projetos poderão ter parceria com iniciativas anteriores
A nova seleção amplia a participação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no PET Saúde Informação e Saúde Digital.
Além dos Institutos Federais e das Secretarias de Saúde, os projetos poderão, quando possível, ser desenvolvidos em articulação com iniciativas selecionadas na edição de 2025 do programa.
Essa possibilidade permite a continuidade ou integração de trabalhos relacionados à transformação digital e à inovação no SUS.
A participação das instituições de ensino também busca ampliar as oportunidades para estudantes e professores desenvolverem experiências práticas relacionadas à tecnologia aplicada à saúde pública.
Como participar da seleção
As propostas deverão ser cadastradas por meio de formulário eletrônico disponibilizado na página do PET Saúde Informação e Saúde Digital no portal do Ministério da Saúde.
O preenchimento deve ser feito pelo coordenador do projeto, que precisa ser docente do Instituto Federal proponente.
Também será necessário encaminhar o Termo de Compromisso assinado pelos representantes legais das instituições participantes.
O prazo para inscrição termina em 8 de setembro de 2026.
De acordo com o cronograma divulgado pelo Ministério da Saúde, o resultado preliminar da seleção está previsto para 7 de outubro, enquanto o resultado final deverá ser publicado em 21 de outubro de 2026.
As atividades dos projetos selecionados têm início previsto para 1º de fevereiro de 2027.
O que muda para o SUS
A seleção cria uma frente de participação dos Institutos Federais em projetos relacionados à digitalização dos serviços públicos de saúde.
Entre os resultados esperados estão a formação de profissionais, desenvolvimento de soluções tecnológicas, produção de conhecimento e aprimoramento do uso de dados no SUS.
A iniciativa também busca aproximar instituições de ensino e gestores públicos para que pesquisas e projetos de inovação sejam desenvolvidos de acordo com problemas identificados nos serviços de saúde.
Com duração de dois anos, os projetos selecionados deverão manter suas atividades vinculadas aos objetivos definidos pelo edital e às diretrizes do Programa SUS Digital.
A nova edição do PET Saúde Informação e Saúde Digital, portanto, combina formação acadêmica, pesquisa aplicada e inovação tecnológica dentro da estrutura do sistema público de saúde.









