Qualidade do ar em Manaus piora após vazamento de estireno

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Manaus enfrenta piora na qualidade do ar após o vazamento de monômero de estireno registrado na fábrica Innova, no Distrito Industrial, Zona Sul da capital. O incidente, ocorrido na tarde de quarta-feira (15), mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Defesa Civil e Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), que seguem monitorando a ocorrência nesta quinta-feira (16). O caso é relevante devido aos impactos na saúde da população, à suspensão de atividades em escolas e empresas e ao aumento no número de atendimentos médicos relacionados à exposição ao produto químico.

Até a manhã desta quinta-feira (16), a Secretaria de Estado de Saúde informou que 107 pessoas receberam atendimento médico após apresentarem sintomas compatíveis com exposição ao estireno. Segundo o órgão, 104 pacientes receberam alta e três permanecem internados. Paralelamente, autoridades mantêm um raio de isolamento de 300 metros ao redor do tanque onde ocorreu o vazamento enquanto equipes trabalham no resfriamento da estrutura.

Qualidade do ar preocupa moradores

A qualidade do ar passou a ser uma das principais preocupações após a liberação de vapores de monômero de estireno, substância utilizada na fabricação de plásticos e borrachas sintéticas.

Embora um mapa de dispersão compartilhado nas redes sociais indique possíveis áreas atingidas pela direção predominante dos ventos, o material não foi confirmado oficialmente pelos órgãos responsáveis. As autoridades orientam que a população acompanhe apenas informações divulgadas pelos canais oficiais.

Mesmo assim, moradores de diversos bairros relataram forte odor característico do produto químico ao longo desta quinta-feira.

Bairros que podem sentir maior impacto

Conforme o mapa de dispersão que circula nas redes sociais, considerando ventos predominantes de Leste-Sudeste (ESE) para Oeste-Noroeste (ONO), os bairros que podem registrar maior percepção do odor são:

  • Distrito Industrial;
  • Educandos;
  • Cachoeirinha;
  • Praça 14 de Janeiro;
  • Centro;
  • São Raimundo;
  • Glória;
  • Nossa Senhora das Graças;
  • Dom Pedro;
  • Adrianópolis, dependendo da mudança na direção dos ventos.

As autoridades reforçam, entretanto, que a dispersão de gases depende das condições meteorológicas e pode sofrer alterações ao longo do dia, motivo pelo qual o monitoramento permanece constante.

Mais de 100 atendimentos médicos

O secretário de Estado de Saúde do Amazonas, Luiz Alberto Saraiva Campos, informou que o número de atendimentos relacionados ao incidente chegou a 107 pacientes.

Segundo a SES-AM, os sintomas mais frequentes registrados foram:

  • irritação nos olhos;
  • irritação no nariz e garganta;
  • dor de cabeça;
  • tontura;
  • náusea;
  • desconforto respiratório.

A maior parte dos pacientes recebeu atendimento e foi liberada após avaliação médica.

Corpo de Bombeiros mantém operação

O vazamento ocorreu em um tanque de armazenamento de monômero de estireno da empresa Innova, instalada no Distrito Industrial de Manaus.

Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, a principal hipótese é que tenha ocorrido uma reação espontânea no interior do tanque, provocando aumento da temperatura e da pressão interna.

De acordo com a corporação, o acionamento das válvulas de segurança evitou uma explosão ou incêndio de maiores proporções.

As equipes seguem realizando o resfriamento do tanque e monitorando continuamente a temperatura da estrutura para impedir novos riscos.

Uma perícia será realizada para identificar oficialmente as causas do incidente.

Escolas, empresas e serviços públicos foram afetados

Como medida preventiva, diversos serviços tiveram funcionamento alterado nesta quinta-feira (16).

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) suspendeu as atividades em 16 escolas municipais, enquanto a Secretaria de Estado de Educação interrompeu as aulas em três escolas estaduais.

Também suspenderam temporariamente o atendimento:

  • o PAC Studio 5;
  • uma unidade do Serviço Social da Indústria (Sesi);
  • empresas instaladas no Distrito Industrial, que liberaram funcionários diante da persistência do odor químico.

A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) informou que 18 empresas adotaram medidas preventivas para proteger trabalhadores.

Orientações para a população

A Defesa Civil e a Secretaria de Estado de Saúde orientam que moradores das áreas próximas ao Distrito Industrial adotem medidas preventivas enquanto persistirem vapores do produto.

Entre as recomendações estão:

  • permanecer em locais bem ventilados;
  • manter portas e janelas abertas;
  • desligar aparelhos que captem ar externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação;
  • evitar atividades físicas ao ar livre caso o odor esteja intenso;
  • procurar atendimento médico diante de sintomas como irritação nos olhos, dificuldade respiratória, tontura, náusea ou dor de cabeça.

Especialistas explicam que o estireno possui elevada volatilidade quando aquecido, podendo formar vapores com odor intenso e causar irritações em pessoas expostas, principalmente em ambientes fechados.

Monitoramento continua durante toda a operação

O Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a SES-AM, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e demais órgãos envolvidos permanecem acompanhando a ocorrência.

Segundo os bombeiros, a operação continuará até que a temperatura do tanque seja totalmente estabilizada e não haja mais risco de novas liberações de vapores.

A Suframa informou que acompanha a situação e aguarda os resultados das investigações técnicas sobre as causas do incidente e seus possíveis impactos ambientais e à saúde pública.

Até o momento, não houve divulgação oficial sobre eventual responsabilização da empresa pelo vazamento.

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