Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, com início previsto para 22 de julho de 2026. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), afeta principalmente bens industriais e alguns produtos do agronegócio, enquanto diversos dos principais itens exportados pelo Brasil permaneceram isentos da nova cobrança. A decisão pode impactar empresas exportadoras, cadeias produtivas e a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os Estados Unidos importaram cerca de US$ 37,7 bilhões em produtos brasileiros durante 2025. Embora parte significativa desse comércio permaneça preservada pelas exceções anunciadas pelo governo americano, diversos setores passarão a enfrentar custos maiores para exportar ao mercado dos EUA.
Nova tarifa entra em vigor em 22 de julho
A nova tarifa foi adotada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
O governo dos Estados Unidos concluiu que determinadas práticas comerciais brasileiras justificariam a aplicação de medidas tarifárias adicionais sobre uma ampla lista de mercadorias exportadas pelo Brasil.
A cobrança extra será aplicada a partir de 22 de julho de 2026, incidindo sobre milhares de produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano.
Produtos que ficaram fora da nova tarifa
Apesar da amplitude da medida, boa parte dos principais produtos exportados pelo Brasil continuará isenta da nova tarifa.
Entre os itens preservados estão produtos que representam parcela significativa da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos.
Segundo levantamento elaborado a partir do Comex Stat, sistema oficial do MDIC, ficaram de fora da cobrança adicional:
- petróleo bruto;
- café em grão;
- aeronaves;
- carne bovina congelada;
- celulose branqueada;
- ferro-gusa;
- minério de ferro;
- ferro-nióbio;
- combustíveis de aviação;
- partes de turbinas;
- suco de laranja congelado;
- suco de laranja não congelado;
- silício.
Também foram preservados produtos como:
- couro bovino;
- mel natural;
- café solúvel;
- hidróxido de alumínio;
- alguns produtos de madeira.
Esses produtos representam uma parcela relevante das exportações brasileiras para o mercado norte-americano e ajudam a reduzir os impactos imediatos da medida sobre a balança comercial.
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Produtos que passarão a pagar a tarifa de 25%
A nova cobrança afetará principalmente bens industrializados e alguns produtos agrícolas.
Entre os principais produtos atingidos estão:
- máquinas industriais;
- carregadeiras;
- bulldozers;
- motoniveladoras;
- transformadores elétricos;
- pneus para automóveis, caminhões e ônibus;
- gasolina;
- óleo combustível (fuel oil);
- açúcar de cana;
- etanol;
- tabaco em folhas;
- madeira serrada;
- madeira compensada;
- portas de madeira;
- chapas de alumínio;
- granito e pedras trabalhadas;
- matérias proteicas;
- calçados de couro.
Esses segmentos poderão enfrentar perda de competitividade devido ao aumento do custo de entrada dos produtos brasileiros no mercado americano.
Quanto os EUA compram do Brasil
Os Estados Unidos permaneceram entre os principais parceiros comerciais brasileiros em 2025.
Segundo o Comex Stat, o país importou aproximadamente:
- US$ 37,7 bilhões em produtos brasileiros durante o ano;
- os dez principais produtos responderam por quase metade desse valor.
A manutenção das isenções para parte desses produtos reduz os impactos imediatos sobre o volume total exportado, embora diversos setores industriais devam sentir os efeitos da nova política comercial.
Como funcionavam as tarifas antes da nova medida
Antes da decisão anunciada pelo USTR, os produtos brasileiros estavam sujeitos às chamadas tarifas de Nação Mais Favorecida (MFN), praticadas pelos Estados Unidos.
Essas tarifas variavam conforme cada produto e apresentavam média entre 3% e 3,5%.
Além disso, desde fevereiro de 2026, o governo norte-americano já havia implementado uma tarifa global adicional de 10% sobre importações provenientes de diversos países.
Ainda existe dúvida sobre cobrança acumulada
Um dos pontos que ainda gera dúvidas diz respeito à possível acumulação das tarifas.
Os documentos publicados pelo USTR confirmam a aplicação da nova tarifa de 25%, mas não esclarecem se ela será somada à tarifa global temporária de 10%.
Caso haja incidência conjunta das duas medidas, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar uma tributação adicional total de 35%.
Até o momento, o governo dos Estados Unidos não detalhou oficialmente como ocorrerá essa aplicação.
Aço e alumínio seguem outra regra
Determinados produtos siderúrgicos e de alumínio ficaram fora da nova tarifa de 25%.
Isso ocorre porque esses itens já são tributados pela Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, legislação utilizada pelos Estados Unidos para produtos considerados estratégicos para a segurança nacional.
Em 2025, essas tarifas foram elevadas para 50% em diversos produtos de aço e alumínio.
Segundo o USTR, esses itens permanecerão apenas sob a incidência da Seção 232, evitando dupla tributação.
Na prática, eles continuam pagando tarifas elevadas, mas não acumulam a nova cobrança da Seção 301.
Governo americano mantém outra investigação
Além da investigação concluída que resultou na tarifa de 25%, o USTR conduz outro procedimento envolvendo produtos brasileiros.
O órgão avalia denúncias relacionadas ao suposto uso de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.
Nas conclusões preliminares, foi sugerida a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre alguns produtos brasileiros.
Entretanto, essa investigação ainda não foi concluída e nenhuma decisão definitiva foi anunciada pelo governo norte-americano.
Impacto para empresas brasileiras
Especialistas avaliam que os principais impactos devem atingir empresas exportadoras dos setores industrial, madeireiro, sucroenergético e de bens de capital.
Produtos que permaneceram isentos tendem a preservar sua competitividade no mercado americano, enquanto os setores tarifados poderão enfrentar aumento de custos, redução da demanda e necessidade de buscar novos mercados consumidores.
O governo brasileiro informou que avalia medidas de resposta com base na Lei da Reciprocidade Econômica e também pretende recorrer aos mecanismos previstos pela Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando a legalidade das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.







