Saneamento básico no Amazonas exige investimentos urgentes

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Dados apresentados na Ufam apontam déficits em água, esgoto e drenagem, enquanto especialistas defendem obras para enfrentar os impactos da crise climática.

O enfrentamento das mudanças climáticas no Amazonas passa pela ampliação dos investimentos em saneamento básico, drenagem urbana e infraestrutura sustentável. A avaliação foi apresentada pelo engenheiro civil Marcellus Campêlo durante a abertura do Circuito Ambiental da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), realizada na segunda-feira (22), em Manaus. Segundo ele, essas áreas são fundamentais para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de resposta dos municípios diante de eventos climáticos extremos.

Dados apresentados durante a palestra mostram que mais de 809 mil amazonenses ainda não possuem acesso à rede de abastecimento de água, enquanto mais de 3 milhões vivem sem coleta de esgoto. Além disso, cerca de 697 mil habitantes não contam com coleta regular de lixo e 36 municípios do estado não possuem sistemas estruturados de drenagem urbana. As informações são do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desafios climáticos exigem infraestrutura

A palestra integrou a programação do Circuito Ambiental, evento promovido pelo Programa de Extensão em Engenharia Civil e Sanitária (PEECS) da Ufam. A programação segue até sexta-feira (26), reunindo pesquisadores, estudantes, profissionais e especialistas para discutir soluções voltadas à sustentabilidade, gestão hídrica e adaptação climática na Amazônia.

Durante a apresentação, Marcellus Campêlo destacou que os eventos extremos vêm se tornando mais frequentes e intensos, exigindo planejamento e investimentos permanentes em infraestrutura.

Segundo ele, obras de saneamento, drenagem, habitação e recuperação ambiental desempenham papel estratégico na redução dos impactos provocados por enchentes, alagamentos e outros fenômenos climáticos.

Mais de 3 milhões sem coleta de esgoto

Os números apresentados evidenciam desafios históricos enfrentados pelo Amazonas. Conforme os dados do SINISA e do IBGE, milhões de moradores ainda não possuem acesso a serviços considerados essenciais para a saúde pública e a qualidade de vida.

A ausência de redes de esgotamento sanitário, sistemas adequados de drenagem e coleta de resíduos sólidos contribui para o aumento de riscos ambientais e sanitários, especialmente durante períodos de fortes chuvas.

Especialistas apontam que a ampliação da infraestrutura básica é uma das principais ferramentas para aumentar a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.

Obras realizadas pelo Prosamin+

Durante a palestra, Campêlo também apresentou resultados de projetos executados ao longo de sua gestão à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE).

Entre os destaques está o Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), que implantou 34 quilômetros de novas redes de drenagem urbana, além de ações de recuperação ambiental, reassentamento de famílias em áreas de risco e recomposição vegetal em margens de igarapés.

O programa também incluiu obras voltadas à redução de alagamentos e proteção de comunidades vulneráveis, buscando minimizar os efeitos das chuvas intensas na capital amazonense.

Infraestrutura verde ganha espaço

Outro ponto destacado foi a adoção de soluções sustentáveis integradas aos projetos urbanos. Segundo os dados apresentados, cerca de 25% das áreas de intervenção do Prosamin+ foram destinadas ao reflorestamento e à recuperação ambiental.

Ao todo, mais de 110 mil metros quadrados de áreas degradadas passaram por recuperação, com previsão de plantio de aproximadamente 13,5 mil mudas.

A estratégia busca conciliar desenvolvimento urbano e preservação ambiental, contribuindo para o equilíbrio ecológico das áreas impactadas por obras de infraestrutura.

Iluminação e saneamento em comunidades

Campêlo também citou iniciativas voltadas ao fortalecimento da infraestrutura em municípios do interior. Entre elas está o Programa Ilumina+, que implantou mais de 119 mil pontos de iluminação pública em LED nos 61 municípios do interior do Amazonas.

Além disso, foi apresentado o projeto-piloto SIRWASH, desenvolvido na comunidade Boa União do Rumo Certo, em Presidente Figueiredo. A iniciativa prevê soluções sustentáveis para abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem e gestão comunitária dos serviços.

O projeto busca ampliar o acesso à infraestrutura básica em áreas rurais da Amazônia, levando serviços essenciais para populações mais distantes dos grandes centros urbanos.

Universidade destaca integração entre ciência e gestão

Para o professor doutor Matheus Pena Silva, chefe do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Tecnologia da Ufam e organizador do Circuito Ambiental, a aproximação entre universidade e gestão pública é fundamental para enfrentar os desafios ambientais da região.

Segundo ele, a engenharia possui papel estratégico na formulação de soluções voltadas à sustentabilidade e à adaptação climática. O evento busca justamente promover o diálogo entre academia, setor público e sociedade civil.

A programação segue até o dia 26 de junho com palestras, debates e apresentações voltadas aos desafios ambientais da Amazônia e às alternativas para fortalecer a resiliência das cidades diante das mudanças climáticas.

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