O governador Roberto Cidade anunciou nesta quinta-feira (11) a criação de um comitê estadual para monitorar e coordenar ações de enfrentamento à seca prevista para 2026 no Amazonas. A medida foi apresentada durante coletiva de imprensa e tem como objetivo preparar o estado para possíveis impactos semelhantes aos registrados em 2023, quando uma das estiagens mais severas da história recente afetou milhares de famílias amazonenses.
Segundo o Governo do Amazonas, as projeções meteorológicas indicam aumento da probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode provocar redução das chuvas, elevação das temperaturas e diminuição dos níveis dos rios nos próximos meses. O decreto de emergência climática e ambiental tem validade inicial de 180 dias.
Governo antecipa medidas para minimizar impactos
Durante o anúncio, Roberto Cidade afirmou que a estratégia do governo é atuar de forma preventiva para reduzir os efeitos sociais, econômicos e ambientais provocados pela estiagem.
De acordo com o governador, a experiência vivida pelo estado em 2023 demonstrou a necessidade de planejamento antecipado para garantir assistência às populações mais afetadas e preservar a logística de abastecimento em diferentes regiões do Amazonas.
“Estamos nos antecipando porque sabemos que os efeitos podem ser parecidos com os de 2023. Precisamos estar preparados para atender a população e reduzir os prejuízos”, declarou o governador.
A estiagem histórica de 2023 provocou isolamento de comunidades, dificuldades no transporte fluvial, desabastecimento de produtos e impactos diretos na economia regional.
Comitê climático começa atividades na próxima semana
Uma das principais medidas anunciadas pelo governo é a instalação de um comitê estadual voltado ao acompanhamento das condições climáticas e à coordenação das ações de resposta.
O grupo será formado por representantes de órgãos estaduais ligados à Defesa Civil, assistência social, monitoramento ambiental, logística e infraestrutura.
Segundo o governador, as reuniões do comitê devem iniciar já na próxima semana, permitindo que o Estado acompanhe de forma contínua a evolução dos indicadores climáticos e adote medidas emergenciais quando necessário.
Roberto Cidade também esclareceu que o decreto não está relacionado à realização de contratações emergenciais.
De acordo com ele, o governo já possui contratos e atas de registro de preços que permitem a aquisição rápida de insumos e equipamentos caso haja necessidade de atendimento à população durante a seca.
Defesa Civil alerta para possível atuação do El Niño
O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Clóvis Araújo Pinto Júnior, explicou que os centros de monitoramento climático têm registrado aumento nas probabilidades de atuação do fenômeno El Niño entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.
O fenômeno climático costuma provocar redução das chuvas na Amazônia e aumento das temperaturas, criando condições favoráveis para secas mais intensas e prolongadas.
Segundo o secretário, o governo está reforçando os planos de assistência humanitária e logística para garantir atendimento rápido às comunidades que possam ser impactadas.
“O objetivo é manter o Estado preparado para atender rapidamente a população e garantir o suporte necessário diante dos impactos da seca”, afirmou.
Níveis dos rios já são monitorados
Outro ponto destacado durante a coletiva foi o acompanhamento permanente das calhas dos rios amazonenses.
Segundo o governador, alguns trechos já apresentam sinais de redução nos níveis das águas, cenário que exige atenção dos órgãos responsáveis pelo monitoramento hidrológico.
A navegação fluvial é responsável pelo transporte de passageiros, alimentos, medicamentos, combustíveis e diversos insumos essenciais para os municípios do interior.
Qualquer alteração significativa na navegabilidade pode gerar impactos diretos na economia e no abastecimento das cidades amazonenses.
Governo busca apoio federal para dragagem
Durante o anúncio, Roberto Cidade também defendeu a ampliação do apoio do Governo Federal para a execução de serviços de dragagem em rios considerados estratégicos para a logística regional.
O governador citou o Rio Madeira como uma das principais prioridades devido à sua importância para o transporte de mercadorias e insumos destinados ao Amazonas.
A dragagem consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito dos rios para garantir condições adequadas de navegação mesmo durante períodos de seca severa.
Segundo Cidade, a medida é considerada fundamental para evitar interrupções no fluxo de cargas e minimizar prejuízos econômicos durante a estiagem.
Impactos podem atingir diferentes setores
Especialistas apontam que períodos prolongados de seca podem afetar diversas áreas da vida econômica e social do Amazonas.
Entre os principais impactos estão dificuldades de abastecimento, aumento dos custos logísticos, redução da produção pesqueira, prejuízos ao setor agrícola e maior incidência de queimadas e incêndios florestais.
A saúde pública também pode ser impactada devido à piora da qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas e pela escassez de água em determinadas regiões.
Diante desse cenário, o Governo do Amazonas afirma que continuará monitorando as condições climáticas e ampliando as ações preventivas para reduzir os efeitos da estiagem prevista para os próximos meses.








