A vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) reduziu em 75,6% as internações hospitalares entre idosos, segundo um estudo que analisou dados de mais de 2,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Os resultados, divulgados nesta quinta-feira (2), também apontam redução significativa nas formas graves da doença, nas mortes e nas complicações cardiovasculares associadas à infecção.
A pesquisa comparou aproximadamente 520 mil idosos vacinados com o imunizante Arexvy e cerca de 2 milhões de pessoas não vacinadas, entre agosto de 2023 e maio de 2024. Os dados foram apresentados pela farmacêutica GSK durante a Conferência da Respiratory Syncytial Virus Foundation e reforçam a eficácia da vacina já observada em estudos clínicos.
Estudo mostra queda nas hospitalizações e nas mortes
Além da redução de 75,6% nas internações, os pesquisadores identificaram que os idosos imunizados registraram 79,1% menos hospitalizações consideradas graves e 66,8% menos mortes relacionadas ao vírus sincicial respiratório.
Os resultados foram obtidos por meio da análise de dados reais de pacientes acompanhados durante nove meses, permitindo comparar a evolução clínica entre vacinados e não vacinados após ajustes estatísticos.
Segundo a GSK, fabricante do imunizante Arexvy, os números confirmam que a vacina mantém alta efetividade também fora do ambiente controlado dos ensaios clínicos.
Vacinação também reduz complicações cardiovasculares
Outro dado relevante apresentado pelo estudo é a redução das complicações associadas à infecção pelo VSR.
Entre os idosos vacinados que precisaram ser hospitalizados, houve 63,1% menos eventos cardiovasculares graves, incluindo infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
Os pesquisadores também observaram menor agravamento de doenças crônicas frequentemente presentes nessa faixa etária, como:
- asma;
- doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
- diabetes;
- doença renal.
Esses resultados indicam que a vacinação pode contribuir para reduzir não apenas os impactos respiratórios do vírus, mas também complicações em outros órgãos.
Leia também: Câmara aprova projeto que amplia tempo de proteção de patentes de variedades de cultivares; acompanhe
VSR também representa risco elevado para idosos
Embora seja conhecido principalmente como uma das principais causas de bronquiolite em bebês, o vírus sincicial respiratório também provoca quadros graves em pessoas idosas.
Segundo o cardiologista José Carlos Zanon, integrante do Departamento de Cardiogeriatria da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o envelhecimento reduz naturalmente a capacidade do sistema imunológico responder às infecções.
Esse processo, chamado de imunossenescência, aumenta o risco de hospitalizações, agravamento de doenças preexistentes e mortalidade.
“O VSR pode desencadear uma intensa resposta inflamatória no organismo, agravando doenças cardiovasculares, diabetes e outras enfermidades já existentes”, explica o especialista.
Dados da Fiocruz mostram aumento dos casos
Informações da plataforma InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostram que o vírus sincicial respiratório permanece entre os principais responsáveis pelos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil.
No primeiro semestre de 2026, o VSR respondeu por 38,1% dos casos confirmados de SRAG causada por vírus respiratórios e por 11,5% das mortes registradas.
As crianças de até dois anos continuam sendo o grupo mais afetado, seguidas pelos idosos.
A Fiocruz também aponta que o período entre o outono e o inverno favorece a circulação do vírus. Somente durante o mês de junho, o VSR passou a representar mais de 50% dos casos graves provocados por vírus respiratórios.
Diagnóstico ampliado aumentou identificação da doença
Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o avanço dos exames laboratoriais permitiu identificar melhor o impacto do VSR entre adultos mais velhos.
Segundo ele, estudos recentes demonstram que o vírus pode provocar hospitalizações prolongadas e apresentar risco de morte semelhante ou até superior ao observado em alguns casos de influenza.
A identificação precoce dos casos também auxilia no planejamento das políticas públicas voltadas à prevenção das doenças respiratórias.
Como está a vacinação no Brasil
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atualmente a vacina contra o VSR apenas para gestantes.
A estratégia busca proteger os recém-nascidos por meio da transferência de anticorpos durante a gestação, reduzindo o risco de formas graves da doença nos primeiros meses de vida.
Para adultos, dois imunizantes contra o vírus sincicial respiratório já receberam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estão disponíveis na rede privada.
Quem deve receber a vacina
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacinação para:
- pessoas com 70 anos ou mais;
- adultos entre 60 e 69 anos que apresentem fatores de risco;
- pessoas imunocomprometidas, independentemente da idade.
Especialistas ressaltam que a imunização representa uma importante estratégia de prevenção para reduzir hospitalizações, complicações clínicas e mortes relacionadas ao vírus sincicial respiratório, especialmente durante os períodos de maior circulação da doença.
Com a chegada dos meses de maior incidência das infecções respiratórias, os resultados do estudo reforçam a importância da vacinação como ferramenta para proteger grupos mais vulneráveis e reduzir a pressão sobre os serviços de saúde.





