As terras indígenas mais desmatadas da Amazônia em 2025 estão majoritariamente localizadas no Amazonas, segundo relatório divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O estudo “Ameaça em Áreas Protegidas” aponta que oito das dez áreas indígenas mais pressionadas pelo avanço do desmatamento estão total ou parcialmente dentro do estado, evidenciando o aumento da pressão ambiental sobre territórios protegidos e populações tradicionais.
O levantamento identifica desmatamento registrado dentro dos limites dessas áreas, cenário que representa risco direto à biodiversidade amazônica e aos modos de vida indígenas. O relatório foi divulgado nesta semana e reúne dados de monitoramento ambiental ao longo do último ano.
Ranking das terras indígenas mais desmatadas no Amazonas
De acordo com o estudo, as terras indígenas mais desmatadas ou sob maior pressão em 2025 incluem territórios distribuídos entre Amazonas e estados vizinhos. As áreas identificadas são:
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Andirá-Marau (AM/PA);
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Vale do Javari (AM);
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Waimiri Atroari (AM/RR);
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Yanomami (AM/RR);
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Kaxuyana-Tunayana (AM/PA);
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Trombetas/Mapuera (AM/PA/RR);
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Alto Rio Negro (AM);
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Nhamundá-Mapuera (AM/PA).
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Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o avanço do desmatamento nessas áreas ocorre principalmente por pressões associadas à exploração ilegal de madeira, garimpo, abertura de ramais e ocupações irregulares.
O pesquisador Carlos Souza Jr., do instituto, afirma que o cenário exige integração entre órgãos públicos e comunidades locais para conter a degradação ambiental.
Impactos ambientais e sociais nas terras indígenas mais desmatadas
O aumento do desmatamento dentro das áreas protegidas compromete funções ambientais essenciais da floresta, como regulação climática, preservação da biodiversidade e proteção de recursos hídricos.
Além dos impactos ambientais, o relatório destaca consequências sociais relevantes. As terras indígenas mais desmatadas enfrentam ameaças diretas às populações tradicionais, incluindo:
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perda de áreas de caça e pesca;
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redução da segurança alimentar;
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conflitos territoriais;
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riscos sanitários e sociais.
Especialistas apontam que a destruição da cobertura florestal altera o equilíbrio ecológico e aumenta a vulnerabilidade das comunidades indígenas, que dependem diretamente dos recursos naturais para subsistência.
Áreas protegidas ameaçadas no entorno
O estudo também avaliou regiões próximas às terras indígenas e identificou forte pressão ambiental no entorno desses territórios. Entre as áreas mais ameaçadas pelo avanço do desmatamento estão:
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Parque Nacional Mapinguari — 2º lugar no ranking geral;
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Terra Indígena Kulina do Médio Juruá (AC/AM) — 3ª posição;
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Terra Indígena Jacareúba/Katawixi (AM) — entre as dez mais ameaçadas.
A pesquisadora Bianca Santos, do Imazon, alerta que a pressão no entorno costuma anteceder o avanço do desmatamento para dentro das áreas protegidas, criando um efeito de expansão gradual da degradação.
Segundo ela, sem ações contínuas de fiscalização e políticas estruturadas, a ameaça tende a se transformar em perda definitiva de floresta.
Necessidade de políticas públicas específicas
A recorrência do Amazonas entre as terras indígenas mais desmatadas reforça a necessidade de políticas públicas voltadas especificamente à proteção territorial no estado. O relatório destaca que estratégias eficazes devem incluir:
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fortalecimento da fiscalização ambiental;
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atuação integrada entre órgãos federais e estaduais;
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monitoramento permanente por satélite;
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incentivo à gestão territorial indígena;
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participação ativa das comunidades na proteção ambiental.
Pesquisadores defendem que a gestão compartilhada entre governo e povos indígenas é um dos caminhos mais eficazes para reduzir o avanço do desmatamento, especialmente em regiões remotas da Amazônia.
Pressão crescente sobre áreas protegidas
O levantamento do Imazon mostra que, apesar do status legal de proteção, as terras indígenas continuam entre os territórios mais pressionados da Amazônia Legal. A presença recorrente dessas áreas nos rankings anuais indica que a proteção formal, por si só, não tem sido suficiente para conter atividades ilegais.
A tendência observada em 2025 reforça o desafio ambiental enfrentado pelo Amazonas, estado que concentra grande parte da floresta preservada do país, mas também áreas estratégicas visadas por atividades econômicas ilegais.
Especialistas alertam que a preservação dessas áreas é considerada essencial para o equilíbrio climático regional e global, além da garantia dos direitos territoriais dos povos indígenas.





