O Teatro Amazonas celebra, nesta terça-feira (3), em Manaus, o reconhecimento como Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A cerimônia está marcada para as 19h, no próprio monumento, localizado no Centro da capital amazonense. A programação é gratuita e aberta ao público.
A conquista foi oficializada em 27 de julho de 2026, durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul. A inscrição reconheceu conjuntamente o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém (PA), sob a denominação Teatros da Amazônia. A candidatura também contempla o Largo de São Sebastião e a Praça da República, espaços públicos associados aos monumentos.
Teatro Amazonas e Theatro da Paz recebem reconhecimento conjunto
A decisão da Unesco considera o valor histórico, arquitetônico e cultural dos dois teatros, construídos durante o período de expansão econômica provocado pelo ciclo da borracha na Amazônia, entre o final do século XIX e o início do século XX.
De acordo com os registros do Centro do Patrimônio Mundial da Unesco, a inscrição foi aprovada com base nos critérios II e IV. O primeiro considera o intercâmbio de valores humanos ao longo do tempo, especialmente nas áreas da arquitetura, das artes e do planejamento urbano. O segundo reconhece conjuntos arquitetônicos que representam períodos importantes da história.
O reconhecimento abrange os edifícios históricos e sua relação com os espaços públicos do entorno. Em Manaus, o conjunto inclui o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião. Em Belém, contempla o Theatro da Paz e a Praça da República.
A inscrição é classificada como patrimônio cultural seriado, modalidade utilizada pela Unesco para reunir diferentes componentes que compartilham valores históricos e culturais.
Brasil passa a ter 26 patrimônios mundiais
Com a inclusão dos Teatros da Amazônia, o Brasil passou a contabilizar 26 sítios na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Desse total, 16 são bens culturais, nove naturais e um misto, conforme informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Cultura e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A conquista também representa a primeira inscrição de Patrimônio Mundial Cultural localizada na Região Norte do país.
A candidatura foi coordenada pelo Iphan, com participação do Ministério da Cultura, do Ministério das Relações Exteriores e de instituições estaduais e municipais do Amazonas e do Pará.
Segundo a documentação oficial da Unesco, o bem possui área total de 8,84 hectares e zona de amortecimento de 153,76 hectares. O registro recebeu o número de referência 1774.
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Teatro Amazonas representa o ciclo da borracha
Inaugurado em 31 de dezembro de 1896, o Teatro Amazonas é um dos principais marcos arquitetônicos e históricos de Manaus. Sua construção começou em 1884, durante o período de crescimento econômico impulsionado pela comercialização da borracha.
As obras avançaram durante o governo de Eduardo Ribeiro, que administrou o Amazonas entre 1890 e 1896. Naquele período, a capital passou por transformações urbanas, com investimentos em infraestrutura e construção de equipamentos públicos.
O projeto arquitetônico teve participação do Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura, de Lisboa. A construção também reuniu materiais e elementos decorativos provenientes de diferentes países, refletindo a influência europeia sobre a arquitetura da época.
Entre as características do monumento estão a cúpula revestida de cerâmica policromada e vidros coloridos, os elementos de mármore de Carrara, os lustres de vidro de Murano e as pinturas que integram a decoração interna.
Um dos destaques é o painel de boca de cena, de autoria de Crispim do Amaral, que representa o encontro dos rios Negro e Solimões. Já o teto do Salão Nobre possui pintura atribuída ao artista italiano Domenico de Angelis.
Monumento já era protegido pelo patrimônio histórico brasileiro
Antes do reconhecimento internacional, o Teatro Amazonas já integrava o conjunto de bens protegidos pelo patrimônio histórico nacional. O edifício foi tombado pelo Iphan em 1966, passando a contar com proteção federal.
O Theatro da Paz, em Belém, também possui tombamento federal, realizado em 1963.
O reconhecimento da Unesco representa uma nova dimensão de valorização dos monumentos, considerando sua importância para a história cultural e urbana da região amazônica.
A inclusão na Lista do Patrimônio Mundial também amplia a visibilidade internacional dos conjuntos históricos e fortalece a necessidade de ações permanentes de conservação.
Entre os possíveis desdobramentos estão o incentivo ao turismo cultural, a cooperação técnica entre instituições e o intercâmbio de experiências na preservação de bens históricos.
Entretanto, a inscrição não representa concessão automática de recursos financeiros pela Unesco. A obtenção de apoio para conservação depende de mecanismos e projetos específicos.
Reconhecimento amplia responsabilidade pela preservação
A inclusão dos Teatros da Amazônia na lista internacional também envolve responsabilidades relacionadas à proteção dos monumentos e de seus entornos.
O reconhecimento considera não apenas a arquitetura dos edifícios, mas também a relação desses espaços com a formação histórica das cidades de Manaus e Belém.
Em Manaus, o Largo de São Sebastião integra esse contexto, reunindo equipamentos culturais e espaços públicos associados à história da capital amazonense.
A cerimônia desta terça-feira marca a celebração pública de uma conquista aprovada internacionalmente em julho. O reconhecimento coloca os dois teatros amazônicos entre os bens considerados de valor universal excepcional e registra, no patrimônio mundial, parte da história econômica, arquitetônica e cultural da Amazônia.







