Sérgio vieira cardoso morre aos 72 anos em Manaus

O multiartista amazonense Sérgio Vieira Cardoso morreu neste sábado (3), aos 72 anos, em Manaus. Integrante da Academia Amazonense de Letras (AAL), onde ocupava a cadeira nº 2, Cardoso construiu uma trajetória de mais de cinco décadas ligada ao teatro, literatura, cinema, fotografia, artes visuais e gestão cultural. A morte foi noticiada por diferentes veículos de imprensa do Amazonas.

Nascido em Manaus, em 10 de março de 1954, Sérgio Vieira Cardoso também teve carreira no serviço público. Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ingressou na Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM) em 1979, conciliando a atividade jurídica com a produção artística.

Sérgio Cardoso teve atuação em diferentes áreas da cultura

A carreira de Sérgio Cardoso foi marcada pela atuação em diferentes linguagens. Além de escritor e dramaturgo, desenvolveu trabalhos como diretor e cineasta, artista visual e gestor cultural.

A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas registra sua participação em projetos de preservação da memória cultural do Estado, especialmente por meio da produção de documentários sobre artistas e personalidades amazonenses.

Em 2020, a pasta divulgou uma série de documentários dirigidos por Sérgio Cardoso, com registros de artistas plásticos, críticos de cinema, fotógrafos, personalidades do teatro e outras figuras ligadas à cultura amazonense. Os trabalhos foram disponibilizados pelo Portal da Cultura durante o período de isolamento provocado pela pandemia de Covid-19.

Entre os trabalhos apresentados estavam documentários dedicados a nomes como Óscar Ramos, Joaquim Marinho, Edney Azancoth, Jandr Reis e Oscarino Farias, entre outros. A iniciativa tinha como eixo o registro de trajetórias e memórias relacionadas à produção cultural do Amazonas.

Documentários registraram memória cultural do Amazonas

A relação de Sérgio Cardoso com a preservação da memória cultural continuou nos anos seguintes.

Em agosto de 2024, o Cineteatro Guarany, em Manaus, recebeu a sessão “Cinema Memória”, com três documentários roteirizados e produzidos pelo cineasta. A programação foi promovida pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

Segundo a secretaria, os filmes registravam personalidades relacionadas à produção, à exibição e à movimentação do cinema na Amazônia durante as décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990.

Na ocasião, Sérgio Cardoso explicou a importância do trabalho de documentação histórica. Em declaração publicada pelo Governo do Amazonas, ele definiu os documentários como um trabalho de registro da memória e defendeu a valorização e preservação da memória amazonense.

Em outra iniciativa, realizada em setembro de 2023, o Cineclube de Arte apresentou a mostra “Memórias de personalidades manauaras”, também com direção de Sérgio Cardoso. A proposta reunia relatos de pessoas que vivenciaram diferentes períodos da história de Manaus.

Carreira jurídica começou antes da consolidação artística

A trajetória profissional de Sérgio Cardoso também passou pela advocacia pública.

De acordo com publicação comemorativa dos 50 anos da Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas, Cardoso graduou-se em Direito pela Ufam em 1976 e tomou posse como procurador do Estado em 1979. O documento também registra sua atuação paralela como escritor, dramaturgo e artista visual.

A própria PGE-AM registrou obras de Sérgio Cardoso instaladas no prédio da instituição. Segundo a publicação, os trabalhos foram produzidos em 2009 e passaram a integrar espaços como corredores, salas e gabinetes da Procuradoria.

Na produção artística, Cardoso começou a pintar na década de 1970, segundo o registro institucional da PGE-AM. Sua atividade cultural avançou posteriormente para outras linguagens, incluindo dramaturgia, cinema, fotografia e literatura.

Sérgio Cardoso integrou a Academia Amazonense de Letras

Na literatura, um dos marcos da trajetória de Sérgio Cardoso foi sua entrada na Academia Amazonense de Letras.

Ele foi eleito em 13 de maio de 2017 para a cadeira nº 2, sucedendo Moacyr Couto de Andrade. A instituição registra Sérgio como o sexto ocupante da cadeira.

A AAL também registra que Cardoso nasceu em Manaus e iniciou sua trajetória artística ainda na década de 1970. A atuação acadêmica ampliou sua participação no cenário literário e cultural do Amazonas.

Entre suas produções dramatúrgicas está o universo ficcional de Lazone, utilizado pelo artista em diferentes trabalhos. A cidade imaginária aparece associada à representação de Manaus e de aspectos da vida urbana em sua produção teatral e literária.

Últimos anos foram marcados por exposições e projetos culturais

Mesmo nos últimos anos, Sérgio Cardoso continuou apresentando trabalhos ao público.

Em outubro de 2025, o Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) abriu a exposição “Carthas do Rhio Neghro e outras coleções de pinturas e photoplasthyas amazonenses”.

Segundo a Ufam, a exposição reunia obras produzidas ao longo de mais de 50 anos de atividade artística, incluindo trabalhos de diferentes períodos e peças consideradas inéditas. A mostra tinha como eixo a relação entre a produção do artista e a paisagem amazônica.

A exposição foi realizada no Museu Amazônico, no Centro de Manaus, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.

A trajetória também incluiu ações voltadas à formação e à produção audiovisual. Em 2024, a Secretaria de Cultura divulgou oficinas gratuitas de roteiro e audiovisual no Cineteatro Guarany, iniciativa que tinha Sérgio Cardoso entre os responsáveis pela concepção das atividades.

Legado permanece em obras e registros audiovisuais

Além da produção própria, os registros institucionais mostram que Sérgio Cardoso dedicou parte significativa de sua atuação à documentação de outros artistas e personalidades do Amazonas.

Os documentários produzidos ao longo dos anos passaram a integrar iniciativas do Governo do Amazonas voltadas à difusão cultural e ao acesso público à memória artística do Estado.

A atuação de Cardoso reuniu, portanto, duas frentes profissionais que acompanharam sua trajetória: a carreira jurídica, iniciada com a formação em Direito e o ingresso na PGE-AM, e a produção cultural, desenvolvida em diferentes linguagens artísticas.

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