O Ministério da Saúde ampliará as ações para identificar apostadores com comportamento problemático e oferecer acompanhamento e tratamento após a proibição das apostas de quota fixa no Brasil. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (25) pelo governo federal, por meio de uma Medida Provisória, e alcança apostas esportivas e jogos online.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a política de busca ativa de pessoas com comportamento de jogo problemático já é realizada desde dezembro de 2025, com uso de dados compartilhados pelos ministérios da Fazenda e da Segurança Pública e pela Receita Federal. A estratégia deverá ser ampliada após a mudança nas regras das apostas.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre o fluxo de atendimento ou um cronograma específico para a ampliação das ações.
Atendimento em saúde mental
Padilha afirmou que a rede do Meu SUS Digital e os serviços de teleatendimento serão utilizados para oferecer suporte em saúde mental às pessoas que enfrentarem dificuldades relacionadas à interrupção das apostas, além de familiares de apostadores.
O Ministério da Saúde informou que o transtorno do jogo pode estar associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento e prejuízos nas relações pessoais e profissionais.
Em julho, a pasta já havia lançado uma campanha nacional de prevenção aos danos provocados pelas apostas online, com orientações sobre sinais de uso problemático e informações sobre os serviços de acolhimento e tratamento disponíveis no SUS.
O Ministério também disponibiliza um autoteste no Meu SUS Digital, para que o usuário avalie o impacto das apostas em sua própria vida.
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Dados apontam aumento da demanda
Durante a coletiva, Padilha citou dados sobre os impactos das apostas na saúde pública e na economia. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025. A pasta projeta ainda um aumento de 104% até 2028.
O ministério também informou que mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores a uma pesquisa realizada em 2023. Desse grupo, 10,9 milhões apresentavam padrão considerado de risco ou problemático.
Outro dado citado pela pasta aponta que a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Ministério da Saúde afirma ainda que dificuldades financeiras estão entre os principais fatores associados ao suicídio entre apostadores.
Custo social das apostas
Padilha também citou estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) que estima em R$ 38,8 bilhões por ano o custo social associado aos jogos.
De acordo com os dados apresentados pelo Ministério da Saúde, R$ 30,6 bilhões, ou quase 79% desse valor, estão relacionados a impactos na saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.
A estimativa mencionada na reportagem original da Agência Brasil apontava R$ 17 bilhões relacionados a mortes adicionais por suicídio. O detalhamento mais recente publicado pelo Ministério da Saúde apresenta a estimativa de R$ 30,6 bilhões para o conjunto dos custos relacionados à saúde.
Proibição começa a valer em etapas
A Medida Provisória publicada em 25 de setembro determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida também alcança concessões e autorizações estaduais e distritais, mas não abrange outras modalidades de loteria já autorizadas por lei.
O cronograma prevê que, a partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deixem de funcionar. Antes disso, os apostadores terão prazo para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas.
As bets deverão informar os saldos remanescentes às instituições financeiras entre 7 e 8 de outubro, enquanto os bancos terão de 9 a 14 de outubro para realizar a devolução dos valores aos apostadores.
A mudança nas regras coloca a saúde mental entre os setores que passarão a acompanhar os efeitos da retirada das plataformas, especialmente entre pessoas que apresentam comportamento problemático relacionado ao jogo.








