Brasileiros que pretendem viajar para os Estados Unidos, México e Canadá durante a Copa do Mundo de 2026 devem verificar e atualizar a vacinação contra o sarampo antes do embarque. O alerta foi feito pela infectologista Natalie Del Vecchio, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), diante do aumento expressivo de casos da doença nos três países-sede do torneio.
Juntos, Estados Unidos, México e Canadá concentram cerca de 70% dos casos de sarampo registrados nas Américas. O cenário levou o Ministério da Saúde a reforçar as orientações para viajantes e ampliar a campanha de conscientização sobre a importância da imunização.
Aumento de casos preocupa autoridades sanitárias
Segundo a infectologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode se espalhar rapidamente em ambientes com grande circulação de pessoas, como ocorre durante eventos esportivos internacionais.
Dados divulgados por organismos de saúde mostram que o México registrou um salto significativo nos casos da doença. Em 2024, o país contabilizou apenas sete ocorrências. Em 2025, o número chegou a 6.152 registros. Somente em janeiro de 2026, foram contabilizados 1.190 casos preliminares.
Nos Estados Unidos, foram registrados 2.144 casos ao longo de 2025. Apenas no primeiro mês deste ano, já haviam sido confirmados 721 novos casos.
O Canadá também enfrenta um cenário de preocupação. Em 2025, o país registrou 5.062 ocorrências da doença, situação que levou à perda da certificação de país livre do sarampo. Em 2026, já foram confirmados 124 casos.
Leia também: Seleção do Irã chega à Copa em meio à guerra
Brasil busca evitar reintrodução do vírus
A especialista destaca que o principal risco está relacionado aos viajantes que não possuem o esquema vacinal completo. Segundo ela, a imunização é fundamental para impedir que o vírus seja novamente introduzido no Brasil.
Em novembro de 2024, o país recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a recertificação de área livre do sarampo. O reconhecimento foi concedido após esforços para controlar a circulação da doença e ampliar a cobertura vacinal.
O Brasil já havia conquistado esse status em 2016, mas perdeu a certificação em 2018 devido à queda nas taxas de vacinação, que permitiu a reintrodução do vírus em território nacional.
Casos registrados no Brasil
Apesar da recertificação, o país continua monitorando casos importados.
Em 2025, foram registrados 38 casos de sarampo no Brasil, todos relacionados a infecções adquiridas fora do país.
Já em janeiro de 2026, foram confirmados dois casos: uma mulher de 22 anos no Rio de Janeiro e um bebê de seis meses em São Paulo. Segundo as autoridades sanitárias, ambos não possuíam registro de vacinação.
Especialistas alertam que a redução da cobertura vacinal representa um dos principais fatores de risco para novos surtos.
Quem deve tomar a vacina
O Ministério da Saúde orienta que todos os viajantes verifiquem a situação vacinal antes de embarcar para os países que receberão a Copa do Mundo.
As recomendações variam conforme a faixa etária:
- Crianças de 6 a 11 meses devem receber a chamada dose zero pelo menos 15 dias antes da viagem;
- Pessoas entre 12 meses e 29 anos devem possuir duas doses da vacina;
- Adultos de 30 a 59 anos devem ter recebido pelo menos uma dose ao longo da vida.
A vacina recomendada é a Tríplice Viral, que também protege contra caxumba e rubéola. A aplicação deve ocorrer, preferencialmente, pelo menos 15 dias antes da viagem.
As doses estão disponíveis gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).
Doença pode causar complicações graves
O sarampo é uma infecção viral que pode provocar complicações severas e até levar à morte.
Entre crianças, as principais complicações incluem pneumonia, infecções de ouvido e encefalite, uma inflamação que afeta o cérebro.
Nos adultos, a doença pode causar pneumonia grave. Já em gestantes, há risco aumentado de parto prematuro e nascimento de bebês com baixo peso.
A transmissão ocorre por meio da fala, tosse, espirros ou respiração de pessoas infectadas. O vírus pode ser transmitido antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas.
Os sinais mais comuns incluem febre alta, tosse persistente, coriza, irritação nos olhos e manchas vermelhas na pele que geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo.
Orientação para quem vai viajar
A recomendação dos especialistas é que os viajantes consultem a carteira de vacinação com antecedência e procurem uma unidade de saúde caso haja dúvidas sobre a necessidade de atualização do esquema vacinal.
A medida busca proteger os turistas durante a viagem e evitar a circulação do vírus no retorno ao Brasil, reduzindo o risco de novos surtos da doença no país.







