O Rio Negro recuou 2,65 metros em Manaus entre 1º e 17 de setembro de 2026, segundo os registros do Porto de Manaus. A cota passou de 24,09 metros para 21,44 metros no período, acompanhando o avanço da vazante na capital amazonense.
A queda média foi de aproximadamente 16,6 centímetros por dia. Entre os dias 15 e 17 de setembro, o nível baixou 56 centímetros, de 22 metros para 21,44 metros.
Os registros mostram que o ritmo de descida aumentou ao longo do mês. No início de setembro, as quedas diárias variaram entre 10 e 16 centímetros. A partir do dia 8, foram registradas reduções de 17 a 19 centímetros em vários dias.
Vazante ganha velocidade em setembro
A série do Porto de Manaus mostra que o Rio Negro estava em 23,02 metros no dia 8 e chegou a 21,81 metros em 15 de setembro. No dia seguinte, caiu para 21,62 metros e atingiu 21,44 metros no dia 17.
O ritmo também foi superior ao registrado no mesmo período de agosto. Entre 1º e 17 de agosto, o rio passou de 27,35 metros para 25,99 metros, recuo de 1,36 metro.
Em setembro, a queda no mesmo intervalo chegou a 2,65 metros.
SGB mantém monitoramento da vazante
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) acompanha a evolução dos níveis dos rios amazônicos por meio do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas.
No boletim divulgado em 16 de setembro, o órgão informou que o processo de vazante continuava em grande parte da Região Amazônica. Na medição de 15 de setembro utilizada no documento, o Rio Negro estava em 21,76 metros em Manaus.
A diferença em relação aos 21,44 metros registrados pelo Porto de Manaus em 17 de setembro ocorre porque as medições são de datas diferentes.
Segundo o SGB, a maior parte dos pontos monitorados apresentava níveis dentro do comportamento esperado para o período. A situação mais abaixo do padrão estava concentrada principalmente na bacia do rio Branco, em Roraima.
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Chuvas abaixo da média acompanham período de seca
As condições de chuva também são consideradas no monitoramento hidrológico.
Em boletim divulgado em 9 de setembro, o SGB informou que diversas sub-bacias da Bacia do Rio Amazonas apresentavam precipitação abaixo da média. Naquele momento, o Rio Negro havia recuado 94 centímetros em uma semana e estava em 22,95 metros em Manaus.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) também apontou condições de chuva abaixo da média em áreas da Região Norte durante setembro.
Em agosto, a estação meteorológica do INMET em Manaus registrou 2,6 milímetros de chuva, volume 95,4% inferior à média histórica para o mês.
SGB apresenta cenários para o fim de outubro
O SGB divulgou diferentes cenários para a evolução do nível do Rio Negro durante a estiagem de 2026.
Para Manaus, as análises indicaram possibilidades de cota entre 12,31 metros e 16,50 metros no pico da seca, conforme a evolução das condições hidrológicas.
Em um cenário baseado no comportamento de 2023, a estimativa para o fim de outubro é de 13,37 metros. Em outro, baseado em 2024, chega a 16,32 metros.
O órgão também apresentou um cenário mais extremo, baseado em referências históricas de 2015 e no percentil 5% da série histórica, no qual o rio poderia ficar abaixo de 13 metros em 31 de outubro.
Os números são cenários hidrológicos, e não uma previsão definitiva. A cota efetivamente registrada dependerá das condições de chuva, vazão e demais fatores hidrológicos nas próximas semanas.
Nível histórico foi registrado em 2024
O acompanhamento da vazante ocorre após uma estiagem recorde registrada em 2024.
Em 10 de outubro de 2024, o Rio Negro chegou a 12,11 metros em Manaus, menor cota da série histórica iniciada em 1902, segundo dados citados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
A marca serve como referência para o acompanhamento das estiagens na região, mas não significa que o mesmo nível será alcançado em 2026.
Rio Negro está abaixo do nível de 2025
A cota registrada neste ano também está abaixo da observada no mesmo período de 2025.
Em 17 de setembro de 2025, o Rio Negro estava em 24,81 metros em Manaus, segundo boletim da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA-AM).
Na mesma data de 2026, a marca foi de 21,44 metros, uma diferença de 3,37 metros.
A comparação considera as cotas registradas nas respectivas datas e não permite, isoladamente, determinar como será o nível mínimo do rio ao final da estiagem.
Navegação acompanha queda do nível do rio
A redução da cota também é acompanhada pelo setor de transporte aquaviário.
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) estabeleceu, para 2026, a cota de 17,7 metros no Porto de Manaus como referência para a chamada taxa de seca.
Segundo a agência, o atingimento desse nível não autoriza automaticamente a cobrança. As empresas precisam apresentar documentação e justificativas técnicas, operacionais e econômicas, que passam por análise da ANTAQ.
Com 21,44 metros em 17 de setembro, o Rio Negro estava 3,74 metros acima dessa referência.
Logística se prepara para período de estiagem
Também em setembro, o Grupo Chibatão iniciou o deslocamento de um píer flutuante para Itacoatiara, que poderá ser utilizado como alternativa operacional durante a estiagem.
Segundo informações divulgadas pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), a estrutura está relacionada à manutenção da logística de insumos e mercadorias destinadas ao Polo Industrial de Manaus e ao comércio regional.
O equipamento recebeu autorizações de órgãos como ANTAQ, Marinha do Brasil, Receita Federal e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). A estrutura também foi utilizada durante a estiagem de 2024.
O monitoramento do Rio Negro continua nas próximas semanas, com acompanhamento diário das cotas e atualização dos cenários hidrológicos pelos órgãos responsáveis.







