Uma jornada de exploração científica no extremo setentrional do Pará desvendou um dos segredos mais impressionantes da biodiversidade amazônica recente: um reduto intocado de flora colossal. Enclavado na vasta Floresta Estadual do Paru, no município de Almeirim, foi identificado um verdadeiro santuário ecológico de proporções monumentais, resultado de uma expedição batizada de ‘Horizonte Amazônia’. O destaque desta área, que faz divisa com o Amapá, é o exemplar recordista de Angelim-Vermelho. Com impressionantes 88,5 metros de altitude, esta árvore não apenas se consagra como a maior de sua espécie em toda a América Latina, mas também figura entre as quatro mais altas do planeta. Para colocar em perspectiva, sua altura supera em mais de duas vezes a dimensão do famoso monumento do Cristo Redentor, solidificando o status da região como um tesouro natural de dimensões incomparáveis.
O acesso a esta região remota demandou um esforço logístico significativo e extremo. Pesquisadores e colaboradores partiram da localidade de Iratapuru, no Amapá, iniciando uma travessia fluvial extenuante pelo Rio Jari. A missão de reconhecimento foi orquestrada por especialistas do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), trabalhando em conjunto com o prestigiado Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e parceiros acadêmicos como o IFAP. A dificuldade da rota impôs obstáculos severos; o grupo precisou confrontar fortes correntezas, sendo forçado em múltiplos pontos a abandonar as embarcações e prosseguir em uma marcha árdua através da mata densa e fechada até alcançar o núcleo da floresta de gigantes.
O objetivo final ia além da simples localização do Angelim-Vermelho colossal; a equipe buscou cartografar e estudar a concentração incomum de outras árvores monumentais na área, visando um mapeamento completo deste ecossistema singular. Fundamental para o sucesso da empreitada foi a integração do saber científico com a experiência empírica dos moradores locais. Extrativistas da comunidade acompanharam a expedição, atuando como guias indispensáveis para a navegação e sobrevivência. Segundo relatos dos cientistas envolvidos, a pesquisa seria inviável sem a participação comunitária. “São eles que detêm a chave para os segredos da mata, conhecendo os melhores caminhos e os mistérios deste ecossistema”, destacou uma das biólogas envolvidas. Essa simbiose entre conhecimento técnico e tradição popular sublinha a necessidade da colaboração para proteger e desvendar as últimas fronteiras da Amazônia brasileira.
Fonte: g1 > Pará






