O Projeto Social Fazendo a Diferença, que oferece reforço escolar gratuito para crianças em situação de vulnerabilidade social no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona leste de Manaus, está com as atividades suspensas por falta de apoio financeiro e recursos para manutenção. A paralisação foi destacada nesta sexta-feira (29), durante visita do segundo vice-presidente do União Brasil Amazonas, Marcellus Campêlo, ao espaço onde funcionava a iniciativa comunitária.
Segundo os coordenadores do projeto, aproximadamente 100 crianças eram atendidas regularmente por professores voluntários, que atuavam no acompanhamento escolar de alunos encaminhados por escolas municipais e estaduais da região. O objetivo da iniciativa era auxiliar estudantes com dificuldades de aprendizagem, reforçando conteúdos básicos e contribuindo para a permanência dos alunos no ambiente escolar.
A suspensão das atividades ocorre em um cenário em que projetos sociais voltados à educação comunitária enfrentam dificuldades para manter funcionamento contínuo, principalmente em áreas periféricas da capital amazonense. Sem financiamento fixo ou apoio institucional permanente, iniciativas como o Projeto Fazendo a Diferença dependem de doações e trabalho voluntário.
Projeto atendia crianças em situação de vulnerabilidade
O Projeto Social Fazendo a Diferença funcionava no bairro Colônia Antônio Aleixo, uma das áreas da zona leste de Manaus com maior demanda por ações sociais voltadas à infância e juventude. A iniciativa oferecia reforço escolar gratuito para estudantes com dificuldades de aprendizagem e baixa renda familiar.
De acordo com um dos coordenadores do projeto, Francisco Costa, o atendimento era direcionado principalmente a crianças indicadas pelas próprias escolas da comunidade. Segundo ele, gestores das redes municipal e estadual identificavam alunos que precisavam de apoio pedagógico complementar.
“Nós temos dois professores e uma pedagoga, todos voluntários, que fazem parte do projeto. Mas, no momento, infelizmente, as atividades estão suspensas por falta de recursos. Nós queremos retomar o projeto e continuar dando apoio na educação das nossas crianças, porque aqui são famílias muito carentes que precisam de ajuda”, afirmou Francisco Costa.
O projeto contava exclusivamente com atuação voluntária. Os profissionais envolvidos realizavam atividades de alfabetização, acompanhamento pedagógico e reforço em disciplinas básicas, principalmente para crianças com baixo rendimento escolar.
Falta de recursos interrompe atividades
A ausência de apoio financeiro inviabilizou a continuidade das atividades. Segundo os organizadores, os custos com estrutura, materiais didáticos, alimentação e manutenção do espaço dificultaram a permanência do projeto em funcionamento.
Os coordenadores informaram que buscam apoio do poder público, empresas privadas e parceiros sociais para retomar os atendimentos. A expectativa é reorganizar as atividades ainda em 2026, caso sejam garantidos recursos mínimos para funcionamento.
Durante a visita ao local, Marcellus Campêlo destacou a importância de iniciativas sociais voltadas à educação em áreas vulneráveis da capital. Ele afirmou que projetos comunitários podem contribuir para ampliar o acesso ao ensino e fortalecer o apoio às famílias.
“Estou muito feliz em conhecer esse projeto, mas triste pela situação em que se encontra, dependendo de recursos para voltar a funcionar. É um projeto importante, que merece apoio público e da iniciativa privada, porque leva educação para as crianças. A educação é a base para um futuro melhor para a nossa sociedade”, declarou.
Campêlo também relembrou atuação voluntária anterior no bairro em ações sociais de apoio às famílias da comunidade. Ele foi secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), cargos dos quais se desincompatibilizou em março deste ano.
Impacto social na comunidade
A interrupção do projeto afeta diretamente crianças e famílias que utilizavam o reforço escolar como complemento da aprendizagem. Em muitos casos, os estudantes atendidos enfrentam dificuldades de acesso a acompanhamento pedagógico fora da rede pública.
Especialistas em educação apontam que projetos comunitários de reforço escolar podem contribuir para redução da evasão escolar, melhoria do desempenho acadêmico e fortalecimento do vínculo entre estudantes e escola.
Na zona leste de Manaus, onde há forte demanda por políticas sociais, iniciativas mantidas por voluntários costumam funcionar como suporte adicional para famílias em situação de vulnerabilidade econômica.
Além das atividades educacionais, o projeto também funcionava como espaço de convivência comunitária, reunindo crianças e responsáveis em ações sociais e educativas.
Busca por apoio para retomada
Os coordenadores do Projeto Fazendo a Diferença afirmam que pretendem buscar parcerias para reativar o atendimento às crianças. Entre as necessidades apontadas estão aquisição de materiais escolares, manutenção do espaço físico e apoio para alimentação dos alunos.
A proposta é ampliar o número de voluntários e garantir sustentabilidade financeira para que o projeto volte a operar de forma contínua. Até o momento, não há previsão oficial para retomada das atividades.
Enquanto isso, famílias atendidas anteriormente aguardam a possibilidade de retorno do reforço escolar gratuito, considerado pelos organizadores como uma ferramenta de apoio à educação básica em comunidades de baixa renda da capital amazonense.






