O Instituto Sociedade, População e Natureza lançou nesta segunda-feira (27) uma plataforma digital que cruza dados socioambientais para rastrear cadeias de commodities no Brasil. A ferramenta reúne informações com recorte municipal e estadual, permitindo identificar impactos locais associados à produção.
A iniciativa busca atender às exigências do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, que restringe a importação de produtos ligados ao desmatamento no bloco europeu.
Ferramenta reúne dados de 15 instituições
Segundo o ISPN, a plataforma utiliza bases de dados de 15 entidades nacionais e internacionais, incluindo organizações das áreas de meio ambiente, direitos humanos e sociedade civil.
As informações disponíveis abrangem o período desde 2002 e serão atualizadas anualmente, com possibilidade de incorporação de novos bancos de dados.
Cadeias produtivas monitoradas
A ferramenta acompanha cadeias de produção de commodities estratégicas, como:
- soja
- café
- cacau
- palma
- borracha
- produtos de origem bovina
O objetivo é ampliar a transparência e permitir que empresas e governos identifiquem riscos socioambientais associados à produção.
Aplicação para empresas e governos
De acordo com o instituto, a plataforma poderá ser utilizada por empresas, gestores públicos e organizações internacionais, especialmente diante do avanço de acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia.
A ferramenta também atende à demanda por consumo consciente, em que consumidores priorizam produtos com menor impacto ambiental e social.
Cruzamento revela conflitos e irregularidades
Entre os dados analisados estão registros de conflitos por terra e água, trabalho escravo, violência e contaminação ambiental.
A base de conflitos sociais é fornecida pela Comissão Pastoral da Terra.
Segundo o ISPN, análises preliminares indicam que a maioria dos municípios brasileiros apresenta algum tipo de conflito socioambiental, frequentemente associado à produção de commodities e ao desmatamento.
Apresentação internacional
A plataforma será apresentada nesta terça-feira (28) a representantes de embaixadas de países europeus, incluindo França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca, em evento presencial com participação internacional.
Contexto
O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) estabelece critérios mais rigorosos para importação de commodities, exigindo comprovação de origem sustentável.
Nesse cenário, ferramentas de rastreabilidade ganham relevância para garantir conformidade ambiental e ampliar a transparência nas cadeias produtivas.








