A investigação da Polícia Federal sobre o suposto vazamento de dados sigilosos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos desdobramentos após a identificação de acessos considerados irregulares aos sistemas da Receita Federal. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, faz parte de um inquérito mais amplo que apura o uso ilegal de informações fiscais e pessoais de autoridades públicas.
Segundo informações divulgadas oficialmente, relatórios técnicos apontaram múltiplos acessos a dados protegidos por sigilo fiscal sem justificativa funcional. A análise preliminar indicou que as consultas foram realizadas de forma fragmentada e direcionada, o que levantou suspeitas de que as informações poderiam ter sido utilizadas para criar narrativas ou suspeitas artificiais contra integrantes do Judiciário e seus familiares.
Como surgiu a investigação
O caso é tratado como um desdobramento do chamado inquérito das fake news, conduzido no STF para investigar ataques institucionais e a disseminação de informações falsas contra a Corte. A Procuradoria-Geral da República apresentou representação após indícios de que dados fiscais e cadastrais de ministros teriam sido acessados indevidamente dentro dos sistemas governamentais.
De acordo com o Supremo, auditorias internas identificaram padrões atípicos de consultas em bases restritas da Receita Federal. Esses sistemas registram cada acesso realizado por servidores, permitindo rastrear quem consultou dados, quando e com qual finalidade — mecanismo essencial para detectar abusos.
Alvos da operação
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em diferentes estados, incluindo Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. Quatro servidores públicos foram alvo das medidas cautelares. Eles tiveram celulares apreendidos, foram afastados das funções e passaram a usar tornozeleira eletrônica. Além disso, tiveram passaportes cancelados e ficaram proibidos de deixar o país.
Os investigados poderão responder por crimes como:
-
violação de sigilo funcional;
-
acesso indevido a sistemas de informação;
-
vazamento de dados sigilosos.
As medidas foram determinadas como forma de preservar provas e evitar interferência nas investigações.
O que diz a Receita Federal
Em nota, a Receita Federal confirmou que abriu auditoria interna paralela para apurar os fatos. O órgão afirmou que seus sistemas possuem mecanismos de rastreabilidade capazes de identificar acessos irregulares e informou que as inconsistências já detectadas foram comunicadas ao Supremo Tribunal Federal.
A Receita também destacou que, até o momento, não foram identificados acessos ilegais a dados fiscais do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nem de seus familiares.
Especialistas em segurança da informação apontam que acessos indevidos a bancos de dados governamentais são considerados graves porque violam garantias constitucionais de sigilo fiscal e podem comprometer a confiança institucional no uso de informações públicas.
Repercussão institucional
Entidades que representam auditores fiscais defenderam o direito à ampla defesa dos investigados e afirmaram que medidas cautelares severas exigem fundamentação robusta e provas consistentes. O caso também reacendeu o debate sobre controle interno e monitoramento de acessos em sistemas sensíveis do governo federal.
A apuração segue sob sigilo judicial, e novas diligências não estão descartadas. A Polícia Federal busca agora identificar se houve compartilhamento das informações obtidas ilegalmente e se outras pessoas participaram do suposto esquema.





