Brasil e EUA retomam negociação comercial após ligação presidencial

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O Brasil e os Estados Unidos vão retomar a negociação comercial entre os dois países na próxima semana, após uma conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump nesta sexta-feira (21). Representantes do governo brasileiro e do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) deverão participar da nova rodada de diálogo.

A reunião contará com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e integrantes do USTR. A data ainda será definida pelas equipes dos dois governos, segundo informações confirmadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A retomada das conversas ocorre em meio às divergências comerciais provocadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O governo brasileiro busca uma solução negociada para reduzir os impactos das medidas sobre o comércio bilateral.

Contato dos Estados Unidos ocorreu após ligação entre Lula e Trump

O MDIC informou que recebeu contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após a conversa entre Lula e Trump.

A ligação entre os presidentes ocorreu na manhã de sexta-feira e durou cerca de uma hora e 20 minutos, segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto.

Durante a conversa, Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e contestou as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para sustentar as novas medidas tarifárias contra produtos brasileiros.

Entre os temas relacionados às medidas comerciais estão questões envolvendo desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, comércio digital, etanol e outras práticas comerciais.

As discussões sobre parte desses temas já vinham ocorrendo anteriormente entre as equipes dos dois países. Em julho, o MDIC informou que representantes brasileiros e norte-americanos analisavam questões relacionadas a comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Leia também: EUA respondem ao Brasil na OMC e aceitam reunião para consultas

Negociação comercial Brasil e EUA ganha novo canal

A retomada do contato representa uma nova etapa das discussões entre Brasília e Washington.

Em nota divulgada na sexta-feira, o MDIC afirmou que a conversa entre Lula e Trump e a disposição demonstrada pelos governos “abrem um novo canal de diálogo” entre os dois países.

A expectativa agora é que Márcio Elias Rosa, integrantes do Itamaraty e representantes do USTR voltem à mesa de negociação para buscar alternativas para o impasse.

O governo brasileiro tem reiterado que pretende privilegiar uma solução negociada.

Antes da nova sinalização política, Brasil e Estados Unidos já haviam realizado diferentes reuniões de alto nível sobre o comércio bilateral. Em nota publicada em julho, o MDIC informou que equipes dos dois governos haviam realizado cinco reuniões de alto nível desde maio para discutir as divergências comerciais.

Tarifas atingem exportações brasileiras

O impasse comercial ganhou peso para empresas e setores exportadores brasileiros diante do impacto das tarifas norte-americanas.

Segundo levantamento do MDIC divulgado anteriormente pelo governo federal, as novas tarifas atingem aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.

O governo brasileiro também iniciou procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica para avaliar possíveis respostas às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

A abertura desse processo, entretanto, não significa aplicação automática de novas tarifas contra mercadorias norte-americanas. O procedimento permite ao governo avaliar os impactos e decidir posteriormente sobre eventuais contramedidas.

Com a reabertura do canal de negociação, a próxima reunião entre representantes dos dois países passa a ser uma etapa importante para determinar se Brasil e Estados Unidos conseguirão aproximar posições antes da adoção de novas medidas comerciais.

Lula defende diálogo para preservar comércio bilateral

Durante a ligação, Lula afirmou que as tarifas prejudicam os dois países e defendeu o diálogo como forma de preservar as relações econômicas entre brasileiros e norte-americanos.

Trump, segundo as informações divulgadas pelo governo brasileiro, concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou positivamente para a retomada dos contatos entre as equipes.

A negociação envolve não apenas os governos, mas setores produtivos que exportam produtos brasileiros ao mercado norte-americano e empresas que mantêm relações comerciais entre os dois países.

O governo federal afirma que continuará buscando reduzir os efeitos das medidas tarifárias sobre a economia, a produção e a renda no Brasil.

Brasil e EUA também discutem combate ao crime organizado

A conversa entre Lula e Trump não ficou restrita às questões econômicas.

Os presidentes também trataram da possibilidade de ampliar a cooperação no combate ao crime organizado.

Lula apresentou ações adotadas pelo Brasil para enfrentar organizações criminosas, incluindo medidas destinadas a atingir suas estruturas financeiras.

Segundo as informações apresentadas pelo governo brasileiro, essas iniciativas resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Entre as medidas citadas durante a conversa estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, localizado em Manaus.

A estrutura na capital amazonense integra os esforços de cooperação na área de segurança na região amazônica.

De acordo com o relato do governo brasileiro, Trump demonstrou disposição para ampliar a cooperação e deverá indicar integrantes do alto escalão norte-americano para dar continuidade às conversas.

Guerras na Ucrânia e Oriente Médio entram na pauta

Lula e Trump também discutiram conflitos internacionais, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio.

Sobre a guerra na Ucrânia, os presidentes defenderam a busca por uma solução negociada.

Lula também criticou a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante dos conflitos internacionais e sugeriu uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.

O presidente dos Estados Unidos apresentou ainda avaliações do governo norte-americano sobre o conflito envolvendo o Irã.

Ao abordar a necessidade de soluções diplomáticas para conflitos internacionais, Lula declarou:

“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.”

A declaração foi uma das falas diretas divulgadas sobre a conversa entre os dois presidentes.

Próxima reunião deve definir rumo das tratativas comerciais

O próximo passo das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos será a reunião entre representantes do MDIC, do Ministério das Relações Exteriores e do USTR.

Até o momento, não foi divulgada uma data específica para o encontro.

O objetivo anunciado é retomar formalmente as negociações e buscar uma saída para as divergências relacionadas às tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

O resultado da reunião poderá ter impacto direto sobre empresas exportadoras, cadeias produtivas e setores brasileiros que dependem do acesso ao mercado dos Estados Unidos.

A definição de eventuais mudanças nas tarifas ou de novos compromissos comerciais dependerá, porém, do andamento das negociações. Até a realização da reunião e a divulgação de novas decisões, permanecem válidas as medidas atualmente estabelecidas.

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