O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, no domingo (19), na Alemanha, uma parceria entre Brasil e Europa para avançar na descarbonização da indústria, durante a abertura da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo. A proposta busca ampliar o uso de energia limpa, reduzir custos produtivos e fortalecer a cooperação tecnológica entre os países.
Logo após o discurso, Lula destacou que o Brasil pode contribuir com a União Europeia ao oferecer uma matriz energética majoritariamente limpa, com potencial para reduzir emissões e baratear a produção industrial no bloco.
Parceria para energia limpa
Durante o evento em Hannover, o presidente afirmou que a cooperação entre Brasil e Europa depende do reconhecimento internacional da matriz energética brasileira. Segundo ele, regras comerciais devem considerar o perfil sustentável da produção nacional.
O Brasil possui cerca de 90% da sua energia elétrica proveniente de fontes limpas, o que coloca o país em posição estratégica no cenário global de transição energética. Lula também defendeu o uso de biocombustíveis como alternativa para reduzir emissões no setor industrial.
Críticas a barreiras comerciais
No discurso, o presidente criticou possíveis restrições ao uso de biocombustíveis brasileiros no mercado europeu. Segundo ele, criar barreiras adicionais pode prejudicar tanto o meio ambiente quanto a segurança energética.
Lula afirmou que políticas protecionistas dificultam a integração econômica e atrasam avanços na agenda climática global. A fala foi acompanhada por representantes de governos e empresários europeus.
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Indústria, inovação e inteligência artificial
O presidente também abordou os impactos da tecnologia no mercado de trabalho. Ele destacou que a inteligência artificial pode aumentar a produtividade, mas alertou para riscos sociais se não houver políticas de proteção aos trabalhadores.
Segundo Lula, é necessário equilibrar inovação tecnológica com geração de empregos, evitando que avanços digitais ampliem desigualdades econômicas.
Contexto internacional e guerra
Lula voltou a criticar o cenário geopolítico atual, citando o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O presidente afirmou que a instabilidade internacional impacta diretamente a economia global, especialmente nos preços de energia e alimentos.
De acordo com ele, o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido no país, o que torna o mercado interno sensível às oscilações internacionais do petróleo.
Impactos econômicos globais
O presidente destacou que a alta nos preços de energia e fertilizantes, provocada por conflitos internacionais, afeta diretamente a produção agrícola e o custo de vida da população.
Ele também mencionou que os países mais vulneráveis são os mais impactados pela inflação de alimentos, reforçando a necessidade de soluções multilaterais.
Acordo Mercosul-União Europeia
Outro ponto abordado foi o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve criar um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas, com Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões.
Segundo Lula, a parceria pode impulsionar investimentos, ampliar exportações e fortalecer cadeias produtivas sustentáveis.
Metas ambientais do Brasil
O presidente reafirmou o compromisso do Brasil com a redução do desmatamento, com meta de desmatamento zero até 2030. Ele destacou que, nos últimos três anos, o país reduziu em 50% o desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado.
Além disso, citou o potencial brasileiro na produção de hidrogênio verde e na exploração de minerais estratégicos para a transição energética, como nióbio, grafita e níquel.
Impacto para o Brasil
A proposta de parceria com a Europa pode ampliar investimentos estrangeiros no Brasil, especialmente em setores ligados à energia limpa e tecnologia. Também pode fortalecer a indústria nacional e gerar empregos em áreas estratégicas.
A agenda de descarbonização tende a influenciar políticas públicas, cadeias produtivas e o posicionamento do país no comércio internacional.







