A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado Federal repercutiu na imprensa internacional. Jornais da Espanha, Argentina e Reino Unido, além de uma agência de notícias dos Estados Unidos, apontaram a votação como uma vitória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do segundo turno das eleições de 2026.
A proposta aprovada na quarta-feira (14) prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além de garantir dois dias de descanso remunerado por semana. Segundo a Agência Brasil, a votação terminou com 75 votos favoráveis e apenas um contrário.
Jornais internacionais repercutem aprovação
O jornal espanhol El País destacou a conquista de um segundo dia de folga para dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros e classificou a aprovação como uma vitória política para Lula.
Na Argentina, o Clarín descreveu a votação como uma jogada política do presidente brasileiro, ressaltando que a decisão ocorreu a menos de duas semanas do segundo turno eleitoral. Já o jornal La Nación apresentou a medida como uma das principais apostas de Lula antes da votação, além de mencionar a mudança de posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pouco antes da análise da proposta.
No Reino Unido, o Financial Times, especializado em economia e finanças, destacou que os parlamentares brasileiros votaram pelo fim da semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina.
O jornal também apontou possíveis impactos econômicos da mudança e mencionou as críticas de representantes empresariais, que demonstram preocupação com o aumento dos custos para as empresas.
Em análise sobre a redução da jornada de trabalho, o Financial Times afirmou que o fim da escala de seis dias aproxima o Brasil de países de renda mais alta, onde a carga horária diminuiu ao longo do tempo com avanços na produtividade e na eficiência.
O britânico The Guardian também classificou a aprovação como uma vitória de Lula e estimou que a mudança poderá afetar até 30 milhões de pessoas no país. A publicação ainda destacou o movimento Vida Além do Trabalho, associado à mobilização pelo fim da escala 6×1, que ganhou visibilidade nas redes sociais e posteriormente recebeu apoio do presidente.
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Mudança de posição de Flávio Bolsonaro
A mudança de posicionamento de Flávio Bolsonaro também foi mencionada pela imprensa estrangeira. Segundo as publicações citadas pela Agência Brasil, o senador era contrário à proposta, mas passou a apoiar a medida nos dias que antecederam a votação no Senado.
O The Guardian informou que, mesmo após anunciar apoio ao fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro defendeu uma alternativa que prevê remuneração baseada nas horas efetivamente trabalhadas.
A agência norte-americana Associated Press (AP) também abordou o cenário político em torno da votação. A publicação destacou que o único voto contrário foi o do senador Hamilton Mourão, ex-vice-presidente da República durante o governo de Jair Bolsonaro.
A AP acrescentou que aliados de Flávio Bolsonaro deixaram de barrar a proposta, em um contexto de disputa eleitoral acirrada com Lula.
No Brasil, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou, em entrevista à TV Jovem Pan, que Flávio Bolsonaro, caso seja eleito, deverá aprovar a PEC 12/2026, que prevê um modelo de contrato baseado nas horas trabalhadas.
Como funcionará o fim da escala 6×1
O texto aprovado pelo Senado prevê a adoção da escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial. A proposta também estabelece uma transição para diminuir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas.
De acordo com o texto apresentado pela Agência Brasil, a mudança ocorrerá em duas etapas. Sessenta dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para 42 horas semanais.
Depois de mais 12 meses, o limite deverá passar para 40 horas semanais, completando um período de transição de 14 meses.
A aprovação no Senado colocou o fim da escala 6×1 no centro do debate político e econômico brasileiro, com repercussão internacional tanto pelos possíveis efeitos sobre a rotina dos trabalhadores quanto pelo impacto da medida no cenário eleitoral de 2026.








