Greve da construção civil mobiliza trabalhadores em Manaus

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Trabalhadores da construção civil iniciaram uma greve e realizaram manifestações em Manaus após o impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) de 2026. O movimento, liderado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial do Amazonas (Sintracomec-AM), busca pressionar o setor patronal por um reajuste salarial maior e pela ampliação de benefícios trabalhistas.

A paralisação pode atingir cerca de 40 mil trabalhadores do setor na capital amazonense. O movimento foi aprovado em assembleia após a rejeição da proposta de 6% de reajuste salarial apresentada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sinduscon-AM). As negociações foram mediadas pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRMTE/AM).

Categoria rejeita proposta patronal

A greve foi anunciada após diversas rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e das empresas da construção civil. Segundo o Sintracomec-AM, a categoria considerou insuficiente a proposta apresentada pelo Sinduscon-AM para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho.

O presidente do sindicato dos trabalhadores, Cícero Custódio, conhecido como Sassá da Construção Civil, informou que a decisão pela paralisação foi tomada em assembleia realizada com a participação da categoria.

De acordo com o sindicato, além de um reajuste salarial superior ao ofertado pelas empresas, os trabalhadores reivindicam melhorias em benefícios trabalhistas e melhores condições de trabalho.

Negociações ocorreram com mediação do Ministério do Trabalho

As negociações da campanha salarial ocorreram entre os meses de junho e julho de 2026 e foram acompanhadas pela Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRMTE/AM).

Durante as reuniões, representantes do Sinduscon-AM apresentaram uma proposta de 6% de reajuste salarial, com efeito retroativo a 1º de junho deste ano.

Segundo o sindicato patronal, o percentual supera a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no período considerado.

Entretanto, a proposta foi rejeitada pelos trabalhadores, que defendem um reajuste de aproximadamente 10%, além da manutenção e ampliação de benefícios previstos na convenção coletiva.

Leia também: Transporte coletivo opera sob tensão em Manaus após ameaça de greve

Reivindicações vão além do salário

Entre as principais reivindicações apresentadas pelo Sintracomec-AM estão o reajuste salarial, fortalecimento da cesta básica, melhorias no plano de saúde, pagamento adequado de horas extras e preservação de direitos conquistados em convenções anteriores.

Segundo o sindicato, o objetivo é garantir melhores condições para os profissionais que atuam em um dos setores que mais empregam trabalhadores no estado.

As reivindicações fazem parte da negociação anual da Convenção Coletiva de Trabalho, documento que estabelece direitos, benefícios e regras para empregados e empregadores da construção civil.

Protestos ocorreram em Manaus

Como parte do movimento grevista, trabalhadores realizaram manifestações em frente à sede do Sinduscon-AM, em Manaus, e promoveram paralisações em canteiros de obras da capital.

O ato teve como objetivo pressionar o setor empresarial pela retomada das negociações e pela apresentação de uma nova proposta considerada satisfatória pela categoria.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre a assinatura de um acordo entre trabalhadores e empresários.

Paralisação pode afetar obras na capital

Caso a greve seja mantida pelos próximos dias, a paralisação poderá provocar atrasos em obras residenciais, comerciais e industriais em Manaus.

O setor da construção civil possui papel importante na economia amazonense, tanto pela geração de empregos quanto pelos investimentos em infraestrutura e empreendimentos imobiliários.

A interrupção das atividades pode afetar cronogramas de entrega de obras privadas e impactar empresas fornecedoras de materiais e serviços ligados à cadeia da construção.

Até o momento, porém, não foram divulgados levantamentos oficiais indicando o número de obras efetivamente paralisadas.

Setor busca novo entendimento

Apesar do início da greve, a expectativa é de continuidade das negociações entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial.

A mediação da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho poderá ser retomada caso as partes decidam apresentar novas propostas para encerrar o movimento.

Até a conclusão desta reportagem, não havia informações sobre decisão judicial suspendendo a greve ou determinando o funcionamento mínimo das atividades.

Também não foi confirmada oficialmente uma nova rodada de negociação após o início da paralisação.

Convenção Coletiva define direitos da categoria

A Convenção Coletiva de Trabalho é renovada anualmente e estabelece regras sobre salários, benefícios, jornada de trabalho e demais direitos dos profissionais da construção civil.

Quando não há consenso entre trabalhadores e empregadores, a legislação prevê a continuidade das negociações ou, em alguns casos, a possibilidade de mediação e julgamento pela Justiça do Trabalho.

O atual impasse ocorre em um momento de crescimento do mercado imobiliário amazonense. Dados divulgados pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM) e pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM) apontam aumento nas vendas de imóveis e expansão dos investimentos no setor nos últimos anos.

Enquanto as negociações seguem sem acordo, trabalhadores mantêm a mobilização em busca de uma proposta considerada satisfatória pela categoria.

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