Governo Lula inclui estupro virtual no Ligue 180

governo

O governo federal anunciou a atualização do Ligue 180 para incluir o registro de crimes como estupro virtual, sextorsão e violência psicológica praticada por meio de conteúdos produzidos com inteligência artificial. A medida foi divulgada nesta terça-feira (23) pelo Ministério das Mulheres após um aumento de 188,6% nos relatos de violência contra mulheres no ambiente digital nos primeiros cinco meses de 2026. A iniciativa busca ampliar a identificação dos casos e fortalecer a proteção às vítimas.

Dados do Ministério das Mulheres apontam que as ocorrências relacionadas à violência digital passaram de 5.795 para 16.725 entre janeiro e maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. Ao todo, foram registradas 2.281 denúncias em que a internet ou plataformas digitais foram apontadas como cenário das agressões.

Atualização amplia registro de crimes digitais

Com a mudança, o Ligue 180 passa a contabilizar novos tipos de violência praticados no ambiente virtual. Entre eles estão o estupro virtual, a sextorsão, a divulgação não autorizada de imagens íntimas, invasão de contas, vazamento de dados pessoais e o descumprimento de medidas protetivas por meio de contatos online.

Também serão registrados casos de violência psicológica envolvendo conteúdos manipulados por inteligência artificial, como os chamados deepfakes, utilizados para criar imagens e vídeos falsos.

Segundo o Ministério das Mulheres, a atualização incluiu treinamento específico para as atendentes da central, que receberam orientações para identificar os novos tipos de crimes e orientar as vítimas sobre a preservação de provas.

Crescimento dos casos motivou mudanças

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o aumento dos registros está relacionado à redução da subnotificação e à ampliação do acesso das mulheres aos canais de denúncia.

Segundo a pasta, os dados são fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência digital e ao aprimoramento das estratégias de proteção.

O Ministério das Mulheres também informou que prepara uma pesquisa nacional sobre violência digital contra mulheres, com o objetivo de subsidiar novas ações e programas.

Como funciona o estupro virtual

De acordo com o Ministério das Mulheres, o estupro virtual ocorre quando uma pessoa é constrangida ou ameaçada a praticar atos sexuais por meio de aplicativos, chamadas de vídeo ou outras ferramentas digitais.

A atualização do sistema permitirá que esses casos sejam registrados de forma específica, facilitando o encaminhamento das denúncias aos órgãos competentes.

Além disso, as vítimas serão orientadas a guardar provas, como capturas de tela com data e horário, e a solicitar às plataformas digitais a remoção de conteúdos ofensivos ou íntimos divulgados sem consentimento.

Campanha busca ampliar proteção no ambiente digital

A iniciativa integra a campanha “O Digital é Nosso Lugar”, desenvolvida pelo Ministério das Mulheres.

A ação acompanha dois decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio deste ano para regulamentar aspectos relacionados às plataformas digitais e às chamadas big techs.

Entre as medidas previstas está a remoção, em até duas horas após notificação da vítima, de conteúdos envolvendo nudez não autorizada de mulheres e imagens manipuladas digitalmente.

Ligue 180 recebe cerca de 3 mil chamadas por dia

Segundo a coordenadora-geral da Central de Atendimento à Mulher, Ellen Costa, o Ligue 180 recebe em média 3 mil ligações diárias.

Desse total, aproximadamente 30% correspondem a denúncias encaminhadas às autoridades responsáveis. O tempo médio para encaminhamento é de cerca de 43 horas.

O serviço é gratuito e pode ser acessado de qualquer local do país. Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180.

Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190.

Estados ainda não aderiram a acordo

A ministra Márcia Lopes informou que oito estados ainda não aderiram ao acordo de cooperação técnica com o governo federal para compartilhamento de informações relacionadas às denúncias feitas pelo Ligue 180.

Entre os estados citados estão Amazonas, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Rondônia.

Segundo a pasta, a integração dos dados permitirá um acompanhamento mais eficiente das ocorrências registradas pelas vítimas.

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
Email
Print
VEJA TAMBÉM
plugins premium WordPress
error: O conteúdo está protegido!!