O Governo Federal oficializou a criação do Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), uma plataforma que reunirá informações sobre aparelhos roubados, furtados, perdidos ou recuperados em todo o país. A medida foi instituída por meio do Decreto nº 13.034, publicado no Diário Oficial da União em 23 de junho de 2026, e tem como objetivo fortalecer o combate à criminalidade e dificultar a comercialização de celulares de origem irregular.
A nova base nacional será administrada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e integrará dados de boletins de ocorrência, operadoras de telefonia, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Programa Celular Seguro e sistemas estaduais de segurança pública. Segundo o governo federal, o sistema nasce com mais de 3 milhões de aparelhos cadastrados e aptos para consulta e recuperação.
Como funcionará o banco nacional
O Banco Nacional de Celulares com Restrição foi criado para consolidar, em uma única plataforma, informações atualmente dispersas entre diferentes órgãos e instituições.
A iniciativa permitirá que autoridades de segurança pública consultem rapidamente a situação de um aparelho celular e identifiquem dispositivos com registro de roubo, furto, perda ou recuperação.
Além disso, a ferramenta também deverá oferecer mecanismos para consulta da procedência de aparelhos usados antes da compra, reduzindo o risco de aquisição de produtos com restrições legais.
De acordo com o Ministério da Justiça, o objetivo é criar uma barreira ao mercado ilegal de celulares, considerado uma das principais fontes de financiamento para organizações criminosas em diversas regiões do país.
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Integração com o programa Celular Seguro
A nova plataforma será integrada ao Programa Celular Seguro, lançado pelo Governo Federal para auxiliar vítimas de roubo e furto de aparelhos móveis.
Atualmente, o programa permite que o cidadão bloqueie rapidamente linhas telefônicas, contas vinculadas e o próprio dispositivo em caso de ocorrência.
Com a implementação do BNCR, as informações registradas no Celular Seguro passarão a alimentar automaticamente o banco nacional, ampliando a eficiência do monitoramento e das ações de recuperação.
Segundo dados do Ministério da Justiça, milhões de registros já foram incorporados à nova base nacional.
Consulta poderá ajudar consumidores
Uma das principais novidades do sistema será a possibilidade de consulta da situação de aparelhos antes da compra.
A medida é considerada estratégica para combater a receptação, crime que consiste na aquisição, transporte ou comercialização de produtos provenientes de roubo ou furto.
Na prática, consumidores poderão verificar se determinado aparelho possui alguma restrição antes de concluir uma negociação, especialmente no mercado de celulares usados.
O governo acredita que a iniciativa contribuirá para reduzir a circulação de dispositivos irregulares e aumentar a segurança nas transações.
Impacto para Manaus e o Amazonas
A criação do banco nacional pode gerar reflexos importantes no Amazonas, especialmente em Manaus, onde roubos e furtos de celulares figuram entre os crimes patrimoniais mais registrados pelas forças de segurança.
O cruzamento nacional de informações deverá facilitar a identificação de aparelhos com restrição que estejam em circulação na capital amazonense ou em outros municípios do estado.
A expectativa é que a integração entre as bases de dados permita uma atuação mais rápida das autoridades na recuperação dos dispositivos e na identificação de possíveis receptadores.
Especialistas em segurança pública apontam que a comercialização informal de celulares usados é um dos principais desafios enfrentados pelos órgãos de fiscalização em grandes centros urbanos.
Combate à receptação é foco principal
Embora a recuperação de aparelhos seja uma das metas do programa, o Governo Federal destaca que o principal objetivo da nova plataforma é combater a receptação.
Segundo o Ministério da Justiça, o mercado ilegal de celulares movimenta milhões de reais todos os anos e alimenta uma cadeia criminosa que envolve furtos, roubos e revenda clandestina.
Ao dificultar a comercialização de aparelhos com registro de ocorrência, o governo pretende reduzir o interesse econômico por esse tipo de crime.
A estratégia segue modelos já adotados em outros países e amplia o uso da tecnologia como ferramenta de prevenção e investigação criminal.
Próximos passos
A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) será responsável pela gestão operacional do sistema e pela integração dos dados enviados pelos estados, operadoras de telefonia e demais órgãos participantes.
Novas funcionalidades e formas de consulta deverão ser implementadas gradualmente nos próximos meses.
O governo federal orienta os consumidores a registrar boletim de ocorrência sempre que houver roubo, furto ou perda do aparelho, garantindo que as informações sejam incluídas na base nacional e contribuam para a recuperação dos dispositivos.




