A Polícia Civil do Amazonas prendeu, na manhã desta quinta-feira, quatro pessoas suspeitas de integrar um grupo criminoso responsável por aplicar golpes envolvendo a meia-passagem estudantil no transporte coletivo de Manaus. A ação ocorreu durante a Operação Meia Verdade, que cumpriu nove mandados judiciais em diferentes bairros da capital. Entre eles, quatro foram de prisão temporária, contra dois homens, de 32 e 41 anos, e duas mulheres, de 28 e 29 anos, além de cinco mandados de busca e apreensão. Dessa forma, a polícia avançou no combate a um esquema que causou prejuízos significativos ao sistema de transporte público.
De acordo com as investigações, os suspeitos utilizavam redes sociais para se passar por instituições de ensino de fachada. Por meio desses perfis falsos, eles ofereciam a venda da meia-passagem para pessoas que não tinham direito legal ao benefício. Assim, o grupo atraía interessados com promessas de desconto nas tarifas de ônibus, mesmo sem vínculo estudantil. Segundo o delegado Charles Araújo, responsável pelo caso, o esquema provocou um prejuízo estimado em R$ 3 milhões apenas com o comércio ilegal do benefício.
A fraude veio à tona em dezembro de 2025, quando o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) identificou um volume atípico de cadastros vinculados a supostas escolas. Durante a análise, a entidade constatou que muitas dessas instituições eram fictícias ou sequer existiam. Além disso, os criminosos anunciavam abertamente na internet a venda da meia-passagem para pessoas sem direito ao benefício. A partir dessa denúncia, a Polícia Civil iniciou a investigação que culminou na operação desta semana.
Conforme a polícia, o golpe acontecia principalmente na etapa inicial do processo, quando os dados dos supostos estudantes eram inseridos no sistema público de cadastro. Dessa maneira, o grupo burlava os mecanismos de controle e conseguia liberar cartões de meia-passagem de forma irregular. Ainda segundo os investigadores, o inquérito pode se estender para verificar se instituições reais também fazem uso indevido do sistema. Portanto, a polícia não descarta novas fases da operação e mais prisões nos próximos dias.
O gerente de Operações do Sinetram, Tarcío Marques, alertou que o prejuízo pode ser ainda maior. Segundo ele, o impacto já chega a R$ 6 milhões em subsídios, valor que acaba sendo arcado por toda a população. “O Sinetram só emite o cartão após autorização do sistema público, o que indica que a fraude acontece no cadastro feito pelas instituições”, explicou. Atualmente, outras duas pessoas seguem sendo procuradas, incluindo Wallace Avelar Rodrigues. Informações sobre o paradeiro dos suspeitos podem ser repassadas pelos canais oficiais da polícia. Os presos vão responder por associação criminosa, estelionato e inserção de dados falsos em sistemas de informação e permanecerão à disposição da Justiça.







