Espanha rejeita convite de Trump para o “Conselho da Paz”

A Espanha e a Alemanha recusaram oficialmente o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado “Conselho da Paz”, órgão criado pelo governo norte-americano com o objetivo de monitorar a paz na Faixa de Gaza e coordenar a reconstrução do território palestino. O anúncio ampliou a lista de países que rejeitam a iniciativa e reforçou críticas internacionais à proposta, considerada por diplomatas como uma tentativa de enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) no cenário global.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, confirmou a decisão de Madri e afirmou que a recusa mantém a coerência da política externa do país. Segundo ele, a Espanha prioriza o respeito ao direito internacional, ao multilateralismo e às instituições internacionais já consolidadas. Além disso, Sánchez criticou diretamente a ausência da Autoridade Palestina na composição do conselho, o que, segundo o premiê, compromete a legitimidade da proposta. Para parte da diplomacia europeia, o novo órgão nasce esvaziado e alinhado exclusivamente à visão política de Trump.

Na mesma linha, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que até considera iniciativas voltadas à reconstrução de Gaza necessárias, mas afirmou não poder aceitar o conselho nos moldes apresentados pelos Estados Unidos. Com isso, Alemanha e Espanha se juntam a outros países europeus que já haviam recusado o convite, como França, Noruega, Eslovênia e Suécia. Ao todo, cerca de 60 países foram convidados a integrar o Conselho da Paz, mas a adesão tem encontrado resistência entre aliados tradicionais do Ocidente.

Apesar das recusas, diversos países aceitaram participar da nova estrutura. Entre eles estão Israel, Arábia Saudita, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Catar, Egito, Turquia, Paquistão e Vietnã, entre outros. Já um terceiro grupo de nações, incluindo Brasil, Reino Unido, China, Rússia, Itália e Ucrânia, ainda não respondeu oficialmente ao convite. A ausência de uma posição brasileira segue sendo acompanhada com atenção, sobretudo diante do histórico de defesa do multilateralismo por parte do Itamaraty.

Donald Trump lançou oficialmente o Conselho da Paz durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, com duras críticas à ONU e a apresentação de um ambicioso plano de reconstrução da Faixa de Gaza, chamado de “Nova Gaza”, que prevê a construção de grandes empreendimentos urbanos. Segundo Trump, o conselho terá amplos poderes de decisão, com ele próprio como presidente vitalício e único detentor de poder de veto. O estatuto do órgão prevê mandatos de três anos para os membros, mas permite permanência fixa a países que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano. A iniciativa, no entanto, segue cercada de controvérsias e divide a comunidade internacional.

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