Escala 6×1 é apontada como prejudicial à saúde por 67%

escala

Trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um dia de descanso é considerado prejudicial à saúde mental por 67% dos brasileiros ouvidos em uma pesquisa do Instituto Locomotiva. O levantamento, realizado em parceria com a QuestionPro e divulgado em 2 de setembro de 2026, ocorre no momento em que uma proposta para acabar com a escala 6×1 avança no Congresso Nacional.

A pesquisa também aponta que 62% dos entrevistados consideram que a rotina de trabalho prejudica a saúde física. O levantamento ouviu 1.030 brasileiros de todas as regiões do país entre os dias 2 e 8 de junho.

No mesmo dia da divulgação dos dados, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 221/2019, que prevê dois dias de repouso semanal remunerado e redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto segue agora para análise do Plenário do Senado.

Pesquisa mostra impacto na saúde mental

De acordo com o Instituto Locomotiva, 67% dos participantes avaliam que trabalhar seis dias consecutivos e descansar apenas um contribui para a piora da saúde mental.

O levantamento também identificou outros efeitos associados à rotina de trabalho. Para 83% dos entrevistados, existe a sensação de que as pessoas estão ficando cada vez mais cansadas.

Além disso, 78% afirmaram que é difícil descansar de verdade quando se trabalha durante seis dias seguidos. Para 61%, o modelo prejudica o sono e o descanso.

Os dados mostram ainda que 71% dos brasileiros consideram que a escala dificulta a manutenção de hábitos saudáveis.

A pesquisa não mede diagnósticos médicos individuais nem estabelece uma relação clínica de causa e efeito entre a escala e problemas de saúde. Os percentuais representam a percepção dos entrevistados sobre os impactos da rotina de trabalho.

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Saúde física também aparece entre as preocupações

A saúde física foi outro aspecto analisado pelo levantamento. Para 62% dos participantes, a jornada praticada na escala 6×1 prejudica as condições físicas dos trabalhadores.

O resultado aparece associado a outros indicadores relacionados ao descanso e à qualidade de vida. A dificuldade de recuperação entre os períodos de trabalho é apontada por uma parcela significativa dos entrevistados.

Segundo o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, os resultados indicam que a discussão sobre a jornada ultrapassa o ambiente profissional e envolve o tempo disponível para outras atividades da vida cotidiana.

A pesquisa aponta que 69% dos entrevistados consideram que o tempo dedicado à família é prejudicado quando a pessoa trabalha seis dias e folga apenas um.

O levantamento também mostra que 85% dos brasileiros que atuam nessa rotina percebem a situação como um sacrifício de saúde e lazer em nome da renda. Entre as mulheres, esse percentual chega a 89%.

PEC prevê dois dias de descanso

A discussão sobre o fim da escala 6×1 está relacionada à PEC 221/2019, que tramita no Congresso Nacional.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados e analisado pelo Senado estabelece a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas. Também prevê dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução dos salários.

A proposta mantém o limite de até oito horas diárias de trabalho, com possibilidade de compensação de horários e redução da jornada por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho, conforme o texto analisado pelo Senado.

A mudança, portanto, não representa apenas a substituição automática de uma escala por outra. A PEC altera as regras constitucionais relacionadas à duração da jornada e ao descanso semanal.

CCJ do Senado aprovou proposta

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o relatório da PEC 221/2019 em reunião realizada em 2 de setembro.

O relator da matéria é o senador Omar Aziz (PSD-AM). O parecer foi favorável à proposta nos termos aprovados pela Câmara dos Deputados. A CCJ também aprovou requerimento para que a matéria tenha calendário especial de tramitação.

Com a aprovação na comissão, a PEC passa a aguardar votação no Plenário do Senado. Como se trata de uma proposta de emenda à Constituição, o texto ainda precisa cumprir as etapas previstas no processo legislativo antes de eventualmente entrar em vigor.

O senador Randolfe Rodrigues informou que existe a intenção de votar a proposta antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Caso isso não seja possível, uma nova tentativa poderá ocorrer na segunda semana de outubro.

Debate envolve trabalhadores e empresas

A mudança da jornada de trabalho também é discutida a partir dos possíveis efeitos econômicos.

Segundo a Agência Brasil, parlamentares têm destacado que existem estudos com avaliações diferentes sobre os impactos do fim da escala 6×1 na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB).

O debate envolve, de um lado, os possíveis efeitos de uma jornada menor sobre descanso, saúde, convivência familiar e qualidade de vida. De outro, estão as discussões sobre custos, organização das empresas, produtividade e funcionamento de setores que dependem de atividades durante todos os dias da semana.

A proposta em tramitação estabelece que a redução da jornada ocorrerá de forma gradual, mantendo os salários dos trabalhadores. O texto também prevê dois dias de repouso semanal remunerado.

O que muda para o trabalhador se a PEC for aprovada

Atualmente, a Constituição estabelece jornada normal de até 44 horas semanais e repouso semanal remunerado, dentro das regras trabalhistas vigentes.

A PEC 221/2019 propõe reduzir esse limite para 40 horas por semana e estabelecer dois dias de descanso remunerado. A intenção é alterar a estrutura constitucional que permite a atual organização da jornada.

A aprovação da PEC, no entanto, não significa que todas as pessoas passarão imediatamente a trabalhar cinco dias por semana. A forma de organização das jornadas continuará dependendo das características de cada atividade e das regras que forem estabelecidas durante a implementação da mudança.

Também é necessário que a proposta seja aprovada pelo Senado e cumpra as demais etapas constitucionais. Por isso, os números apresentados na pesquisa retratam a percepção dos brasileiros sobre a escala 6×1, enquanto a mudança efetiva das regras depende da tramitação da PEC.

Pesquisa amplia debate sobre jornada

Os dados do Instituto Locomotiva colocam saúde, descanso e convivência familiar entre os principais pontos associados à discussão sobre a escala 6×1.

Além dos 67% que apontam prejuízos à saúde mental e dos 62% que citam impactos na saúde física, 69% mencionam prejuízos ao tempo com a família e 61% relatam efeitos sobre sono e descanso.

A pesquisa também mostra que 78% consideram difícil descansar de maneira adequada trabalhando durante seis dias seguidos. Para 83%, há uma percepção de aumento do cansaço.

Os resultados foram obtidos a partir das respostas de 1.030 brasileiros de todas as regiões do país, entrevistados entre 2 e 8 de junho. A divulgação ocorreu em um momento de avanço da PEC 221/2019 no Senado, que agora segue para o Plenário após aprovação na CCJ.

A discussão sobre o fim da escala 6×1, portanto, permanece em andamento no Congresso Nacional. Enquanto os parlamentares avaliam as mudanças na jornada e seus possíveis impactos econômicos e trabalhistas, a pesquisa registra a percepção de uma parcela dos brasileiros sobre os efeitos do modelo atual na saúde, no descanso e na vida familiar.

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