As altas temperaturas e a baixa umidade do ar podem aumentar a frequência e a intensidade das crises de enxaqueca, segundo alerta da Afya Educação Médica. Com a aproximação do verão e a previsão de um sistema El Niño mais intenso neste ano, médicos reforçam a importância da hidratação e da adoção de medidas preventivas para reduzir os riscos, principalmente entre pessoas que convivem com a doença.
De acordo com o coordenador nacional da pós-graduação em Clínica da Dor da Afya Educação Médica, médico Carlos Trindade, o problema não está apenas na seca, mas nos efeitos provocados pelo calor extremo, como desidratação e alterações no equilíbrio de líquidos e sais do organismo. O especialista explica que esses fatores podem ativar mecanismos relacionados à dor e favorecer o surgimento das crises.
Calor e desidratação favorecem crises
Segundo Carlos Trindade, o organismo precisa trabalhar mais para regular a temperatura corporal durante períodos de calor intenso. Esse esforço, aliado à perda de líquidos, pode desencadear episódios de enxaqueca em pessoas predispostas.
“O calor sobrecarrega a regulação da temperatura e altera o equilíbrio de líquidos e sais do organismo. Mesmo uma desidratação leve pode favorecer a liberação de substâncias que ativam a via da dor”, explica o médico.
Por isso, a principal recomendação é manter a hidratação ao longo do dia, mesmo antes do aparecimento da sede, além de evitar exposição ao sol nos horários de maior intensidade e procurar ambientes climatizados ou ventilados.
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Outros fatores também podem desencadear enxaqueca
Além das altas temperaturas, o especialista destaca que diversos fatores podem funcionar como gatilhos para as crises.
Entre eles estão:
- jejum prolongado;
- alterações hormonais;
- estresse;
- sono irregular;
- consumo de determinados alimentos;
- exposição à luz intensa;
- cheiros fortes;
- mudanças bruscas no ambiente.
Carlos Trindade ressalta que o cérebro de pessoas com enxaqueca apresenta maior sensibilidade a essas alterações, tornando essencial a manutenção de uma rotina equilibrada.
Sono adequado também é fundamental
Outro fator apontado como decisivo para evitar crises é a qualidade do sono.
Segundo o especialista, dormir poucas horas, dormir em excesso ou alterar constantemente os horários de descanso pode favorecer o aparecimento da enxaqueca.
“A regularidade do sono é muito importante para quem sofre com a doença. Pequenas alterações na rotina já podem funcionar como gatilho para uma nova crise”, afirma.
Como diferenciar enxaqueca de uma dor de cabeça comum
Embora muitas pessoas confundam enxaqueca com uma dor de cabeça comum, os sintomas costumam ser diferentes.
De acordo com Carlos Trindade, a cefaleia tensional normalmente provoca uma sensação de aperto dos dois lados da cabeça, com intensidade leve ou moderada.
Já a enxaqueca costuma apresentar dor pulsátil, frequentemente localizada em apenas um lado da cabeça, com intensidade mais forte e piora durante atividades físicas.
Além disso, podem surgir sintomas como:
- náuseas;
- vômitos;
- sensibilidade à luz;
- sensibilidade ao som.
O médico orienta procurar avaliação especializada quando as crises passam a comprometer a rotina, exigem uso frequente de analgésicos ou apresentam mudança no padrão habitual.
Nos casos de dor súbita, intensa, acompanhada de febre, alteração neurológica ou rigidez no pescoço, a recomendação é buscar atendimento médico imediato.
Milhões de brasileiros convivem com a doença
Segundo dados do estudo Global Burden of Disease, publicado na revista científica The Lancet, mais de 31 milhões de brasileiros em idade produtiva convivem com a enxaqueca, com maior prevalência entre mulheres.
A doença é considerada uma condição neurológica e figura entre as principais causas de perda de produtividade no mundo, devido ao afastamento das atividades profissionais, sociais e familiares durante as crises.
Tratamento pode reduzir frequência das crises
Carlos Trindade destaca que a enxaqueca possui tratamento e que atualmente existem diferentes alternativas para reduzir a frequência e a intensidade das crises.
Segundo ele, além de medicamentos preventivos e terapias específicas, técnicas como a neuromodulação vêm ampliando as opções de tratamento para pacientes com casos persistentes.
O especialista alerta ainda para o risco da cronificação da doença em pessoas que fazem uso excessivo de analgésicos sem acompanhamento médico.
A Afya Educação Médica informa que oferece, em Manaus, uma pós-graduação em Clínica da Dor voltada à capacitação de médicos interessados em aprofundar conhecimentos sobre diagnóstico e tratamento das diversas formas de dor crônica.








