Amazonas decreta emergência por estiagem e projeta impacto em seca

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O Governo do Amazonas decretou situação de emergência em todo o estado devido à estiagem e às projeções de agravamento das condições climáticas nos próximos meses. O Decreto nº 55.486, publicado no Diário Oficial do Estado em 21 de setembro de 2026, tem validade de 180 dias e considera possíveis impactos nos 62 municípios amazonenses.

De acordo com as projeções consideradas pelo governo estadual, até 162 mil famílias, aproximadamente 648 mil pessoas, poderão ser afetadas em diferentes níveis pela redução das chuvas e dos níveis dos rios. O número é uma estimativa de impacto, e não representa a quantidade de pessoas já atingidas pela estiagem.

Emergência por estiagem no Amazonas vale por 180 dias

A medida permite ao Estado reforçar ações de prevenção, preparação e resposta diante da possibilidade de agravamento da estiagem.

Entre as áreas que podem demandar ações emergenciais estão abastecimento de água e alimentos, saúde, mobilidade, transporte e acesso às comunidades do interior, especialmente em localidades dependentes do transporte fluvial.

O decreto também prevê a articulação dos órgãos estaduais por meio do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, responsável pelo planejamento e acompanhamento das ações relacionadas ao cenário climático.

A Defesa Civil do Amazonas exerce a coordenação técnica das ações de proteção e defesa civil, incluindo o acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas e a produção de informações para orientar a resposta do poder público.

El Niño está entre os fatores considerados

O decreto leva em consideração as condições associadas ao El Niño 2026/2027, fenômeno que vem sendo monitorado por órgãos federais como INPE, INMET, ANA, Cemaden, SGB, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Censipam.

O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em setembro pelo INPE e pelas demais instituições participantes, apontou mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro.

Os modelos utilizados no monitoramento também indicaram 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027.

Para a Região Norte, o mesmo boletim apontou tendência de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média, cenário que pode intensificar o déficit hídrico e aumentar o risco de incêndios florestais caso a estação chuvosa seja atrasada.

O Cemaden também aponta que a combinação de temperaturas elevadas e precipitações abaixo da média pode aumentar o risco de queimadas e prolongar condições de estiagem em áreas da Amazônia.

Níveis dos rios são monitorados diariamente

Apesar das projeções de agravamento, os dados hidrológicos mais recentes mostram um cenário que precisa ser tratado com distinção entre previsão de risco e situação já observada.

Em boletim divulgado em 23 de setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou que o processo de vazante ocorria em grande parte dos rios da Amazônia, comportamento considerado esperado para o período do ano.

Segundo o órgão, embora algumas regiões apresentassem volumes de chuva menores que o esperado, a maior parte dos pontos monitorados permanecia com níveis considerados normais para a época. A principal exceção apontada naquele boletim era a bacia do rio Branco, em Roraima, onde os níveis estavam abaixo das mínimas históricas para o período.

Em Manaus, o rio Negro registrou 20,38 metros em 22 de setembro, mantendo o processo de descida. Em São Gabriel da Cachoeira, o nível estava em 8,20 metros, enquanto Barcelos registrava 3,95 metros.

Os números mostram que a vazante já ocorre, mas não permitem afirmar que todos os municípios do Amazonas estejam enfrentando, neste momento, o mesmo grau de impacto.

Queda dos rios pode afetar transporte e abastecimento

No Amazonas, a redução dos níveis dos rios tem impacto direto na logística de comunidades e municípios do interior.

A navegação é fundamental para o transporte de pessoas, alimentos, medicamentos, combustíveis e outros produtos essenciais. Com a diminuição da profundidade dos rios, trechos utilizados por embarcações podem apresentar restrições, aumentando as dificuldades de acesso a comunidades mais isoladas.

A estiagem também pode aumentar a demanda por estruturas de abastecimento de água e assistência humanitária em áreas onde o acesso regular a serviços públicos depende das condições de navegabilidade.

O governo estadual informou que vem adotando medidas preparatórias diante das projeções climáticas, incluindo organização da logística de abastecimento, envio antecipado de medicamentos e insumos e instalação de sistemas de captação e tratamento de água pelo Programa Água Boa.

Estado já havia adotado medida preventiva em 2026

O novo decreto ocorre após uma medida preventiva adotada pelo governo estadual diante das projeções relacionadas ao El Niño.

Segundo a página oficial da Defesa Civil do Amazonas, o Decreto nº 54.274, de 1º de junho de 2026, já havia declarado, em caráter preventivo, Estado de Emergência Climática e Ambiental no Amazonas em razão das projeções meteorológicas associadas ao fenômeno.

A medida anterior tinha caráter mais amplo e considerava riscos relacionados não apenas à estiagem, mas também a incêndios florestais, ondas de calor, redução da disponibilidade hídrica e outras alterações ambientais, sociais e econômicas.

O decreto publicado em setembro estabelece a situação de emergência diante do cenário específico de estiagem e das projeções de redução das chuvas e dos níveis dos rios.

Amazonas já enfrentou estiagens severas

O histórico recente do estado também é considerado no planejamento das ações.

A Defesa Civil do Amazonas registrou impactos expressivos durante a estiagem de 2023. Relatório do órgão aponta que naquele ano mais de 90% dos municípios enfrentaram situação de emergência em algum momento, com redução dos níveis dos rios, dificuldades de navegação e problemas de abastecimento em cidades do interior.

Em 2024, o governo estadual voltou a decretar situação de emergência para os 62 municípios por causa da estiagem. Naquele momento, a Defesa Civil informou que 77.499 famílias já haviam sido afetadas até agosto. Também foram registradas ações de assistência humanitária, incluindo distribuição de alimentos, instalação de purificadores de água e envio de caixas-d’água.

Esse histórico é utilizado como referência para o planejamento de 2026, mas não significa que os impactos registrados em anos anteriores necessariamente se repetirão na mesma intensidade.

Monitoramento deve continuar nos próximos meses

O cenário climático permanece sujeito a atualizações conforme novos dados meteorológicos e hidrológicos forem registrados.

O Painel El Niño 2026-2027 é atualizado mensalmente por instituições federais, enquanto o SGB acompanha a evolução dos níveis dos principais rios da região.

No Amazonas, a Defesa Civil mantém o monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas e orienta os municípios a manterem seus planos de prevenção e resposta atualizados. A estrutura estadual também possui uma Operação Estiagem para acompanhar as condições e apoiar os municípios conforme a evolução dos cenários locais.

Por enquanto, portanto, o dado mais relevante para a população é que o Amazonas está oficialmente em situação de emergência por estiagem por 180 dias, enquanto os órgãos públicos acompanham a evolução das chuvas, dos níveis dos rios e dos possíveis efeitos sobre abastecimento, transporte e serviços essenciais.

A estimativa de 648 mil pessoas deve ser compreendida como uma projeção de população potencialmente impactada, e não como um balanço de pessoas já afetadas.

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