A economia verde na Zona Franca de Manaus pode representar um novo diferencial competitivo para o Polo Industrial de Manaus (PIM), fortalecendo a presença dos produtos amazonenses nos mercados nacional e internacional. A combinação entre inovação, preservação ambiental e desenvolvimento econômico é apontada como uma estratégia para agregar valor à produção industrial e ampliar oportunidades em um cenário global cada vez mais voltado à sustentabilidade.
Especialistas e representantes do setor produtivo avaliam que, além da manutenção dos incentivos fiscais, o modelo econômico da Zona Franca pode ganhar força com a adoção de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). A tendência acompanha a crescente exigência de consumidores, investidores e grandes empresas por produtos com certificações de sustentabilidade e baixa emissão de carbono.
Sustentabilidade ganha espaço na indústria
A discussão sobre economia verde tem se tornado cada vez mais presente entre empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus. A adoção de processos produtivos sustentáveis, aliada à preservação da floresta amazônica, é vista como um fator capaz de ampliar a competitividade da indústria local.
Nesse contexto, produtos fabricados no Amazonas podem conquistar maior valor agregado ao serem associados a práticas responsáveis de produção, rastreabilidade e compromisso ambiental.
Certificações podem abrir novos mercados
Uma das possibilidades discutidas é a criação de certificações que comprovem o compromisso ambiental das empresas instaladas na Zona Franca.
Selos reconhecidos internacionalmente poderiam demonstrar que os produtos foram desenvolvidos com responsabilidade socioambiental, baixa emissão de carbono e respeito às boas práticas de governança, características cada vez mais valorizadas pelo mercado global.
Biodiversidade pode impulsionar inovação
Outro ponto considerado estratégico é a aproximação entre a estrutura tecnológica do Polo Industrial e o potencial econômico da biodiversidade amazônica.
A integração entre indústria, pesquisa e recursos naturais pode estimular o desenvolvimento de novos produtos, fortalecer cadeias produtivas regionais e ampliar investimentos em inovação, criando oportunidades para a economia local sem comprometer a conservação ambiental.
Programa incentiva adoção de práticas ESG
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) já desenvolve iniciativas voltadas ao fortalecimento da agenda ambiental por meio do programa ZFM+ESG, que incentiva empresas do Polo Industrial a ampliarem ações relacionadas à responsabilidade ambiental, social e de governança corporativa.
A iniciativa busca aumentar a competitividade da produção amazonense e aproximar a indústria das exigências dos mercados internacionais, onde critérios sustentáveis têm ganhado importância nas decisões de consumo e investimento.
Zona Franca alia indústria e preservação ambiental
Com mais de cinco décadas de existência, a Zona Franca de Manaus é frequentemente apontada como um dos fatores que contribuíram para concentrar a atividade econômica em áreas urbanas do Amazonas, reduzindo a pressão sobre a floresta.
O estado preserva mais de 97% de sua cobertura vegetal original, característica que pode representar uma vantagem estratégica diante da expansão da economia de baixo carbono em diversos países.
Debate envolve futuro do modelo econômico
O tema também faz parte do debate sobre o futuro da Zona Franca diante das transformações econômicas globais e das discussões relacionadas à Reforma Tributária.
Embora a defesa dos incentivos fiscais continue sendo considerada essencial para manter a competitividade do Polo Industrial, cresce a avaliação de que o modelo pode incorporar novos diferenciais capazes de fortalecer sua posição no mercado internacional.
Marcellus Campêlo defende estratégia
O engenheiro civil e ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), Marcellus Campêlo, afirma que a economia verde deve caminhar ao lado da defesa da Zona Franca de Manaus.
Segundo ele, preservar os incentivos fiscais continua sendo fundamental para manter empregos e atrair investimentos, mas a adoção de práticas sustentáveis pode ampliar a competitividade da indústria amazonense.
Campêlo também defende que produtos fabricados no Polo Industrial possam, futuramente, receber certificações ambientais reconhecidas internacionalmente, agregando valor à produção local e fortalecendo a presença do Amazonas em mercados que priorizam critérios de sustentabilidade.
Atualmente vice-presidente estadual do União Brasil e pré-candidato a deputado estadual, ele avalia que o desenvolvimento sustentável pode representar uma nova etapa para a economia amazonense, unindo preservação da floresta, inovação tecnológica e geração de empregos.







