Manaus registra novo recorde de consumo de energia

manaus

O consumo de energia em Manaus atingiu um novo recorde histórico na noite de quarta-feira (23), quando a demanda do sistema elétrico que atende a capital e municípios da Região Metropolitana chegou a 2.015 megawatts (MW), às 20h20. O dado foi divulgado pela Âmbar Energia, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica no Amazonas, com base nas informações do Centro de Operação do Sistema.

A marca superou o recorde anterior, de 1.997,1 MW, registrado em 14 de setembro. Segundo a concessionária, este foi o quinto recorde de demanda registrado entre agosto e setembro, em um período marcado por temperaturas elevadas em Manaus e pela ocorrência de fumaça proveniente de queimadas na região.

O novo pico também representa uma alta de 14% em relação ao maior consumo registrado em setembro de 2025, segundo as informações divulgadas pela empresa e repercutidas pela imprensa local.

Calor aumenta pressão sobre sistema elétrico

A sequência de recordes ocorre durante um período de temperaturas elevadas na capital amazonense. Na terça-feira (22), um dia antes do novo pico de demanda, Manaus registrou 38,6°C, marca apontada como a maior temperatura do ano até aquele momento, conforme dados atribuídos ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A Âmbar relaciona o aumento da demanda ao calor e ao consequente uso mais intenso de equipamentos de refrigeração, como aparelhos de ar-condicionado e ventiladores. O gerente de Operações da concessionária, Raimundo Júnior, afirmou que as equipes estão mobilizadas diante da sequência de picos de consumo.

“Esse novo pico mostra o tamanho do desafio que o sistema elétrico tem enfrentado neste período de calor intenso. Só entre agosto e setembro, já são cinco recordes de consumo”, afirmou Raimundo Júnior, segundo declaração divulgada pela concessionária.

A empresa informou que o trabalho inclui ampliação de subestações, manutenção e modernização da rede, além de intervenções programadas e ações emergenciais nos pontos em que há necessidade.

Fumaça atinge Manaus no mesmo período

O novo recorde de demanda ocorreu simultaneamente a um episódio de forte presença de fumaça em Manaus.

Na manhã de 23 de setembro, a Prefeitura de Manaus informou que a concentração média de partículas finas PM2,5 chegou a 188,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³). O município classificou o índice como “péssimo” e informou que a fumaça era proveniente de áreas de queimadas em diferentes regiões da Amazônia, principalmente de municípios da Região Metropolitana de Manaus e do leste do Amazonas.

A Prefeitura também informou que, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manaus estava entre os municípios do Amazonas com menor número de focos de incêndio naquele momento. O monitoramento municipal era realizado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, enquanto a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima mantinha ações de fiscalização e acompanhamento da qualidade do ar.

A ocorrência da fumaça, portanto, faz parte do contexto ambiental registrado no mesmo período do recorde de consumo. As informações disponíveis, porém, não permitem afirmar que a fumaça tenha provocado o aumento da demanda elétrica. A relação apontada pela concessionária é entre as temperaturas elevadas e o maior uso de equipamentos de refrigeração.

Leia também: Interrupção de energia em Manaus atinge 10 bairros

Âmbar afirma ter investido mais de R$ 300 milhões

Diante da sequência de recordes, a Âmbar Energia informou ter investido mais de R$ 300 milhões nos cinco primeiros meses desde que assumiu a concessão. Segundo a empresa, os recursos foram direcionados para manutenção da rede, renovação de subestações, substituição de transformadores e modernização de equipamentos.

A concessionária também informou que reforçou o monitoramento do sistema e adotou medidas para enfrentar os períodos de maior demanda.

Entre as ações citadas estão a ampliação da capacidade de importação de energia pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), manutenção preventiva e preparação de planos de contingência para os horários de maior consumo.

As informações sobre os investimentos e as medidas operacionais são declarações da própria Âmbar Energia e, portanto, devem ser atribuídas à concessionária.

Sistema ultrapassa pela primeira vez 2 mil MW

O novo recorde coloca o sistema elétrico de Manaus em um patamar acima dos 2 mil MW de demanda.

A marca de 2.015 MW representa um aumento de aproximadamente 0,9% em relação ao recorde anterior de 1.997,1 MW, registrado apenas nove dias antes.

A sequência de marcas recentes mostra a evolução da demanda no período. Em 14 de setembro, o sistema havia chegado a 1.997,1 MW. Antes disso, a concessionária havia registrado 1.980 MW em agosto, segundo informações divulgadas sobre os recordes de consumo.

Com o novo pico, o sistema que atende Manaus e a Região Metropolitana passa a operar em um nível de demanda ainda maior justamente durante o período de temperaturas elevadas.

Concessionária monitora períodos de maior demanda

Segundo Raimundo Júnior, as equipes da Âmbar permanecem mobilizadas para acompanhar o comportamento do sistema durante os períodos de maior consumo.

A concessionária afirma que as ações envolvem tanto intervenções previamente programadas quanto medidas imediatas quando são identificadas necessidades na rede. O objetivo informado pela empresa é reforçar a infraestrutura para atender aos picos de demanda e manter a estabilidade do fornecimento.

A sequência de recordes ocorre cinco meses após a Âmbar assumir a concessão da distribuição de energia elétrica no Amazonas. A empresa passou a operar o serviço após a transferência de controle da antiga Amazonas Energia, em abril de 2026.

Calor e qualidade do ar marcam período de recorde

O novo recorde de consumo de energia em Manaus ocorre, portanto, em um cenário que combina dois fenômenos registrados na capital em setembro: temperaturas elevadas e episódios de concentração de fumaça.

Enquanto a demanda elétrica chegou a 2.015 MW na noite de 23 de setembro, a Prefeitura registrou, naquela mesma data, concentração média de PM2,5 de 188,5 µg/m³ e classificou a qualidade do ar como péssima.

A relação diretamente apontada pelas informações da concessionária é entre o calor e o aumento do uso de equipamentos de refrigeração. Já a fumaça permanece como um elemento de contexto ambiental do período, sem evidência apresentada pelas fontes consultadas de que tenha sido responsável pelo recorde de consumo.

O acompanhamento da demanda deverá continuar durante os próximos períodos de calor, enquanto a concessionária mantém ações de manutenção, modernização e reforço da infraestrutura elétrica em Manaus e na Região Metropolitana.

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Telegram
Twitter
Email
Print
VEJA TAMBÉM
plugins premium WordPress
erro: O conteúdo está protegido!!