Manaus, AM – O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, ganha um significado especial e profundo no Amazonas. A data, oficializada como feriado nacional em 2023, é mais do que uma homenagem a Zumbi dos Palmares; é um reconhecimento da herança africana que moldou e continua a pulsar na cultura, história e na própria composição demográfica da região.
A data foi estabelecida pela Lei Federal nº 12.519 de 2011, reconhecendo o legado da população negra na constituição do país. No Amazonas, onde mais de 75% da população se autodeclara preta ou parda (Censo IBGE 2022), a luta pela afirmação e o resgate histórico se manifestam intensamente.
✊ Capoeira: Mais que Dança, um Elemento de Resistência
O vídeo destaca como a herança africana vive nas expressões culturais amazônicas, com ênfase na capoeira, que é apresentada como muito mais do que uma dança: é um símbolo de resistência. O Mestre Ronaldo Vargas explica a trajetória da capoeira:
“A capoeira, ela vem de muito tempo, desde a época da colonização, dos nossos negros escravos. Na África, era praticada como um ritual chamado N’golo, e chega no Brasil e se transforma em uma luta de libertação.”
Mestre Ronaldo Vargas ressalta a importância da arte marcial para a comunidade, afirmando que ela tem um papel de resgate social ao afastar jovens da ociosidade.
🛖 A Presença Quilombola na Amazônia
A força da presença negra na Amazônia também é evidenciada pela quantidade de comunidades quilombolas. Mestre Ronaldo Vargas aponta:
“O Amazonas tem um polo muito grande porque o Amazonas, em si, em geral, ele tem hoje 406 quilombos, que mostra a raiz e a força do negro.”
Ele menciona a existência de quilombos urbanos e rurais, como o Quilombo de Barreirinha e o Quilombo de Novo Airão, reforçando a conexão da capoeira com essa história de luta e comunidade.
📚 Resgate Histórico e Legado Banto
As novas gerações estão à frente no resgate dessa história e na reafirmação do orgulho de ser negro na Amazônia. A Cyber Ativista nas Causas Negras, Júlia Vargas, fala sobre a importância da memória e da filosofia Banto em sua militância:
“A filosofia Banto, ela ensina que a gente escuta os mais velhos, aprende, ensina pros mais novos, para que a gente um dia, quando partir, permaneça. Então, foi ouvindo o meu pai que eu entendi que a luta dele não poderia terminar quando ele se for.”
Júlia Vargas, que se engajou nas redes sociais durante a pandemia para dar visibilidade a mestres de capoeira, enfatiza que a comunidade negra é a origem de toda a história do movimento:
“Nós somos a origem. Nós não somos um evento, nós não somos um período. Nós somos a origem de toda a história do movimento negro, de toda a cultura afro-brasileira.”
A presidente da Associação Criolas, Keilah Fonseca, complementa essa visão, ressaltando a identidade afro-amazônida:

“É o mês de fortalecimento para nós negros, quilombolas e afrodescendentes, afro-amazônidas, porque nós não somos só indígenas. Nós somos também negros, que os cocais e as tensas nagôs caminham juntos. Então, a negritude fortalece os indígenas e um fortalece o outro.”
O Dia da Consciência Negra no Amazonas é, portanto, um momento de celebração da cultura, de reconhecimento da resistência histórica e de reforço do papel fundamental da população negra na identidade e no futuro da região.










